
19/06/2009
17/06/2009
STRAVINSKY
s t r a v i n s k y
(1882-1971)
Igor Fiodorvitch Stravinsky nasceu em Oraniembaum (Rússia), perto de São Petersburgo, a 17 (5 pelo antigo calendário) de junho de 1882. Filho de um conhecido cantor da ópera imperial de São Petersburgo, educou-se em excelente meio artístico e cultural.
Apesar da precoce vocação para a música, foi encaminhado para o curso de direito. Conheceu então o filho de Rimski-Korsakov, passando a estudar com esse último. Em 1905 abandonou a universidade. Ouvinte entusiasmado de suas primeiras obras, Diaghliev convidou-o a colaborar nos balés russos, para os quais compôs O pássaro de fogo, cuja apresentação em Paris (1910) lhe abriu o caminho da celebridade.
Alcançando outro sucesso com Petrouchka (1911), causou escândalo em maio de 1913 com A sagração da primavera. A I Guerra Mundial levou-o a mudar-se para a Suíça, voltando à França em 1919. Nessa época, apresentou-se freqüentemente como pianista e regente, enquanto como compositor se voltava para a pesquisa da tradição clássica européia.
Em 1939 perdia a mãe e a primeira mulher, ao mesmo tempo que o início da II Guerra Mundial o fazia trocar a França pelos Estados Unidos. Nesse país casou-se (1940) com Vera de Bosset e trabalhou durante mais de trinta anos. No começo da década de 1950, encontrou um amigo dedicado na pessoa do jovem regente Robert Craft, que lhe despertou o interesse pela música serial.
Em 1963, após quase meio século de afastamento, Stravinsky visitou a então União Soviética, recebendo carinhosa acolhida do povo russo. Stravinsky morreu em Nova Iorque, a 6 de abril de 1971.
Afirmando-se, ao lado de Bartók e Schönberg, como um dos compositores de maior significação na primeira metade do séc. XX, Stravinsky distingui-se entre seus contemporâneos pelo caráter multiforme, tanto de sua produção, quanto de suas diretrizes estéticas, que refletem as mudanças de meio e vivência sócio-cultural do seu cosmopolitismo.
À medida que se 'desenraíza', que se diversifica em variadas fontes de matéria-prima, cada vez mais seu interesse se concentra no valor da forma, da arquitetura musical, a que traz contribuições vigorosamente renovadoras.
Passando, no mínimo, por três fases bem demarcáveis - a da música de fundo russo, ligada à cooperação teatral com Diaghilev; a do chamado estilo neo-clássico, norteada pela revalorização criativa de princípios e autores da música européia do séc. XVIII; e da adesão do serialismo weberniano - Stravinsky sustenta e desenvolve em todas elas, como em seus muitos trabalhos de transição, a mesma preocupação de reordenar a arte musical e enriquecê-la com novas técnicas e perspectivas.
Sua imaginação é tão forte quanto sua racionalidade. Propõe-se, antes de tudo, dominar, num processo de depuração e de síntese, os elementos contrastantes de sua experiência, ao mesmo tempo eslava e ocidental.
Stravinsky consegue concretizar esse projeto. De um lado, na atitude anti-romântica, mas rebelde, em que promove a fusão do bárbaro e do moderno, do exótico e do universal; de outro lado, principalmente do Édipo rei (1927) e da Sinfonia dos salmos (1930) em diante, pela solene dualidade greco-romana de seu caminho para a religião, o catolicismo.
Entre uma e outra orientação, tornam-se mais inteligíveis as razões do período em que se volta para a polifonia pré-clássica e, em particular para Pergolesi. Recuará ainda mais, até a música do séc. XIV, para estruturar a sua surpreendente missa de 1948.
