
01/11/2009
19/10/2009
ALVITO - FEIRA DOS SANTOS


HISTÓRIA
A Feira de Alvito ou dos Santos, designação por que é mais conhecida e lhe cabe pela data da sua realização – 1, 2 e 3 de Novembro – (não nos esquecemos que dia 01 de Novembro é reservado no calendário da Igreja para a celebração de todos os Santos), remonta ao século XVI. Foi o povo e a Câmara que em carta enviada ao rei em 1579 solicitaram a realização do certame, tendo em vista, por um lado escoar a produção local, com destaque para os produtos agrícolas e hortícola, designadamente estes que alcançavam uma expressão muito significativa ao nível da economia do concelho, por outro assegurar o abastecimento da terra.
Mandou o monarca que a feira tivesse lugar em dia de Santiago, data que não mereceu o acordo dos moradores, que entenderam como mais conveniente o dia 1 de Novembro, no que conveio o Cardeal D. Henrique que então reinava.
A feira, de realização anual, contribuía de uma forma muito significativa para a prosperidade da vila e das suas gentes. Tornou-se rapidamente um pólo de atracção comercial, nomeadamente ao nível dos concelhos limítrofes, onde afluíam mercadores, tendeiros e outros vendedores, bem como compradores, de várias regiões do país, sendo mesmo de destacar a presença de espanhóis que aproveitavam a ocasião para comprar e vender diversas mercadorias.
Para o êxito da feira contribuiu definitivamente a data da sua realização, coincidente com o final e o início do ano agrícola. Tornou-se rapidamente um espaço privilegiado de venda de frutos secos – castanhas, nozes, figos e amêndoas de legumes como o feijão, de cereais e ainda de muitos e variados produtos artesanais, não faltando também neste domínio a presença dos produtos locais. Refira-se que já no século XVI a feira era um espaço de animação: não faltavam as tendas de vinho, jogos e as mulheres de má vida, assunto que mereceu particular atenção da Câmara.
Anterior a esta feira, foi a de Santa Maria, criada por D. Dinis em 1295 e de cuja realização já não havia notícia em 1579 quando se instituiu a actual. Certamente não terá resistido à crise do século XIV.
Já no século XIX e tendo em conta mais uma vez o abastecimento e desenvolvimento da vila, a Câmara instituía, em 1899 uma outra feira, que ficou conhecida como Feira Nova e se realizava entre 20 e 21 de Agosto. Também ela foi de curta duração, pois em 1914, segundo informação do Administrador do Concelho da altura, já só se realizava a Feira dos Santos. Em 1949 a Câmara ensaiou a criação de nova feira. Tinha lugar a 4 e 5 de Julho e uma vez mais repetiu-se o insucesso da de 1899. Para ficar estava sem dúvida a Feira dos Santos, cuja tradição persiste passados que são mais de quatro séculos sobre a sua criação.
Enquanto outros certames de raiz e características vincadamente populares tendem a desaparecer, a Feira de Alvito, de ano para ano cresce e torna-se um forte pólo de atracção regional. Hoje a feira reflecte as mudanças da economia e dos tempos modernos.
A animação e outro comércio que não o tradicional, ganham cada vez maior espaço, assim como as actividades lúdicas e culturais promovidas pela autarquia, sempre preocupada em bem receber os filhos da terra que regressam nesta altura, e os muitos forasteiros que visitam a vila.
Mas não se perdeu de todo o velho hábito de vir à Feira de Alvito comprar as nozes, as amêndoas, as castanhas ou os figos secos, aconchego das longas e frias noites que se fazem adivinhar.
Em cada ano que passa Alvito alinda-se para a feira. As ruas ficam mais cuidadas e o casario mais branco. No ar pairam cheiros de pitéus que sempre se preparam para receber familiares e amigos; vestem-se fatos domingueiros, as ruas enchem-se de carros e gentes num bulício pouco usual e alegremente perturbador da pacatez da vila. A Praça e o Rossio são um mar de gente.
A feira é festa e Alvito, por um dia, toma-se a capital do Alentejo.
FEIO, Jorge; in Jornal da Feira, 2002


09/10/2009
FERNANDO PEIXOTO - HOMENAGEM

No próximo dia 31 de Outubro, pelas 21.30h, no Auditório Municipal de Gaia, a Associação das Colectividades de Gaia vai homenagear FERNANDO PEIXOTO, o Poeta, o Historiador e Investigador, o Escritor, Encenador, Cidadão exemplar, Pai extremoso e "tantas searas mais de sabedoria que nos deixou"(como muito bem diz Brancamar ), evocando todo o seu percurso de vida.
Será um espectáculo com música, teatro e poesia com textos de sua autoria.
Para reservar o seu convite, envie urgentemente um email para helena_peixoto@sapo.pt, com o número de convites que pretende reservar.

