24/07/2009

ALVITO - EXPOSIÇÂO DE PINTURA - O EXPANDIR DA COR DE FLORIVAL CANDEIAS "VALITO"





Exposição de Pintura

O Expandir da Cor , de Florival Candeias

O Centro Cultural de Alvito recebe a partir do dia 31 de Julho e até 30 de Agosto a exposição de pintura -O Expandir da Cor, de Florival Candeias.

A obra de Florival Candeias que reflecte, especialmente, a sua vivência pessoal, tem um grande pendor abstracto: solicita os aspectos estruturais/formais simplificados, com os seus valores cromáticos e força expressiva, sem ter, no entanto, quaisquer tipos de ambição no tocante à reprodução de modelos e de formas naturais. Portanto, a representação do seu mundo não lhe exige nenhum compromisso com a aparência real das coisas, ele é totalmente livre quando expressa a sua individualidade criativa: “como um Picasso”

Florival Candeias, natural de Alvito, mais conhecido por “Valito”, ingressou na CerciBeja aos 10 anos onde muito cedo manifestou o seu interesse pela Pintura. Tem participado em muitos concursos Nacionais e Internacionais que lhe deram visibilidade, dos quais se destacam, como exemplo os prémios: 9º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1991); 4º Prémio Nacional da Arte para Deficientes Mentais (1994); Concurso Competitivo de Arte “Riscos e Rabiscos” (1996); 7º Concurso Nacional de Arte para Deficientes Mentais (1997) ; 8º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1998) e no Concurso Europeu para Pessoas com deficiência EUWARD, Munique (Alemanha 2004), onde alcançou o 3º prémio.
Uma exposição a visitar durante todo o mês de Agosto, no Centro Cultural de Alvito
Horário
3ª a 6ª feira- 9.30h-12.30h/ 15.00h-19.00h
Sábados e Domingos- 10.00h-12.30h/ 15.00h-19.00h


23/07/2009

SEMANA GASTRONÓMICA DO GASPACHO E DA TOMATADA





A Turismo do Alentejo, ERT promove mais uma edição da Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada, entre 25 e 31 de Julho.

Com a chegada do Verão e o calor a apertar os pratos frescos são uma constante nas mesas de todos os alentejanos. Gaspacho, tomatada, saladas de tomate, peixe frito com arroz de tomate e pimentos, vinagrada, são algumas das iguarias que também os restaurantes servem nesta época estival.
Se é apreciador deste tipo de alimentação mediterrânica visite os restaurantes aderentes à Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada , em todo o Alentejo, entre os dias 25 e 31 de Julho.

Quem participar nesta semana Gastronómica e deixar uma frase sobre ela fica habilitado a um fim-de-semana no Alentejo. As duas melhores frases sobre a Semana Gastronómica ganham um fim de semana para duas pessoas nos concelhos de Avis e de Almodôvar, com estadias oferecidas pelo herdade Cortesia Hotel (www.herdadecortesia.com), em Avis; e pela Casa de Campo Quinta do Cerro do Seixo (www.quintacerrodoseixo.com) em Almodôvar.

No concelho de Alvito os restaurantes aderentes são:

Pousada do Castelo de Alvito
Castelo de Alvito
Telef. 284 480 700

Pratos apresentados: Tomatada frita sobre crosta de pão e toucinho fumado; gaspacho à alentejana em cama de bacalhau fumado; Migas de tomate com cação frito

O Casão
Rua Joaquim Henrique da Silva, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 284 475 443
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com carapaus fritos

O Fernando
Rua dos Lobos, 7- Alvito
Telef. 284 485 236
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com ovos

Bica Nova
Rua Pinto de Melo, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 932 207 023
Pratos apresentados: Gaspacho com peixe frito; Tomatada com carapaus fritos

Para mais informações consulte
Turismo do Alentejo, ERT
www.noalentejohamais.com
E-mail- geral@turismodoalentejo-ert.pt


16/07/2009

Jardim quer proibir o comunismo




















O PSD/Madeira quer a extinção do representante da República e propõe a criação da figura do presidente da região como poder de veto

É uma autêntica revolução a proposta de lei de revisão constitucional do PSD/Madeira, documento autónomo que será defendido por Alberto João Jardim na sessão do Parlamento Regional do próximo dia 22, e que o líder regional espera que venha a ter a concordância e apoio de Manuela Ferreira Leite. A presidente do PSD estará presente na festa do Chão da Lagoa, marcada para 27.

O PSD/M exige que a referência a regiões autónomas no texto constitucional se faça em maiúsculas, que a expressão Estado Unitário seja substituída por Estrutura do Estado. Os sociais-democratas madeirenses pretendem que haja um esclarecimento de que, em matéria de regimes políticos, "a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional em vigor, como igualmente de esquerda, caso do comunismo", refere o documento a que o DN teve acesso.

Na exposição de motivos, o PSD advoga que "chegou a hora de se fazer uma reavaliação global" do funcionamento do sistema político-constitucional em relação às Regiões Autónomas e, em particular, à Madeira. Daí defender-se uma "radical mutação nas disposições constitucionais de concretização dos poderes regionais".

De acordo com o documento a que o DN teve acesso, o PSD/M propõe a extinção do "vigilante oficial", representante da República; a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas regionais; a existência de partidos regionais; a possibilidade de as assembleias legislativas regionais, deputados e grupos parlamentares, bem como grupos de cidadãos eleitores, e o próprio presidente da Região Autónoma - nova figura proposta pelo PSD - poderem convocar referendos regionais sobre matérias de interesse regional que devam ser decididas pelos órgãos do Estado ou das Regiões Autónomas. Tudo isto "sem interferência de órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania".

Na constituição actualmente em vigor, só o Presidente da República pode convocar referendos nas ilhas.

O texto apresenta mais de 30 alterações, entre elas a reconfiguração dos órgãos de Governo Regional, surgindo, deste modo, o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional com poderes de promulgação e veto dos diplomas regionais, entre outras. O PSD pretende, ainda, o reforço da superioridade dos estatutos político-administrativos, "verdadeiras constituições regionais em relação aos demais actos legislativos ordinários, do Estado ou das Regiões Autónomas", refere.