Defendendo a completa funcionalidade da técnica que requer um novo tratamento para cada obra, Stravinsky alcança admirável domínio artesanal, implanta novas combinações instrumentais, conduz um fluxo melódico que incorpora tudo, desde o folclore russo à liturgia da Igreja romana, alarga o espectro de possibilidades da harmonia tonal e confere ao ritmo um relevo extraordinariamente fértil para o desenvolvimento da música contemporânea.
Com sua pluralidade, sua força de tantos entrechoques e contradições, Stravinsky encarna em sua música uma súmula viva das crises e transformações que sacodem o mundo até hoje.
Nenhuma obra de Stravinsky é mais conhecida do que A sagração da primavera. Compreende-se a perplexidade dos primeiros ouvintes desses 'quadros da Rússia pagã': a aparente violação de toda a sintaxe musical, a aspereza politonal e do intenso cromatismo das dissonâncias, a poliritmia, o selvagem acento percussivo, a energia vulcânica do colorido orquestral, pareciam desmantelar tudo o que se consagrara de teoria e harmonia musical. Mas o fascínio da obra, que permanece, acentua-se na identificação aparentemente paradoxal do que sugere o tumulto da vida moderna, com suas máquinas e explosões; nesse sentido, é a recriação sonora do encontro de dois extremos, o primitivo e o contemporâneo.
Na ópera alegórica O rouxinol (1914), Stravinsky satiriza a mecanização da vida moderna. Inscrevem-se na mesma fase a ópera cômica Maura (1921) e o bailado As núpcias (1923), que explora o folclore dos camponeses russos. Diferente, e de difícil classificação, é A história do soldado (1918), inspirada no teatro ambulante e popular da Rússia. Concebida como uma espécie de pantomima fantástica, com narrador e orquestra no palco, reitera a crítica do compositor à era das máquinas.
A fase neo-clássica já se manifesta em Pulcinella (1919), bailado baseado em melodias de Pergolesi. Mais característico ainda é o Octeto para instrumentos de sopro (1923). Mas é a partir do modelo de Händel que Stravinsky realiza seu Édipo rei, oratório de grandiosa beleza trágica, com texto em latim, de Cocteau. Em Apollon Musagete (1928), a expressão neo-barroca, de frieza clássica, parte das formas puras da dança.
Trabalho culminante dessa segunda trilha stravinskyana, A carreira do devasso (1951) reúne motivos de Händel, de Mozart, e do canto italiano. A ópera inspira-se em quadros de Hogarth e dá a medida da relação entre as incursões históricas do autor e sua virtuosidade de estilo.
Até a religiosidade sincera da Sinfonia dos salmos, Stravinsky compôs diversas obras importantes, como o Rag Time (1918) para 11 instrumentos, sob a influência do jazz; a Sinfonia para instrumentos de sopro (1920); a ópera O beijo da fada (1928). Vem depois o sereno melodrama Perséfone (1934), com texto de André Gide; o Concerto para orquestra de câmara em mi bemol maior (1938), em que Stravinsky integra o estilo de J.S.Bach, prestando-lhe homenagem; a Sinfonia em dó maior (1940) e a Sinfonia em três movimentos (1945); o bailado Orfeo (1947).
A religião vai confluir, pouco a pouco, para o dodecafonismo, através do Canto sacro em honra do nome de São Marcos (1956), Threni (1959), Um sermão, uma narrativa e uma prece (1961), etc. De influência decisiva nas diversas correntes da música atual, Stravinsky escreveu uma auto-biografia (até 1934), Crônica de minha vida (1935), Poesia musical (1946) e vários livros em colaboração com Robert Craft.