A CAMINHO DE SIÃO
Embarcastes na nau de uma promessa
Que navega ondulante sobre a vida
Na viagem dos anos, que começa
No momento preciso da partida,
Quando um sonho ansioso se atravessa
Em direcção à Terra Prometida.
Como nautas partis nesta aventura
Carregados de sonhos e ternura.
Tormentas e procelas surgirão,
Alguns ventos virão para anular
Os caminhos que a vossa decisão
Vos ditou como rumo p’ra alcançar,
Onde se ergue a montanha de Sião
Na qual, por fim, haveis de repousar.
E podeis crer que nem a Tempestade
Tem mais poder que a força da Vontade.
Quando assim se navega, na certeza
Que há um porto de abrigo à nossa espera,
O leme é mais seguro e há mais firmeza
Na nau que sulca as águas da quimera:
Extingue-se o Inverno, ante a beleza
Com que, súbito, irrompe a Primavera.
E finalmente o Sol se sentará
No trono fulgurante da Manhã!
E se o mar vos parece mais bravio
Dobrai o vosso Cabo da Esperança:
Que o mar pouco mais é que um largo rio
Onde sobram correntes de bonança.
O mar da vida é sempre um desafio
Que tem de se enfrentar como uma herança
E que a todos atinge por igual.
No Amor ... não há pecado original!
FERNANDO PEIXOTO
In ARCA DE TERNURA
01/10/2009
ESCUTÁ-LO NÃO VALE A PENA

Escutá-lo não vale a pena
por Ferreira Fernandes
Foi uma declaração que evoca desertos por atacado, porque um só não chegaria. A uns foi buscar as ideias e a outros, a tanta areia que nos atirou aos olhos. Sobre a primeira questão: fazer uma declaração quer dizer falar, e falar quer dizer fazer-se entender. A declaração de Cavaco Silva, de ontem, é nada. É filha desse linguajar de assessores e que é, no essencial, um insulto aos cidadãos, a quem os políticos devem, e raros cumprem, uma língua tersa, clara. Sobre a segunda questão: se ele não disse nada, sugeriu muito. Cavaco Silva manipula quando não refere as peças fundamentais e iniciadoras deste assunto: as duas manchetes do Público, a 18 e 19 de Agosto, que lançaram as suspeitas da Presidência sobre o Governo. A lacuna não é ingénua, porque essas manchetes demonstram quem teve a iniciativa do escândalo. E o que dizer sobre o "fiquei a saber" - ontem acontecido a Cavaco, nas palavras do próprio - que os computadores de Belém são vulneráveis? O mais piedoso que há para dizer é que ele quis mesmo empurrar-nos para as suas suspeitas - manipular-nos, pois. Porque a outra hipótese, ele desconhecer, até ontem, que todos os computadores (de Belém à Casa Branca) são vulneráveis, essa hipótese é insultuosa para o Presidente de Portugal.
30/09/2009
CIGANOS