Lília Bernardes - Diário de Notícias de 16/07/2009











Madeira

PCP desvaloriza extinção do comunismo na revisão constitucional

por Lusa

O coordenador regional do PCP na Madeira desvalorizou hoje a proposta de extinção do comunismo no projecto de revisão constitucional do PSD/M, considerando ser igual à apresentada em 2003/2004 e que terá o mesmo destino, o "caixote do lixo".


Em declarações à agência Lusa, Edgar Silva salientou que "só quem tem memória curta é que dá crédito" a esta iniciativa, salientando ser "igual no processo, linguagem e nas propostas" ao apresentado em 2003/2004.

O dirigente comunista comentava a proposta de revisão constitucional do PSD/M que será discutida segunda-feira, no parlamento madeirense, numa sessão que contará com a presença do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, numa das suas raras presenças no plenário.

Este projecto defende, entre os pontos considerados principais, o aprofundamento dos poderes legislativos, a criação de partidos regionais e a extinção do cargo de Representante da República.

Entre os pontos considerados "secundários", sugere "o esclarecimento de que a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de Direita - como é o caso do Fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional - como igualmente de Esquerda - como vem a ser o caso do Comunismo, não previsto no texto constitucional"

Edgar Silva realçou que "em 2004, a proposta de revisão constitucional de Alberto João Jardim já apontava para estes aspectos e nem mereceu crédito por parte do PSD na Assembleia da República, incluindo os deputados eleitos pela Madeira, e teve como destino o caixote do lixo".

"Se nem o grupo parlamentar do seu partido na Assembleia da República dá crédito às propostas vindas do PSD da Madeira e de Alberto João Jardim, este projecto terá o mesmo destino, a descredibilização, o caixote do lixo da História", disse.

Deu como exemplo a proposta de extinção do cargo de Ministro da República, considerada pelo PSD/M nessa altura como "inegociável para avaliar o sucesso da proposta de revisão e um quisto que era necessário remover: só que o Representante da República está aí".

O coordenador do PCP-M considerou que este tipo de situações e de "indicações bombásticas" acontecem sempre antes a festa anual do PSD/M, no Chão da Lagoa, que decorre a 26 de Julho e conta com a presença da líder nacional do partido, Manuela Ferreira Leite, para "levantar poeira".

Destacou que aquando da discussão da proposta de revisão constitucional do PSD/M em 2003, "o PCP foi o único partido que se recusou a participar no debate na Assembleia da Madeira", sendo que na próxima semana outras forças partidárias já anunciaram que vão adoptar a mesma atitude, designadamente PS, BE e PND.

11/07/2009

Manuela à Pimenta







Opinião de Paulo Ferreira





Há uns anos, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, estabeleceu uma máxima ainda hoje várias vezes recordada. Disse ele: "No futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira". Ninguém ficou verdadeiramente espantado com o conteúdo da frase, mas ela teve o mérito de resumir em poucas palavras o ambiente da modalidade. Em boa verdade, não é só no futebol que as verdades de hoje passam a dúvidas no dia seguinte e a mentiras volvidas mais 24 horas. Seria fastidioso citar exemplos demonstrativos de como também na política, ou mesmo no mundo dos mais delicados e chorudos negócios, isso acontece.

Esta volatilidade do uso da verdade tem uma consequência: a descredibilização. Manuela Ferreira Leite ficou a conhecer esta semana o sabor deste veneno. Recordemos os factos: no dia 25 de Junho, a líder do PSD jurou que, caso chegue ao Governo, rasgará e romperá (duras palavras!) "todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de políticas económicas e sociais" pelo actual Executivo. Pode ou não gostar-se do conteúdo, mas é uma vigorosa afirmação de princípio que nos mostra um pouquinho do trilho que o PSD pretende seguir caso vença as eleições legislativas.

Pois bem. Uma semana passada, Ferreira Leite veio dar razão à máxima de Pimenta Machado. Anteontem, a líder do PSD negou ter alguma vez dito "que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida (do actual Governo) a que o PSD se tenha oposto ou criticado sequer". A coisa já seria grave por si mesma, mas é especialmente grave por a dr.ª Ferreira Leite ter, num ápice e sem jeito, deitado por terra a "política de verdade" que nos anda a vender. De hoje em diante, quando a líder social-democrata disser uma coisa, convém esperarmos entre 24 a 48 horas para ver se não diz outra diferente. Regresso ao que penso e já aqui disse: Manuela Ferreira Leite é tenrinha na política.

Mais. De quem, como ela, considera que está (quase) tudo mal no Portugal comandado pelo Governo socialista, é estranho ouvir dizer que, em concreto, "rasgar, ninguém vai rasgar nada". O que o PSD pretende é "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações".

Tradução: a líder do PSD entende que é possível fazer as reformas estruturais de que o país necessita sem se incomodar com as classes profissionais que terão que arrostar com as mudanças. É como querer estar de bem, ao mesmo tempo, com Deus e com o diabo. Já vários tentaram. Saíram-se todos mal. Pode ser que Manuela tenha dotes que o país ainda não descortinou. Pode ser.


Olhem bem para os olhos dela

Opinião de Baptista Bastos



Esvoaça, embora discreto e módico, o perfume do poder e já o alvoroço se instalou nos militantes do PSD. Nos fóruns das rádios e das televisões, nos debates, nos artigos, nas preposições do Pacheco Pereira os sentimentos dominantes medeiam entre a glória do mando e o revanchismo. A euforia nunca foi boa conselheira. O próprio significado da palavra suscita precauções. Mas é preciso conhecer o significado da palavra.

O PSD, como se sabe, é constituído por uma série de ilhas, num oceano de atritos. O recente golpe de karaté aplicado pela dr.ª Manuela ao pobre Passos Coelho é paradigmático. O homem não foi, somente, afastado; foi vexado sem clemência. A senhora não abole distâncias: cria-as. Funcionando por exclusões, interdita, primeiro, qualquer veleidade de ascensão daqueles que a ela se opuseram; depois, cultiva o tribalismo, que desencoraja a mínima hipótese de dissenção. Naturalmente, esta prática despreza a ética.