16/06/2009
MENTES BRILHANTES

--Mentes brilhantes
Ou muito me engano ou já faltará pouco para ouvirmos falar do risco da estabilidade do regime se as esquerdas continuarem a contrariar nas urnas este conceito de democracia a dois. Uma maçada, isto das insignificâncias se tornarem significantes
8:48 Segunda-feira, 8 de Jun de 2009
Não sei se já repararam, mas Portugal tem, desde o último domingo, um problema de "ingovernabilidade".Ao contrário do que seria de supor, o problema de "governabilidade" não é decorrente da hecatombe eleitoral do PS nas "europeias". Ao que parece, nem sequer resulta das trapalhadas em que os socialistas se meteram ao longo deste tempo. Nem - já agora - da identidade que perderam, se é que alguma vez a tiveram.O problema da "ingovernabilidade" muito menos decorre da vitória do PSD nas eleições europeias. Nem da memória do seu registo recente de passagens pelo Governo.
Habituados a considerar "governabilidade" o dois-em-um em que os partidos "do arco do poder" vão gerindo a estafada vidinha pública em Portugal desde os primórdios da democracia, o habitual desfile de comentadores vê o risco de "ingovernabilidade", isso sim, na subida "preocupante" de uma denominada "esquerda radical".
Pela voz de alguns opinadores de serviço - a este respeito, as noites eleitorais são uma visita guiada à variedade da fauna - ficamos, pois, a saber que o facto do Bloco de Esquerda e a CDU terem ultrapassado os 20 por cento de votos é que é potencialmente perigoso para a democracia. A democracia, essa, é que continua a não fazer caso de sondagens e opinadores e lá vai aparentando, pelo menos nos votos expressos, uma aparente tendência para chatear.
Confesso que não sei como pode ser ingovernável algo que ainda não se conhece. Neste capítulo, muitos dos nossos comentadores não se distinguem de um conservador empedernido: preferem um mal que conhecem a um bem desconhecido. Na verdade, passam o tempo a desancar os governos que temos, os partidos que temos, os políticos que temos, os escândalos que temos e a democracia que não temos. Mas na hora em que paira no ar a possibilidade de um novo panorama político condicionar seriamente a paz podre do regime, multiplicam-se os alertas sobre os perigos da "ingovernabilidade".
Quer isto dizer que a "ingovernabilidade" só é capaz de ser uma coisa boa se tiver a aparência de governabilidade. E incluir os habituais protagonistas da chamada "alternância de poder". Governável ou não governável, o País dos nossos opinadores aguenta bem o bloco central de facto ou qualquer conveniência de regime. Pelos vistos, o que não suporta mesmo é ter de lidar com algo que possa estragar o arranjinho mais duradouro da nossa democracia.
Ou muito me engano ou já faltará pouco para ouvirmos falar do risco da estabilidade do regime se as esquerdas continuarem a contrariar nas urnas este conceito de democracia a dois. Uma maçada, isto das insignificâncias se tornarem significantes.
AVISO E SINAL

Aviso e sinal
O resultado das europeias representa um aviso e um sinal de mudança que poderá ou não confirmar-se nas legislativas
10:55 Terça-feira, 9 de Jun de 2009
O PS perdeu as europeias, superando as piores expectativas, e o PSD ganhou-as, superando as melhores. O PS perdeu - e para todos. Mas se todos, de alguma forma, ganharam, há dois partidos cujos resultados são particularmente relevantes e terão maiores consequências:
Primeiro, o PSD, por: a) ter sido, em absoluto, o vencedor, por uma margem acima quase do imaginável, mesmo à luz das sondagens e projecções, conquistando, pela primeira vez, nos últimos quatro anos, o "estatuto" de partido com hipótese de ser o mais votado, e por isso alternativa de Governo, nas legislativas de Setembro; b) tornar indiscutível e consolidar uma liderança periclitante e internamente contestada, sem prejuízo das naturais tréguas neste período eleitoral - sendo assim Manuela Ferreira Leite a principal vencedora deste sufrágio, até na escolha do cabeça de lista, Paulo Rangel, que foi uma aposta inteiramente ganha;
Segundo, o BE, por: a) ter sido o partido que mais cresceu, alcançando o melhor resultado de sempre - o único nestas condições -, mais do que duplicando a sua percentagem de votos em relação às anteriores europeias e passando a ter, pelo menos, dois eurodeputados em vez de um só (no momento em que escrevo ainda falta apurar um deputado); b) ser já a terceira maior força política, embora ombro a ombro com o PCP, capitalizando o óbvio descontentamento dos portugueses com os políticos e os partidos, de que procura ou aparenta ser, em certos aspectos, diferente, o que lhe continuará a dar dividendos.