Ciganos
Lá vêm os saltimbancos, às dezenas
Levantando a poeira das estradas.
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.
Vêm num rancho faminto e libertino,
Almas estranhas, seres erradios,
Que tem na vida um único destino,
O Destino das aves e dos rios.
Ir mundo a mundo é o único programa,
A disciplina única do bando;
O cigano não crê, erra, não ama,
Se sofre, a sua dor chora cantando.
Nunca pararam desde que nasceram.
São da Espanha, da Pérsia ou da Tartária?
Eles mesmos não sabem; esqueceram
A sua antiga pátria originária...
Quando passam, aldeias, vilarinhos
Maldizem suas almas indefesas,
E a alegria que espalham nos caminhos
É talvez um excesso de tristezas...
Quando acampam de noite, é no relento,
Que vão sonhar seu Sonho aventureiro;
Seu teto é o vácuo azul do Firmamento,
Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro.
Às vezes, em vigílias ambulantes,
A noite em fora, entre canções dalmatas,
Vão seguindo ao luar, vão delirantes,
Alados no langor das serenatas.
Gemem guzlas e vibram castanholas,
E este rumor de errantes cavatinas
Lembra coisas das terras espanholas,
Nas saudades das terras levantinas.
E, então, seus vultos tredos envolvidos
Em vestes rotas, sórdidas, imundas.
Vão passando por ermos esquecidos,
Como um grupo de sombras vagabundas.
Lá vem os saltimbancos, às dezenas,
Levantando a poeira das estradas,
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.
Povo sem Fé, sem Deus e sem Bandeira!
Todos o temem como horrível gente,
Mas ele na existência aventureira,
Ri-se do medo alheio, indiferente.
E, livres como o Vento e a Luz volante,
Sob a aparência de Infelicidade,
Realizam, na sua vida errante,
O poema da eterna Liberdade.
Raul de Leoni
29/09/2009
23/09/2009
DO ESQUERDISMO ACTUAL

Do esquerdismo actual
por Baptista-Bastos Hoje
Vai por aí um alarido cavernoso sobre a eventualidade de o Bloco de Esquerda poder ser o fiel da balança nas eleições de 27. É o regresso do PREC! É a ressurreição do ideário soviético! As nacionalizações vão voltar! Há uma mistura de pânico, de ignorância e de desonestidade intelectual nestes assustadores avisos. Mais provável seria o PS deglutir o Bloco do que se verificar algo de semelhante ao que afirma ou sugere a gritaria. Há trinta anos, Willy Brandt ilustrou a tese: "Os grandes esquerdistas de hoje serão os bons sociais-democratas de amanhã. "A História deu-lhe razão. Em Portugal, então, as transferências de campo chegam aos níveis do abjecto.
Por que sobe o Bloco? O estilo do discurso, mordaz, irónico, estatístico, liso e curto seduz os jovens urbanos e uma faixa da população que vê, sobretudo em Louçã, a renovação constante das suas indignações. Adicione-se o cansaço do rotativismo actual, a troca de cadeiras entre o PS e o PSD, e a imposição de uma democracia de opinião, notoriamente pendente para um lado, medíocre e ignara, e talvez encontremos aí as causas da coisa.
O Bloco está em idêntica situação à do PCP: se muda, associando-se aos poderes públicos, desfigura; se não muda, estiola e deixará de pertencer à sociedade participativa. O cansaço é uma possibilidade tão real como o desinteresse (e até o nojo) que suscitam os partidos da "alternância." Embora o PCP possua uma longa história de resistência, que lhe tem permitido sobreviver a todos os naufrágios e a todos os cercos.
Seja como for, as eleições de 27 terão, de certeza, um impacte muito forte na estrutura habitual do sistema. Substituo a palavra "sistema" por esquema, a fim de esclarecer melhor a natureza do êxito do Bloco, cuja capacidade discursiva lhe deu créditos fundados no afrontamento e na erosão do establishment. Na ausência de ideologia, a unidade da sua sobrevivência e do seu êxito talvez resida na improvável mistura de estalinismo, com maoísmo e trotsquismo. Essa identidade flexível, essa simbiose dos contrários é matéria de estudo. De qualquer das formas, não passa de um epifenómeno, emerso do desespero das pessoas, da desesperança social e do descontentamento de um povo que foi empurrado para o mundo sem saída do PS ou do PSD.
Há outras possibilidades, exemplifica o Bloco, contra aqueles que defendem o argumento clássico da "alternância." A própria existência do agrupamento chamou o PCP a novos deveres e a outras responsabilidades. E a possibilidade de qualquer deles chegar ao poder começa a deixar de ser uma hipótese metafórica.
A verdade é que a situação actual não pode manter-se. E os sinais indicam que são insuficientes, por ineficazes, os procedimentos e as decisões até agora tomados pelos partidos. A ver vamos.
18/09/2009
17/09/2009
UM EMBARAÇOSO MAL ESTAR