O que se prepara, no caso (pouco provável) de José Sócrates perder as eleições é a aplicação de uma teia reticular de interesses particulares sobre o edifício do Estado. O PSD não dispõe de nenhuma estratégia de Governo. As soluções que vagamente expõe são as tradicionais da Direita. Qualquer preocupação de justiça é eliminada; as privatizações multiplicar-se-ão; a Saúde pertencerá às seguradoras com intervenção mínima do Estado, que será reduzido em todos os sectores da sociedade; aumento de impostos, mais repressão no mundo do trabalho. Nada de novo.

A dr.ª Manuela não alimenta o segredo das paixões. Nada promete que nos alivie do rude peso que, sabe-se lá como?!, tem sobrevivido a todas as penúrias impostas. Porque não haverá alterações de fundo, nem sequer remendos mal cerzidos, às avarias sociais de que temos sido vítimas. A responsabilidade do que nos acontece também terá de ser assacada ao PSD. Não há inocentes neste drama. O PS talvez tenha um comportamento menos brutal; porém, nunca concebeu ou estimulou uma consciência ética e estética que se prolongasse para além de si mesmo. Não é de estranhar que a dr.ª Manuela ameace rasgar um número ainda desconhecido, mas certamente vultoso, de decisões tomadas pelo Executivo Sócrates, caso seja "distinguida com o Governo" [sic].

Se há, manifestamente, uma tendência nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas sondagens para se inflectir no PSD, isso deve-se mais ao desencanto que o PS provocou do que a méritos da dr.ª Manuela. A senhora é, rigorosamente, o que aparenta. E nada de bom se adivinha nessa aparência: algo de anacrónico, de deformado, incapaz de esboçar os contornos de uma sociedade mais justa.

Olhem bem para os olhos dela. Está lá tudo o que assusta.


O MEU RELATÓRIO

Opinião de João Marcelino


1 Se, como diz Maria de Belém, presidente da comissão de inquérito ao Banco de Portugal, cada português tem a possibilidade de fazer o seu relatório (e, acrescento eu, até de poder votar em Setembro próximo de acordo com esse relatório), já agora faço o meu, resumido.

Começo: Vítor Constâncio é um homem sério, foi transparente nas suas respostas, mas também por elas se percebeu que a supervisão bancária falhou rotundamente, como se viu no BCP, com Jardim Gonçalves e seus compinchas, e sobretudo nos escandalosos processos do BPN e BPP. Mesmo dentro do actual quadro de supervisão, que precisa de ser mudado, o governador podia ter sido forte, frontal, interventivo e decisor onde foi fraco, compreensivo, confiante e tolerante. É óbvio que ninguém é infalível, mas Constâncio falhou pessoalmente. Bastava que o relator tivesse sido outro qualquer elemento da comissão para as conclusões terem sido diferentes. Todos percebemos isso, como também percebemos que a oposição não queria conclusões, queria mesmo, e só, a cabeça do governador. Lamento as duas posições, embora admita que o lugar do simpático regulador pudesse efectivamente ter sido posto em causa por uma menos simpática relatora. Houve matéria para tal. Espero, por isso, que as comissões parlamentares repitam futuramente a intranquilidade desta mas que lhes juntem no final o rigor, a objectividade, o bom senso. Desta vez tal não aconteceu. Houve espectáculo apenas, no final funcionou a maioria, e percebemos todos que o jogo tinha um resultado definido à partida pelas regras enunciadas com sinceridade por Alberto Martins, líder parlamentar do PS, há cerca de três meses: "Nós temos a maioria absoluta e temos a responsabilidade de decidir tudo o que a Assembleia da República decide", disse ele. E, pelos vistos, relatava a verdade.

2 A sondagem na Universidade Católica confirmou o que julgávamos saber: a Esquerda tem uma folgada maioria sociológica em Lisboa, mas Santana Lopes tem muitas possibilidades de regressar à presidência da câmara. Se isso acontecer, a culpa não será de António Costa, que tem sido um presidente empenhado e competente, além de que tudo tentou para encontrar uma plataforma abrangente de apoio à sua candidatura. A culpa será, então, de Francisco Louçã, de Jerónimo de Sousa e, até, de Helena Roseta/Manuel Alegre. Se isso acontecer, repito, toda a esquerda será responsável e terá criado um quadro onde haverá menos legitimidade para a crítica ao eventual governo de Santana.

Pode suceder na capital o que também é previsível para o País: como a esquerda à esquerda do PS só serve para protestar, provavelmente caberá ao centro-direita governar.

O Bloco de Esquerda é um partido tolerante com as drogas, com os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, com o aborto. Hoje, numa evolução notável que as novas gerações ignoram, até são já pela democracia representativa e admitem mesmo que Portugal faça parte da União Europeia. Mas um sindicalista (perdão: o seu sindicalista) a jantar com o ex-ministro Manuel Pinho?! Aí, alto, que há desvio! Fracturar, sim, mas devagar. E, além do mais, nunca se esqueça o camarada António Chora que o BE só admite actos taurinos em Salvaterra, onde governa a sua única câmara no País.


04/07/2009

ONDE MORA A VERDADE ?




Opinião de Emídio Rangel

A única coisa que Manuela Ferreira Leite prometeu aos portugueses é que ia realizar sempre uma política de verdade, sobretudo ia sempre falar a verdade aos seus concidadãos. Não durou muito tempo a única promessa da líder do PSD após a vitória nas eleições europeias. Questionada sobre os negócios ruinosos que fez para o País quando ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, sem nenhum pudor, negou o seu papel activo na venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom, por 365 milhões de euros.


Mesmo depois de terem sido distribuídos aos jornalistas documentos escritos – actas do Conselho de Ministros de 2002 – assinados por Manuela Ferreira Leite com preâmbulos classificando a operação de venda "uma medida muito boa de gestão financeira do Estado", mesmo depois de tudo isso, a líder do PSD, embrulhada nesta teia para enganar os portugueses, continuou a afirmar que aquilo não era uma decisão sua. Hoje só Manuela F. Leite acredita nessa farsa. Objectivamente, o que fez Ferreira Leite? Mentiu, mentiu repetidamente, e não teve sequer a dignidade de vir pedir desculpa aos portugueses por actos que deitam por terra a máscara de "rigor" e de "verdade" que afivelou para as eleições de Setembro. Quem mente desta maneira quase ou nunca fala verdade.