Quanto ao PCP, que tem resistido a todas as agonias ou mortes anunciadas, ganhou por ter aumentado o número de votos e a percentagem em relação a 2004, mantendo dois deputados, apesar da diminuição global da representação portuguesa no Parlamento Europeu.
Já o CDS só ganhou na comparação entre o resultado que conseguiu e os valores mínimos que as sondagens lhe davam (não é possível comparar os resultados de agora com os de 2004, pois o ex-PP concorreu então coligado com o PSD), assim continuando a assegurar um certo lugar no tradicional xadrez da política à portuguesa; mas, ao mesmo tempo, passou a ser o quinto e último entre os partidos com representação parlamentar, sendo um pouco ridículo que Paulo Portas, uma vez mais, logo se tenha posto em bicos de pés e anunciado a apresentação de uma moção de censura ao Governo!
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14/06/2009
A L V I T O - 6ª FESTA DO BARÃO - 27 DE JUNHO

PROGRAMA
Falcoaria, malabarismo, actores, música, demonstração de combates, declaração poética às damas, rábulas e jogos de destreza com o público.
17h00 – Chegada do Barão, da Esposa, Filho e restante séquito (músicos, actores, recreadores e figurantes locais) – pequeno desfile;
- Na Praça da República fará um pequeno discurso de abertura
(tem início o acampamento, jogos infantis, pequeno mercado, música, malabarismo);
17h30 – Demonstração de Falcoaria;
18h00 – Passo de Armas – demonstração de combates;
18h30 – Visita às Tendas Vivas;
19h00 – Retiro do Barão e do seu Séquito;
20h30 – Recepção dos convivas do Banquete em Honra da Baronia de Alvito;
20h45 – O Barão dá início ao Banquete
(até por volta das 24h00); Animação Permanente
Inscrições para o banquete no Posto de Turismo até dia 20 de Junho
Telefone: 284 480 808
EMENTA
1ª Tenta
Beringelas recheadas com Ovos e Cheiros verdes
2ª Tenta
Lentilhas guisantes com Fumeiro de Carnes
3ª Tenta
Galináceos afogados em Mostarda e Mel, guarnecidos com Cerejas e Pêras embriagadas
4ª Tenta
Salada da Horta em base de Melão com Queijo fresco, seus Adubos e Mel
5ª Tenta
Lombo de Suíno com Gengibre acompanhado de Couves do Lameiro com Cominhos e de Castanhas com Erva-doce
6ª Tenta
Manjar de Maçã com Noz, Mel e Canela em Caixa de Massa
7ª Tenta
Melancia com ralado de Queijo de Cabra
(Tudo acompanhado de Vinhos da Baronia, Água (da Fonte dos Barões) e Groselha )
SAUDADES DO ALENTEJO

Sou filho da terra quente,
das searas, do montado …
Trago das canções dolentes,
o passo cadenciado.
Saudoso das leiras trigo,
vivendo em terra emprestada,
nas longas noites sem sono,
perdido neste abandono,
vou desfiando comigo,
contos perdidos na estrada …
Tenho na pele marcados
os traços de mil suões,
e os olhos tristes, magoados,
que eu herdei dos ganhões.
Guardo raízes profundas
dum campo velho, cansado,
onde mesmo em tempo agreste,
nascia uma flor silvestre,
naquelas terras fecundas,
de Alentejo ignorado.
Eu nasci p’ra lá do Tejo,
guardo da terra a lembrança …
Eu pertenço ao Alentejo,
que me conheceu criança!
