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13/01/2008

Lareiras de Alvito





Lareiras de Alvito
cansada lembrança
da família quieta
ao redor do lume
herdade dos pobres
hora de perdão.


Esquinas de Alvito
memórias de branco
dos trabalhadores
nos meses de inverno
às portas pedindo
uma esmola de pão.


E os velhos morreram
e o tempo passou
igual a uma dor
e até a pobreza
mudou de morada


Ficou o Charneco
que assobiava
plas ruas da vila
tocando na caixa
a marcha dolente
da gente sem nada.


Fevereiro, 1965

Sebastião Penedo

(Poeta de Alvito)

04/04/2007

Guardadores da Seara

foto de Sílvia Padrão


Guardadores da Seara

Se a lua se põe
e a aragem na noite
adormece e pára,
fica lá o canto
pausado dos grilos
guardando a seara.


Sebastião Penedo
Poeta de Alvito

11/02/2007

ALVITO E OS SEUS POETAS




Encontrei no blog "NAS MINHAS LEITURAS" esta referência a dois Poetas de Alvito, Raúl de Carvalho e seu primo Sebastião Penedo. Achei interessante dar ao conhecimento dos Alvitenses este naco de correspondência traduzido em duas dedicatórias.Agradeço a "NAS MINHAS LEITURAS" a oportunidade da recolha destes depoimentos.




"Autógrafo floral de Raul de Carvalho


Raul de Carvalho, primo e camarada unido por "laços de sangue" é o poeta mais representado na biblioteca de Sebastião Penedo. A sua obra é copiosa e multiplicada por pequenos e saborosos objectos-livro, opúsculos e edições bem cuidadas, ainda que muitos sejam edição de autor. Se não me falhou nada, são os seguintes:

As Sombras e as Vozes [1949]
Mesa da Solidão [1955]
Parágrafos [1956]
Poesia 1949 - 1948 [1965]
Tautologias [1968]
Realidade Branca [1968]
Tudo é Visão [1970]
Poemas Inactuais [1971]
Uma Estética da Banalidade [1972]
De Nome Inominado [1974]
A Casa Abandonada [1977]



A dedicatória de A Casa Abandonada, a que já me tinha referido, é um verdadeiro arranjo floral.




"Ao Poeta Sebastião Penedo,
Ao Sebastião.
Esta casa afinal não de todo
abandonada (e, por último, algumas vezes
ficticiamente [?]feliz.

Com os "laços de sangue", a grata
camaradagem (que a minha Mãe perfilharia) e a
sempre que justificada, admiração, do teu primo poeta -

Raul de Carvalho.

1-XII-977."



Nos Poemas Inactuais a dedicatória é de "revolta e nojo". Estava em 1971, compreende-se:




"Ao Sebastião.
Este livro onde há, também "angústia,
revolta, medo e nojo disto tudo, mas mesmo
de tudo, -"

Com um abraço.

Raul de Carvalho
26/ Outubro/ 71."










Ainda de "NAS MINHAS LEITURAS" retiro este poema de Sebastião Penedo, inscrito à laia de dedicatória no livro de versos de Ruy Cinatti, Memória Descritiva:



Dia Santo

Sobre a tela do campo desgrenhado de searas
ou um rio que a leva a ver o mar,
nas dunas onde o sol lhe beija os seios,
em uma aragem quase
sua roupa ligeira,
a mocinha pousa seu encanto.

E demora o dia a que o verão,
os lábios, as sagradas
mãos da água dão um corpo
e um nome de um céu - dia santo.


Sebastião Penedo
Lisboa, São Pedro, 1976

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