Os portugueses que vão votar para escolher quem deve governar Portugal têm que ir vendo, ouvindo, avaliando quem oferece mais garantias para conduzir os destinos do País. Esqueçamos as mentiras de Ferreira Leite. Avaliemos a questão da governação por outro prisma. A líder do PSD, até hoje, não foi capaz de dizer uma só palavra sobre as soluções que tem para o País, de apresentar propostas alternativas às do Governo actual em nenhuma área. Limita-se a dizer que vai mudar tudo. Acaba com o TGV, acaba com o novo aeroporto, acaba com todas as decisões tomadas na área da Educação, acaba com as soluções da ministra da Saúde, acaba com os investimentos nas áreas tecnológicas, enfim... acaba com tudo. Mas o que é mais grave é que Manuela Ferreira Leite, nesta versão ‘caterpillar’, acaba com tudo mas não diz o que vai fazer depois de acabar com tudo.

Como é que o povo português pode entregar o seu voto a uma dirigente que ou não sabe o que vai fazer, ou esconde dos portugueses a política que vai adoptar? Não há memória de, em democracia, aparecer alguém a querer ser primeiro-ministro com um programa de trabalho contido num só ponto: destruir, destruir, destruir. E depois como vai ser?

Emídio Rangel, Jornalista


ACOSSADO






Sócrates já não é um "animal selvagem". É um animal acossado. No Parlamento, caem-lhe em cima Paulo Rangel, Diogo Feio, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares. Cá fora, atira sobre ele Manuela Ferreira Leite, com pontaria afinada. O presidente da República dá-lhe o golpe de misericórdia.

Por fim, os media fazem-no perder a face. Desmentem o que disse ao país. Sócrates soçobra. Dá o dito por não dito. Intervém onde antes afirmara não intervir. Mostra, já não a humildade recente, mas uma surpreendente fraqueza. Recua e ao recuar dá razão aos que lhe moviam processos de intenções.

Sócrates já não é Sócrates. Sócrates, o hábil é, agora, Sócrates o desajeitado. O país informado afasta--se dele. Os arguidos do Freeport cercam-no, tiram-lhe o ar. Sócrates vê fugir-lhe a maioria absoluta, ao mesmo tempo que encara a possibilidade de uma minoria, forçada a negociar. Sócrates perdeu-se e perdeu o país. Veremos o que resta dele em Setembro próximo…

Manuel Ferreira Leite tem um quase terno e respeitável ar de avó. Olhamos para ela e lamentamos as intrigas palacianas, os adjectivos menos simpáticos, as maratonas pelo país, a interpelação dos media a que se sujeita, quando podia estar tranquila a fruir os netos. Já teve mais do que 15 minutos de fama, já foi poder, tem uma reforma doirada. Para quê este regresso como anjo salvador do PSD? Porquê este risco de vir a ser primeiro-ministro?

Mas Manuela Ferreira Leite parece feliz. Decidiu sozinha e ganhou. Davam-lhe a liderança a prazo e tiveram de prorrogar o dito. Agora, no PSD manda ela. A cadeira de S. Bento acena-lhe. Sócrates ouve o que ela diz. De adversário irrelevante passou a inimigo terrível. Manuela Ferreira Leite sorri e adia, com prazer, o momento de contar histórias para adormecer os netos. Porém, Manuela Ferreira Leite não é inocente. Ainda não venceu as legislativas mas já avisa que, se ganhar, mudará tudo o que fez o Governo. Se ao volante, virará à direita. Pegará no machado de guerra para aniquilar, de vez, o Estado social. Afinal, Manuela Ferreira Leite não é doce, apesar do ar de avozinha. Mais, é perigosa. Com ela, as desigualdades vão acentuar-se. Inevitavelmente. Sócrates anima-se. Percebeu que precisa de uma líder do PSD forte. Só o discurso claro e afirmativo de Manuela Ferreira Leite pode fazer dele um homem de esquerda. Há meses, ninguém veria as coisas deste modo. Mas hoje, tudo mudou. A afirmação de Manuela Ferreira Leite à direita, é a sua última esperança. Em verdade, o único factor que pode salvá-lo da morte. Por isso, se for inteligente, o animal acossado estimulará o caçador.



O ESTADO DA NAÇÃO



Opinião de João Marcelino


1-O verdadeiro estado da Nação, e peço desculpa ao elevado debate que por aí decorre entre o PS e o PSD, para mim é este: quatro anos depois, uma maioria absoluta está desfeita e o País tanto pode continuar entregue a José Sócrates como voltar às mãos das pessoas que estiveram esta semana, alinhadas e juntas, na apresentação da candidatura de Santana Lopes a Lisboa: Manuela F. Leite, Paulo Portas, Aguiar Branco (ministro da Justiça com Santana), etc., etc.

Ou seja: bastou pouco mais de ano e meio (porque Sócrates beneficiou de dois anos de "estado de graça" como nenhum outro primeiro-ministro em Portugal) para o País, deprimido, voltar a estar perante uma escolha muito semelhante. Tão semelhante que só teólogos iluminados, como José Lello ou Pacheco Pereira, entre outros, conseguem ver diferenças significativas onde a maioria dos cidadãos, com desilusão, apenas vê mais do mesmo e duas experiências falhadas.

Ainda assim, a responsabilidade de Sócrates na delapidação do património herdado é maior. Ele chegou ao poder porque foi visto como uma esperança para muita coisa, a começar pela restauração do sentido de Estado perante o fracasso da aventura Santana, que se seguiu à deserção de Barroso.

Sócrates melhorou mesmo essa imagem positiva com a opção por reformas corajosas. No auge do afrontamento a muitos dos poderes socioprofissionais ele ainda tinha níveis de popularidade absolutamente surpreendentes.

O pior veio com o autoritarismo que lhe está na personalidade, nas polémicas pessoais em que também se consumiu uma parte da superioridade moral que apresentava à partida e nesta profunda crise financeira e económica que varreu com um sopro toda a autoconfiança em que assentavam os complexos de superioridade da actividade governativa.