Voltarei um destes dias,
com um bando de pardais …
hei-de voar pelos montes,
beber as águas das fontes,
cantar velhas melodias,
e embebedar-me em trigais.
Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho
13/06/2009
Paula Rego no top 200 dos artistas do século XX

Paula Rego é o único nome português constante de uma lista dos 200 artistas mais importantes do século XX até agora divulgada hoje na edição online do "The Times" e elaborada com base nos votos dos leitores do jornal.
A pintora, há muitos anos a viver na Inglaterra, figura em 142.º lugar na lista, que é liderada por Pablo Picasso, seguido de Paul Cézanne e de um artista muito diferente, Gustav Klimt.
Aos três artistas mais votados seguem-se o impressionista Claude Monet, o pai da arte conceptual, Marcel Duchamp, o grande rival de Picasso, Henri Matisse, o expressionista abstracto norte-americano Jackson Pollock, o pioneiro da "pop art", Andy Warhol, o também expressionista Willem de Koonig e o abstraccionista radical holandês Piet Mondrian, que ocupa o décimo lugar.
Georges Braque, o outro mestre do cubismo, ao lado de Picasso, aparece em décimo quarto lugar, atrás, por exemplo, de Francis Bacon (12) e Robert Rauschenberg (13), mas muito à frente de Juan Gris (64).
Por seu lado, a mexicana Frida Kahlo figura na décima nona posição, antes de Paul Klee (21), Alberto Giacometti (25), Salvador Dalí (26) e o escultor Auguste Rodin (27).
A lista contém inesperadas escolhas, tal como a de um artista alemão provocador, iconoclasta e pouco conhecido do grande público - Martin Kippenberger - que ocupa a vigésima posição, quando Joan Miró figura na septuagésima quarta.
Também à frente de Miró, tal como de Marc Chagall (71) e de Modigliani (58), estão os britânicos Tracey Emin (a artista da cama suja e desfeita) e Damien Hirst, o dos tubarões em formol, nos 52.º e 53.º lugares, respectivamente.
O jornal lançou o desafio aos leitores há 16 semanas e recebeu, para a elaboração da lista, um milhão e 400 mil votos.
(Revista País Positivo)
11/06/2009
PIRATARIA - FAZER UM DOWNLOAD É ROUBAR ?
Pirataria
Fazer um download é roubar?
João Pedro Pereira
Um filme todas as semanas e uma série de televisão por mês - Tiago, 27 anos, gestor comercial, diz ser esta a média de conteúdos pirateados que descarrega da Internet. Houve uma altura em que fazia mais downloads. "Uns cinco filmes por semana." Agora, já não tem tempo para tanto.
Tiago não tem problemas em ser considerado um "pequeno pirata". Só compra filmes e séries nos casos raros em que o preço é convidativo ou quando os extras do DVD compensam o gasto. Na maior parte das vezes, a escolha cai no manancial de conteúdo gratuito disponível online. A Tiago as questões legais e morais não pesam na consciência: "Sinceramente, estou-me a borrifar para as leis."
Não falta quem defenda que a Internet devia ser um espaço de mais liberdade: nestas eleições europeias, o Partido Pirata, da Suécia, conquistou sete por cento dos votos naquele país e conseguiu um lugar no Parlamento Europeu. A agenda política do partido consiste apenas em tentar alterar as leis relativas aos direitos de autor, promover uma menor vigilância da Internet e abolir o sistema de patentes (a Suécia é também o país de origem dos criadores do Pirate Bay, o mais conhecido site do mundo para partilha de ficheiros online).