Hoje, olhando as sondagens, vemos que PS e PSD estão empatados. Ambos os partidos podem ganhar o governo no final de Setembro. Os portugueses, quatro anos depois, estão perante as mesmas opções, quase as mesmas pessoas. E deve, entretanto, ter acontecido "qualquer coisa" ao Governo do PS para que os nomes da elite do PSD e do centro-direita, tão criticados no passado, sejam hoje de facto uma possibilidade para o futuro.

Este é o verdadeiro estado da Nação. Mas também é um debate que ninguém quer.


2-Outra sondagem, esta realizada pela Universidade Católica sobre a intenção de voto nas eleições para a Câmara Municipal do Porto, não deixa dúvidas: Rui Rio, se não houver qualquer calamidade, irá ganhar a confiança dos eleitores da sua cidade pela terceira vez consecutiva. À boa maneira do futebol, vai fazer o "tri". E começo precisamente por esse ponto: Rui Rio é o homem a quem se deve a demonstração de que o futebol é um tigre de papel. Não mete medo aos eleitores.

Hoje sabe-se bem que as pessoas, no Porto como em qualquer ponto do País, distinguem entre os interesses do seu clube e da sua cidade. São capazes de estimar um presidente que constrói um projecto desportivo de sucesso e ao mesmo tempo de escolher para a sua cidade um homem independente e orientado por valores superiores.

E nem sempre foi assim.

Na cidade do Porto, num passado recente, com Fernando Gomes e Nuno Cardoso, a promiscuidade era evidente. E até havia quem acreditasse que Pinto da Costa tinha a capacidade de eleger e depor presidentes de câmara como quem convida um árbitro a ir tomar um copo a casa. Não é assim - e essa demonstração é um mérito que se deve a Rui Rio.

A segunda reflexão que cabe fazer é esta: o PS deu cabo de uma boa candidata, Elisa Ferreira, com a dupla candidatura ao Parlamento Europeu e à câmara municipal. Em Sintra, também Ana Gomes não deve escapar a um processo semelhante. Subestimar a inteligência dos eleitores para detectarem o oportunismo não é de todo uma boa estratégia. Ainda bem.

Manuel Pinho perdeu por um segundo a compostura, cometeu um erro inacreditável e pagou por ele. Melhor: vai pagar por ele durante muitos anos da sua vida. É por isso que não me junto ao coro de hipocrisia daqueles que tanto gostam de assinalar homens de plástico como atiram pedras aos homens que são autênticos até nas suas fraquezas.


02/07/2009

AFINAL, QUE QUER O PS ?



Opinião de Baptista Bastos

Não é de estranhar que uma sondagem recente atribua "empate técnico" ao PS e ao PSD, nas legislativas. A prática governamental, nestes últimos anos, é um empreendimento de confronto com sectores sociais decisivos, e uma construção de poder (direi pessoal) que repousa em imprevisíveis decisões individuais. O modelo não se rege por princípios; obedece a reflexos. Chamado de "reformas", foi elogiado pelas faixas mais retrógradas da nossa sociedade. E a sociedade está em fanicos.

Notoriamente, o orgulho de Sócrates foi amolgado com a derrota nas "europeias". Até hoje engole em seco, mas continua a combinar os mesmos elementos modulares que têm feito a sua perdição. Parece que não consegue definir o corpo social português e delimitar as fronteiras entre as classes. Sabe-se que nada tem a ver com "socialismo" como instância histórica, ideológica e ética. Também se sabe que conseguiu domesticar aqueles dos seus camaradas que, tenuemente embora, ainda agitavam as bandeiras de uma específica identidade política. A derrocada de 7 de Junho alarga-se em vergonhosas cumplicidades. Nenhum "socialista" se rebelou. Talvez porque já não haja socialistas. Talvez porque o socialismo nunca existiu. Talvez. Uma única certeza: José Sócrates nunca foi socialista.

Ele próprio dá vivo testemunho dessa evidência. Há dias resolveu convidar um grupo de pessoas para o ajudar a reflectir sobre o País, e procurar as soluções adequadas. Os vigorosos pensadores não eram gente de Esquerda, ou afins. Nada disso. T'arrenego, Satanás! Alguns pertenciam àquele agrupamento de estilistas conhecido pelo Compromisso Portugal. A notícia correu fértil. Logo a seguir, o dr. Carrapatoso, corrigindo o que semelhava ser a natureza dos signos, veio afobadamente dizer que nada tinha a ver com os desígnios da amena reunião. Uma selecta jantarada, de duvidosa eficácia.

Cada vez mais desarvorado com os sucessivos dislates, José Sócrates decidiu, agora, consultar os "magos" que ajudaram Barack Obama a conquistar o poder. Uma mistura de marquetingue e de Alvin Tofler. E, embora um técnico português de publicidade, altamente qualificado, tenha dito que não há nenhum génio que consiga, hoje, vender fruta bichada, Sócrates não abdicou de escutar os americanos. Atingimos a era do desequilíbrio e da alucinação. O Estado é entendido como uma empresa, não como a configuração de um corpo político, social e administrativo.

Afinal, que deseja de nós o secretário-geral do PS? Ambiciona os votos de quem? Enquanto esta espessa mediocridade sem alma e sem valores campeia infrene, que nos espera? Manuela Ferreira Leite? Dá que pensar.




29/06/2009

LUAR DE PRATA






Luar de prata

No poente calmo e doirado
Da planície longa que se avista,
O pastor dolente guarda o gado
Esperando a noite, sua visita.

Coaxam rãs pelas ribeiras,
Ouvem-se grilos em serenata,
Da choça o pastor se abeira
Por companhia um luar de prata.

Dormem os fiéis cães cansados,
De um cansativo dia de labor,
O rebanho descansa alimentado,
E pastor sonha desejos de amor.

Quando o luar desaparecer
O sol iluminar de novo a Terra,
O pastor acorda para viver
A vida que o dia a dia encerra.


Olinda Bonito - 04/09

27/06/2009

O CASO DA TVI

Por João Marcelino


1
No Parlamento, a oposição desconfiou. José Sócrates deixou que as suas palavras fossem contaminadas pela aversão que lhe merece o jornal de sexta-feira da TVI. Manuela Ferreira Leite aproveitou para fazer política e lançar a suspeita. Cavaco Silva por uma vez não foi prudente. E o primeiro-ministro, no fim, para que não restassem dúvidas quanto à sua posição e a do Governo, acabou com o negócio PT-Prisa que alguém quis sabotar com uma milimétrica fuga de informação.

Mais uma vez, a política partidária desceu aos negócios das empresas que o Estado tutela. Especulou. Mentiu. Manipulou. E, no fim, ditou as suas leis sobre um negócio que merecia ser avaliado por si mesmo - e já não vai ser.

2
Comecemos pelo principio: não acredito que José Sócrates não soubesse da eventualidade do negócio. Este governo, como qualquer governo, tem espalhados demasiados "homens de confiança". Eles andam por aí, pelas empresas do Estado, e quando não cumprem a sua obrigação acontece-lhes o mesmo que a Pina Moura: são "executados". No mínimo acabam transferidos.

Mas, ao mesmo tempo, acredito no que disse Zeinal Bava a Judite de Sousa: nunca levou o assunto formalmente à comissão executiva; logo nunca levou o assunto ao seu conselho de administração (onde estão os accionistas); logo não podia o Governo ser informado oficialmente dos contactos que estavam a decorrer entre a PT e a Prisa com vista à aquisição de 30% do capital da TVI. Sabia(m) mas não sabia(m), porque a formalidade nestes casos conta.
A suspeita principal, no entanto, também não é esta.

3
A suspeita principal, e que reflecte o Portugal que temos, é ainda mais elaborada e inquietante: o Governo quereria, através desta intervenção da PT (minoritária, de 30%), afastar da TVI o director-geral, José Eduardo Moniz. Foi nisto que Manuela Ferreira Leite investiu, de forma politicamente hábil, com a cumplicidade de Cavaco Silva.

Não sei se alguém no Governo sonhou com este cenário. Infelizmente, também considero isso possível. Estúpido, infantil, mas possível.

O que não considero possível é que uma empresa como a PT pudesse aceitar gastar 150 milhões de euros com o fim de despedir um trabalhador qualificado que pelas suas qualidades seria sempre uma peça importante para o retorno do investimento. A vida já me azedou bastante mas não ao ponto de acreditar neste cenário que inflamou Manuela Ferreira Leite e até Cavaco Silva. E se acreditasse quereria já mudar de país.

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Dito isto acrescento que compreendo se a administração da Prisa não estiver agora tão solidária com o seu director-geral quanto estava há uma semana. É preciso não esquecer que José Eduardo Moniz explicou solenemente ao País que se as eleições do Benfica não tivessem sido antecipadas por Luís Filipe Vieira ele deixaria a TVI para disputar as eleições do clube do seu coração.

Em condições normais, numa empresa normal, num país normal, toda a gente entenderia que a administração da TVI tivesse resolvido dizer a Moniz que deixara de ter condições para trabalhar na empresa. O contrário é que, sinceramente, me parece esquisito. E, no entanto, foi isso que aconteceu. Moniz continua no seu posto. E se a Prisa o mantém seria a PT, minoritária, que daqui a seis/sete meses o iria despedir? Peço desculpa, mas o meu desencanto com a vida pública nacional ainda não chega para tanto.

Quando vejo o PS e o PSD a defenderem a independência da linha editorial de um qualquer órgão de informação, obviamente desconfio. Se há partidos que têm as mãos sujas na comunicação social portuguesa são precisamente esses dois. Os exemplos da falta de vergonha de ambos não caberiam no espaço desta crónica...



23/06/2009

1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour




A parceria i9tur convida-o(a) a participar no 1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour, que se realiza nos dias 25 a 28 de Junho, no Alentejo, mais concretamente tendo Ferreira do Alentejo como base mas estendendo o seu programa de actividades aos municípios de Alvito, Cuba, Vidigueira e Alcácer do Sal, naquele que será também um Tour pela inovação social em Portugal.



Esta acção da parceria do projecto i9tur, suportada integralmente na metodologia de eventos 4All*, tem como objectivo principal a amplificação de sinergias inter-organizacionais que visem a promoção de um espírito mais empreendedor, de uma atitude mais responsável e de territórios mais coesos e inclusivos por via do desenvolvimento da actividade turística.



O 1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour dirige-se particularmente a pessoal técnico e decisores, de entidades públicas ou privadas, da governação local, da educação ou do empreendedorismo que assumam o turismo como elemento estratégico da sua acção, aqui desafiados a participar activamente num evento, com carácter de multi-actividade (indoor e outdoor), onde se debaterá os caminhos de turismo sustentável, partilhará boas práticas, contactará com soluções inovadoras em matéria de empreendedorismo, perspectivará certamente novas parcerias e projectos…



Destacam-se, por exemplo, no dia 26 de manhã, o primeiro (de três) Tour-debate sobre a dimensão ambiental do turismo, e que decorrerá a bordo de uma embarcação e a caminho do estuário do Sado, as Oficinas Interactivas, nos dias 26 e 27, “Soluções para uma Cultura mais Empreendedora” (da educação ao estimulo e suporte à criação de empresas) ou, no dia 27, a Sessão “Estratégias para o turismo sustentável”. E, claro, o excelente acolhimento regional e um programa de actividades lúdico-pedagógicas muito interessante...



Saiba mais em http://i9tur.adtr.pt/i9tur_summercamp.html ou peça informações através de 4all.summercamp@adtr.pt.



* Para saber mais sobre o projecto i9tur e a metodologia de eventos 4all vá a http://i9tur.adtr.pt/ .




ALVITO - VERÃO EM MOVIMENTO




Alvito

Verão em Movimento 2009

À semelhança do ano passado, a Câmara Municipal de Alvito vai desenvolver um conjunto de actividades com o objectivo de ocupar e animar os mais jovens durante as férias de Verão. Paralelamente, são desenvolvidas algumas actividades - Step e Hidroginástica, para a população em geral, mas que também têm como cenário as Piscinas Municipais.

As actividades integradas no Verão em Movimento, tiveram início no dia 21 de Junho, com umas Mini-Férias na Praia, em que os jovens acompanhados por monitores, irão estar até dia 25 de Junho no Almograve.
Durante os meses de Julho e de Agosto, de 3ª a 6ª feira haverá Aulas de Natação, para vários escalões etários, entre as 10h e as 12h30m.
Também durante os meses de Julho e de Agosto, mas às 2ªs feiras , as manhãs serão dedicadas à Canoagem, na Barragem de Odivelas.