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EPITÁFIO PARA LUÍS DE CAMÕES
--Epitáfio para Luís de Camões
por José Saramago
Que sabemos de ti, se versos só deixaste, Que lembrança ficou no mundo que tiveste?Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos,Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
Estas quatro perguntas foram retiradas do livro "Os Poemas Possíveis", publicado em 1966. Até hoje, mais de quarenta anos passados, ainda não lhes encontrei resposta. Talvez nem a tenham. Escrevo isto em 10 de junho, aniversário da morte do autor de Os Lusiadas, livro fundamental da literatura portuguesa. Camões morreu pobre e esquecido, embora hoje os escritores em língua portuguesa vivam como uma honra única receber o Prémio que leva o seu nome.
10/06/2009
BE EXIGE SUSPENSÃO DO REGULAMENTO...
BE exige suspensão do regulamento de afixação de propaganda da autarquia do Porto
10.06.2009 - 17h20 Lusa
O Bloco de Esquerda exigiu hoje a "suspensão imediata" do regulamento da Câmara do Porto que proíbe a afixação de propaganda "em grande parte da cidade", depois de um parecer do provedor de Justiça ter considerado que "pelo menos uma norma [do regulamento é] inconstitucional".
"O parecer do provedor é de tal forma contundente e clarividente que não deixa margem para dúvidas de que a Câmara do Porto está em situação de ilegalidade", afirmou o dirigente nacional do Bloco de Esquerda (BE) e candidato à autarquia portuense, João Teixeira Lopes.
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HOMENAGEM A SALGUEIRO MAIA É "ENVERGONHADA"

10 de Junho
Homenagem de Cavaco a Salgueiro Maia é "envergonhada"
por Lusa Hoje
O investigador António Sousa Duarte criticou hoje o presidente da República por ter homenageado Salgueiro Maia, vinte anos depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão, considerando que a homenagem de hoje é "envergonhada, tímida e sem chama".
Para António Sousa Duarte - autor de uma biografia sobre aquele capitão de Abril, intitulada "Salgueiro Maia - Um homem da Liberdade" -, a homenagem de hoje de Cavaco Silva ao capitão de Abril é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro".
Em declarações à agência Lusa, António Sousa Duarte considera que, embora não se pedisse hoje ao Presidente da República que fizesse um "pedido de desculpa" em relação ao que fez há 20 anos - quando, enquanto primeiro-ministro, recusou a atribuição de uma pensão àquele capitão de Abril - ter-lhe-ia "bastado, com humildade, dizer que, em circunstâncias análogas, não faria o que fez há 20 anos".
Para o investigador, a homenagem de hoje do Presidente da República a Salgueiro Maia é a "assumpção" e o "reconhecimento" de "um erro".
O autor da biografia de Salgueiro Maia afirmou que "de homenagens póstumas está Salgueiro Maia farto".
Sousa Duarte disse também que a homenagem de hoje do Presidente da República foi "tenuamente anestesiada", o que "prova" que "continua tudo como dantes".
Em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão que tinha sido pedida pelo capitão de Abril pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país" devido à sua participação no 25 de Abril, para a qual nunca obteve resposta, segundo declarações da viúva de Salgueiro Maia.
Aliás, a opinião de António Sousa Duarte contrasta com a da viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia que, em declarações ao jornal Público relativizou a controvérsia da não atribuição de pensão ao marido.
Natércia Salgueiro afirmou ao jornal Público que não seria "altura para entrar em polémicas".
A recusa ou a falta de resposta ao pedido de Salgueiro Maia só vieram a público três anos depois quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política.
Só em 1995, já com António Guterres como primeiro-ministro, Salgueiro Maia viria a receber uma "pensão de sangue".
ALVITO E BERNARDO NUNES
---Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção-- Foto e texto de Bernardo Nunes - O interior é composto por três naves, a central mais larga e alta, de 5 tramos, divididas por arcos de volta perfeita sobre robustos pilares octogonais de cantaria de mármore, bases também octogonais, fustes apresentando a meia altura anéis de decoração de folhagens, troncos e fitas e capiéis idênticos. Os braços do transepto abrem para a nave por arcos quebrados e para as naves laterais por arcos redondos.