Haverá ainda umas Mini-Férias na Barragem de Odivelas ( Campismo ) : de 31 de Agosto a 3 de Setembro.

As aulas de Hidroginástica e Step irão decorrer, nos meses de Julho e de Agosto, de 3ª a 6ª feira, nas Piscinas Municipais, das 19h às 20h.



Crise trava «resorts de pulseira» no Alentejo?








Como, porquê e com que intenções, deixaram morrer (mataram?) as “Festas do Povo (Festas dos Artistas) de Campo Maior. Mas será que elas estão mesmo mortas? Ou, depois deste longo hiato, um ano destes… os pandeiros e as “saias” vão puxar para a dança os dedos que sabem “torcer papel”, fazer nascer uma flor ou “enramar” uma rua?



Não há pachorra para este Alentejo morno (morto?) que nos querem vender, repleto de cenários de “resorts” que (excepto os seus promotores, obviamente) ninguém quer, na beira de uma água litoral ou interior, seja na Costa Alentejana ou nas margens de um Guadiana e Degebe que estenderam braços e fôlegos até se fazerem Bacia de Alqueva.







A crise está aí. Há hotéis no Algarve que não renovam contratos a prazo ou esquecem os prazos dos salários. E o Senhor Ministro da Economia e o Senhor Secretário de Estado do Turismo fazem de conta que não dão por nada, inebriados por auto intitulados “Projectos de Interesse Nacional”(???) que mais não são que modo de vender lotes de terreno, vivendas e outros produtos afins do sector da “imobiliária turística”, ramo subsidiário da construção civil, que nada tem a ver com a Indústria do Turismo.



É legítimo o anseio de qualquer um à sua segunda, terceira, quarta, etc. habitaçãozinha. Mas, por favor, não chamem a isso Turismo - a expressão “turismo residencial”, de tão inapropriada, desajustada e desadequada ao que se pretende encobrir com ela, chega a ser obscena!



Nós não merecemos isto. O futuro do país, as suas novas gerações, não merece(m) isto!


Excerto de um editorial da Revista Café Portugal
que pode ler na íntegra aqui



(Rui Dias José)

Sentido das Letras





Blogs fazem pessoas escreverem pior, diz Saramago

O Nobel português, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu no seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet "está a escrever-se mais, embora pior".

"A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena preocupar-se com a qualidade do que se escreve", disse Saramago num entrevista ontem publicada pelo jornal argentino "Clarín".

"Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance", completou o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro num encontro com bloggers aberto a internautas de todo o mundo no próximo dia 25 em Lisboa.

Quanto ao seu blog, o escritor disse que não destina ao espaço "nenhuma ideia em particular", para depois expressar que "os sismógrafos não escolhem os terramotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".

"Aqueles que me lêem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado", reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.

O autor de "O Evangelho segundo Jesus Cristo" também sustentou que não teve de lidar com a situação de criar textos que tivesse medo de publicar, e avaliou que "se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve".

(MSN-NOTÍCIAS)

21/06/2009

DECISÕES ESPECIAIS







Um grupo de economistas acaba de vir a público propor "uma reavaliação profunda dos megaprojectos públicos no sector dos transportes, das suas prioridades e calendários". O conjunto de renomados economistas não é contra - ou sendo-o não o diz abertamente - aqueles projectos. Mas duvida da oportunidade, quer uma reavaliação.

Numa época de eleições, não pode evitar-se notar que a maioria destes economistas pertence maioritariamente a um mesmo partido ou com ele colabora. Será injusto notar que grande parte é do PSD, alguns ex-ministros, ao mesmo tempo que também há entre aqueles economistas gente que já lidou com o PS ou independentes que se reconhecem na área social-democrata, esteja ela representada pelo PS ou pelo PSD? Também não pode deixar de se notar que entre os signatários há alguns responsáveis pelo marasmo da nossa economia, pela forma como nunca fomos capazes de igualar o crescimento europeu, gente que tendo tido o poder não logrou conduzir o país a resultados melhores do que os conhecemos há largos anos. Nem por isso, porém, o alerta destes economistas deve ser posto de lado. Gente de elevada craveira académica propõe que se estude mais, se analise melhor, se perceba bem se este é o momento para avançar.

Para o eleitorado que vai ser chamado a escolher um novo Governo dentro de meses, este apelo é difícil. Ele contraria o que o Governo tem como certo, ainda que, por exemplo no caso do TGV, o Governo tenha feito com que os prazos de uma decisão caibam ao próximo Governo, precisamente ao que vier a ser escolhido em próximo acto eleitoral. Contrariando o Governo, este apelo cola melhor com o que tem dito alguma oposição, nomeadamente a oposição protagonizada por Manuela Ferreira Leite que, honra lhe seja feita, foi a primeira a dizer que "não há dinheiro para nada".

É por isso que este apelo deverá ter um destinatário certo: o presidente da República, cuja isenção não se contesta. Um estudo patrocinado pela Presidência da República poderia e deveria mostrar aos portugueses a nossa real situação. O presidente deveria promover um grande debate nacional com gente do Governo e de todas as oposições, ser ele mesmo o árbitro desse confronto de ideias, cujo principal objectivo seria o dar a conhecer aos portugueses, antes da eleição do próximo Parlamento, a verdadeira situação do país e a oportunidade de algumas opções. Se vivemos uma crise única, deveríamos ter comportamentos especiais. E um debate desses, difícil de pôr de pé, é certo, seria um momento exemplar em que o país se poria a pensar. Depois, votaria. Acresce que o próprio Cavaco Silva corre o risco, até pelo seu estilo de intervenção, de ser injustamente integrado no rol dos que fazem política partidária. O tom enigmático dos seus discursos, que necessita das interpretações que sobre eles fazem o prof. Marcelo, nas suas missas dominicais, e outros políticos que são parte interessada na própria interpretação das palavras do presidente, esse tom não é adequado ao momento presente. É preciso gente que fale claro e fale verdade. Duas pessoas podem ter, ambas de boa fé, duas opiniões. Distintas. Mas a crise não permite erros e o cidadão eleitor precisa de ser esclarecido. Ninguém melhor do que o presidente da República para mediar essa grande sessão de esclarecimento que este grupo de economistas aconselha e o país certamente necessita.