Capela-mor coberta por abóbada de berço redondo de caixotões pintados e alçados revestidos a azulejos enxaquetados, monocromáticos, azul e branco; retábulo-mor em talha dourada, de estilo nacional, de 3 eixos, com tribuna larga contendo trono; nos eixos laterais, divididos por colunas espiraladas, decoradas com acantos, que se prolongam no ático em arquivoltas, unidas no sentido do raio, pequenos nichos; a capela-mor comunica, do lado do Evangelho, com a antiga Casa do Despacho e, do lado da Epístola, com a sacristia.
Mais uma vez tenho o prazer de apresentar BERNARDO NUNES na sua nova galeria sobre Alvito se bem que o seu trabalho fotográfico se estenda por todo o País e Estrangeiro.
Na verdade este último álbum é enriquecido pelos textos que acompanham as fotos.
Diz BERNARDO NUNES na apresentação deste trabalho:
"Dedico este álbum às gentes do concelho de Alvito.
Os testemunhos mais antigos que se conhecem da presença humana no concelho remontam ao neolítico, existindo vários vestígios que nos asseguram a presença do Homem durante a idade do cobre, a idade do bronze e a idade do ferro. A ocupação intensa levada a cabo pelos romanos fez-se sentir logo no início do século I, subsistindo ainda vários testemunhos desta presença, de que são exemplos as villae de S. Romão, de S. Francisco e Malk Abraão. Também visigodos e muçulmanos ocuparam estas antigas villae, dando continuidade à ocupação romana. Conquistada em 1234, em 1251 a povoação é doada a D. Estêvão Anes, chanceler-mor do reino, por D. Afonso III e pelos Pestanas de Évora. A partir desta data procede-se ao seu repovoamento, passando Alvito a ser uma povoação com dimensões consideráveis para a época. (Informação da Câmara Municipal de Alvito)"
Dada a importância desta obra na divulgação da nossa terra convido os Alvitenses e todos os meus leitores a visitar a referida galeria e a deixar os seus comentários.
Foto de Bernardo Nunes
ACENTUA-SE A DECADÊNCIA DO PS...

Os mesmos à mesa
por Baptista-Bastos
Acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse 'socialismo' desacreditado e desacreditante
Os resultados estão muito aquém das nossas expectativas. São decepcionantes", disse Sócrates, rosto compacto e voz pesada. Já suspeitava de que o primeiro-ministro tem vivido num universo plano, no qual é inexistente a espessura das coisas e a evidência dos factos. A prova forneceu-a ele próprio, com a taciturna confissão. Que esperava da sua rude teimosia, da sua obtusa empáfia, ele, mais propenso às volúpias do mando do que às obediências da ideologia?
Sócrates perdeu para quem? A admitir, como júbilo, a selvagem alegria de Paulo Rangel, e como declaração de impostos a fúnebre catadura de Vital, Sócrates perdeu para toda a gente. Mas o PSD vence quem? O PS e o Governo? Se a verdade enriquece mais do que a reticência, o Bloco Central sai incólume deste imbróglio. O Bloco Central é uma instância de poder, desprovida de convicções, e, sobretudo, destinada a distribuir empregos. O PS não é "socialista" (creio que nunca o foi) e o PSD foge espavorido da "social-democracia".
É verdade que o Bloco subiu, o PCP aumentou o número de votantes, e o CDS sacudiu a letargia com a qual desejavam amortalhá-lo. Mas as coisas estão rigorosamente na mesma: elementares e antigas. A mesa está posta para os mesmos. E não é preciso restaurar a frase de Lampedusa; basta reler, por exemplo, o "Portugal Contemporâneo", do Oliveira Martins, para se entender quem manda e sempre aqui mandou.
Paulo Rangel saiu-se menos-mal de uma contenda de mediocridades. No PSD é olhado de viés. O baronato acha-o levemente patusco e um pouco ridículo. Pelejou sozinho, ou quase, contra desdéns e omissões. Ao contrário do que afirma o cada vez mais enfatuado e fatigante Pacheco Pereira, o candidato do PSD não seguiu a "estratégia" da dr.ª Manuela, pela simples razão de que essa "estratégia" não existe. A vitória nestas eleições cabe, por inteiro, a Paulo Rangel, o qual atribuiu a si próprio a defesa de um castelo cercado, cujos paladinos haviam debandado. Que fazer com esta vitória? Os senhores do PSD começaram, já, a assenhorear-se de uma glória que lhes não pertence; Rangel vai para Bruxelas mas, antes, será crestado em fogo brando; e, com maior ou menor fortuna, passada a increpação nervosa do momento, a dr.ª Manuela continuará alvo de conspirações e objecto de pequenas deslealdades. É o PSD, tal o caracterizou Sá Carneiro.
Em todo o caso, acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse "socialismo" desacreditado e desacreditante. Mas poderá José Sócrates inverter a tendência para o abismo? Fará pequenos remendos como um remorso sobressaltado. Apenas isso. Nada de substancial que sacuda a leve rotina das coisas.
O BLOCO PARTIDO E O PARTIDO BLOCO

Um ponto é tudo
O Bloco partido e o Partido bloco
por Ferreira Fernandes
A ultrapassagem do PCP pelo Bloco de Esquerda baralha as contas nacionais. A contradição que há nos nomes dos dois partidos explica a importância do novo dado. O PCP - "o Partido", como se diz dentro de casa - é um bloco. O BE - "o Bloco", como dizem os seus - está, de essência, partido. O Bloco é partido e o Partido é um bloco. Um é inamovível: confirme-se com o Avante (4/6/2009) que se insurge por a RTP lembrar Tiananmen. Dele, do PCP, pode falar-se de uma rocha - e isso está longe de ser um elogio político. Já o BE tem dias. Há nele revolucionários (vindos do PSR e da UDP) que deram o salto para o "Estado burguês" sem nunca o verbalizarem - o que torna frágil e provisória qualquer mudança. Desses, a ver vai-se. Mas há também assumidos sociais-democratas de esquerda e, para eles, sopram os ares do tempo: o PS vai ver neles o que o PSD vê no CDS. Muleta que merece oferendas. Não vai ser namoro público, mas seguir 24 horas por dia Miguel Portas, era capaz de dar boas manchetes políticas. O Partido, que é um bloco, contenta-se com os seus nichos de mercado (fornecerá Mários Nogueiras para professores, juízes, polícias…) E o Bloco, que está partido, une-se quando cheirar a Governo?
NUNCA SE DEVE DAR PODER A UM TIPO PORREIRO

Público, quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro
O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país
No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor.
Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim, tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.
E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados. O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...
Toda esta gentinha é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gentinha não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.
Jornalista : Helena Matos do Público
05/06/2009
03/06/2009
PROJECTO ALVITO

Inauguração de Exposição
Projecto Alvito - 6 de Junho 16h00-22h00
O Atelier de Lisboa convida para a inauguração da exposição Projecto Alvito com trabalhos de alunos do Curso de Projecto que terá lugar no dia 6 de Junho às 16h00 nos Ateliers do Matadouro (antigo Matadouro Municipal), Rua da Tapadinha D. António, nº2, Alvito.
Curadoria: Ana Janeiro e Bruno Pelletier Sequeira
Trabalhos: Catarina Loura, Cláudia Neta, José Júpiter, Luís Meirinhos-Soares, Maria Rita Pais, Marta Castelo, Ricardo Spencer, Rita Cipriano Alves
Organização: Câmara Municipal de Alvito, Estudos Gerais de Alvito e Atelier de Lisboa
7 de Junho a 5 de Julho, Quinta a Domingo das 14h-21h
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