ENTRE A CERTEZA E A CONTINGÊNCIA

Entre a certeza e a contingência
por Baptista-Bastos




Há anos, num semanário que por aí se publica, José Sócrates declarou, crudelíssimo e terrível: "Sou um animal feroz." A frase não permitia a mais exígua nesga de bondade. O homem queria apresentar-se à puridade com o estofo de um lutador indomável e o estilo de quem não hesita no uso do ditirambo. Foi gozado. Os gozadores esqueciam-se, ou ignoravam, que o exercício da política obedece a círculos concêntricos. Cedo, enfiaram a viola no saco. Com idêntica plenitude incensaram-no de rosa e levaram-no em ombros.

A Imprensa precisa sempre de vítimas e de carrascos, de santos com defeito e de heróis evasivos. Uns e outros fazem as primeiras páginas e alvoroçam os leitores. A vida dos jornalistas é uma triste configuração do Sísifo mitológico. A vida dos leitores é uma melancolia privada. Ambos rejubilam com um escândalo, por modesto que seja, ou com uma frase que passeie, desgarrada, por aqui ou por ali. Durante vinte e quatro horas, o bulício anima-os.

Sócrates beneficiou da reservada simpatia de profissionais da Comunicação que viam nele um Jacob a amarinhar pelas escadas, a caminho de um novo céu socialista. Falava desenvolto; enfrentava, empertigado, opositores, adversários e recalcitrantes; vestia caro, bom e bem; parecia não ter medo da força que apregoava. Varreu do léxico palavras e expressões presumivelmente associadas à ideia de compromisso. E também varreu a voz da rua, a angústia da rua, o drama da rua. Foi muito elogiado pelos grandes patrões, homens calculados, infalíveis e devotos.

O Governo dele tem sido este filme barato e negro, desprovido da tirania das emoções, frio, inclemente e rude. Sacudido pela derrota nas "europeias", fechou a cara e, sem impaciência nem tolerância, logo garantiu não "mudar de rumo." Eis o "animal feroz", cuja indiferença pelos outros é mais do que pejorativa. E aqueles que o julgam caído por terra, comentadores de prosa com mau hálito, abjurantes de nascença, já preparados para a viragem - que se acautelem. Para sobreviver às legislativas ele irá cerzir, aqui e ali, os rasgões provocados nesse tecido absurdo e espúrio, a que chamou "socialismo moderno" e, ligeiro e feliz, dirá "alguma coisa de Esquerda", também ela feliz e ligeira.

Deixem correr o tempo. O tempo é mais importante do que aquilo que com ele fazemos. Temos de reconhecer este facto para admitirmos que um homem cercado, como ele foi e tem sido, não cede com facilidade. Demais, Sócrates está inebriado de poder, e os que desse poder beneficiam não estão dispostos a dispensá-lo. Les jeux sont faits. Sócrates é, para eles, uma certeza; os eventuais outros, uma dúvida e uma contingência.



UM "INSULTO" QUE É UMA LIÇÃO PARA A VIDA

Um 'insulto' que é uma lição para a vida
por Ferreira Fernandes


A África do Sul está a organizar a Taça das Confederações com equipas de todos os continentes. Pelo que já se viu, as oito selecções não darão grandes lições de futebol. Mas os jornalistas presentes, vindos de todo o mundo, tiveram direito a um curso intensivo sobre jornalismo. Ou, melhor, receberam esta lição básica para qualquer homem que queira entender o que o rodeia: não saber, é mau; mas não saber e julgar saber é muito pior.

Tudo começou no jogo de abertura, África do Sul-Iraque. As atenções centravam-se na equipa da casa, que vai ser hospedeira do próximo Campeonato Mundial, já para o ano. Não foi bonito de se ver, a África do Sul não é no futebol o que é na produção de ouro ou no râguebi - uma potência mundial. Sem estrelas e sem fio de jogo, foi uma desilusão.

Como não havia táctica de losango digna de estudo nem médio ala que encantasse, começou a perfurar pelos jornalistas fora aquilo que dorme no interior de todos eles: o sociólogo. O que os jornalistas viram e ouviram, no relvado e nas bancadas, levou-os a uma conclusão dolorosa.

Entre os bafana bafana, os futebolistas da selecção sul-africana, entre aquela maré negra, destacava-se o defesa central Matthew Booth. Além do seu 1,98m (o mais alto da equipa) e da sua cabeça brilhante de rapada, era o único branco da equipa. Os olhos dos jornalistas notaram também que, nas bancadas, a supremacia dos negros sobre os brancos ultrapassava a relação de oito para um, que existe no país. Na África do Sul, o râguebi é a paixão dos brancos e o futebol, a dos negros.

Ora a esses dados visuais juntava-se um som: buuuuuuuuuuuu! De cada vez que os jornalistas viam o defesa central branco tocar na bola, viam também os espectadores alarmarem-se e deles vinha aquele som intenso que em todos os estádios é considerado insulto, vitupério, xingadela. O claro desaforo de que o pobre atleta branco era alvo por parte da multidão negra era sublinhado pelo uso barulhento dos vuvuzela, as trompetas feitas de corno dos veados kudus.

Booth estava a ser sujeito à mesma receita racista, com troca das cores, que certos estádios espanhóis reservam a Eto'o, o avançado camaronês. No dia seguinte ao jogo, os jornalistas europeus assinalaram o intolerável gesto. Anteontem, a questão foi posta ao próprio: deve custar-lhe muito ouvir aquele "buuuuuuu!" da multidão... Mas, para espanto de todos, Matthew Boot deu um gargalhada: "Mas que insulto?!" E explicou: buuuuuu! é o grito que prolonga o seu nome, Booth. Não é insulto, é incentivo. Ele, que foi capitão da selecção de esperanças e dos sub-21, é o mais popular e querido jogador dos bafana bafana.

E a esta confusão negra e branca os jornalistas acrescentaram um sorriso amarelo.


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