Um embaraçoso mal estar por Baptista Bastos aos 16 de Setembro de 2009 no Diário de Notícias
Averiguadamente, a dr.ª Manuela Ferreira Leite não é portadora de uma compleição de estadista. As monumentais inconveniências que comete, as normas que defende, através de conceitos vazios de sentido tornam-na, amiudadas vezes, numa figura comovente mas não habilitada a representar Portugal. Ouvir a chefe do PSD chega a ser penoso. Não gosto de o escrever; porém, a obstinada tentação da senhora para o disparate, converteu-se num embaraçoso mal-estar.
Claro que a série de dislates provoca uma selvagem e mal contida ironia entre os seus adversários, sobretudo aqueles que se acoitam no PSD, e a desmerecem com anedotas, efeitos verbais pela sua idade, comentários ao seu catolicismo liso, formal e ressentido.
A doutora averba, periodicamente, despautérios maldosamente comentados não só por aqui como pelas embaixadas. "Já sabes a última da Manuela?" Não sabiam; ficam a saber, com acrescentos adaptados às circunstâncias. Desde o fechamento da democracia por seis meses, à admissão de que as grandes obras estatais apenas servem para dar emprego a ucranianos e a cabo-verdianos, passando pelas afirmações de contrariedade quanto às uniões de facto, sem esquecer as declarações na Madeira, até esta de se desdizer sobre o TGV, e de conclamar: "Não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa!" - a asneira é galopante.
A dr.ª Manuela não só ressuscita velhos fantasmas como pretende fazer de nós tolos. A imprensa de Espanha, graças a um verbo sarcástico, que oscila entre a metáfora e a facécia, refere-se-lhe com velado desprezo. A dr.ª Manuela não mede as consequências dos seus actos e ignora a natureza melindrosa de certas frases. Ainda por cima, é incapaz de explicar como é que iria resolver o berbicacho criado com a suspensão de uma obra que tem o aval, o interesse e o dinheiro de Bruxelas. Anteontem, na RTP-N, o jornalista Daniel Deusdado esclareceu, em quatro frases, o que é o TGV, e, sobretudo, o que está em jogo. A dimensão e a necessidade do projecto superam, de longe, a mediocridade das declarações da chefe do PSD. Com natural tranquilidade, as explicações de Daniel Deusdado levam-nos a concluir que a dr.ª Manuela Ferreira Leite não sabe do que fala, quando fala no TGV. E em muitas outras coisas, acrescento eu.
O Cavaleiro de Oliveira, no século XVIII, escreveu que "é preciso que os acasos da fortuna se não convertam em razões definitivas". Advertia que legalizar, previamente, um pensamento que não existe, ou existe atabalhoado, "derrotara a pátria e martirizara as suas gentes". Neste pesado assunto, onde tantos incómodos e destrambelhos se acumulam, os malabarismos da mentira política e da ignorância arrogante não podem sobrepor-se à mecânica das evidências.
Esta senhora não serve para nos governar.
15/09/2009
08/09/2009
A GRANDE FARSA

A grande farsa
por Baptista-Bastos 02 Setembro 20096
Que podemos fazer por nós próprios, tendo em conta que os propósitos políticos em causa pouco ou nada projectam em nosso favor? Devíamos, talvez, aplicar a sabedoria dos nossos erros para recriminar aqueles que nos conduziram à situação em que nos encontramos. Todas estas figuras chegam ao proscénio, tingidas por fora de impolutos predicados, e dizem-nos querer salvar a pátria através, claro!, do nosso voto. Sorriem, mas estão cheios de raiva e de ressentimento. Têm vindo a insultar-se com a baixa linguagem dos eguariços, e desembainham a larga espada da justiça e da solidariedade, como se estivessem a cumprir um destino. A farsa das generalizações atingiu a mais atroz das banalidades e a mais inquietante das incertezas.
Será Sócrates um mentiroso, desde os tacões dos sapatos ao corte de cabelo, e a dr.ª Manuela a imaculada guardiã de todas as verdades conhecidas? Vamos eleger caracteres. Vamos escolher entre uma pretendida compulsão para a mentira e a imagem sacrossanta da virtude como religião. Ignoramos o conteúdo dos programas e conhecemos, dos candidatos, as suas figurações e aquilo que a comunicação social quer revelar.
"O programa, venha o programa!", exigiam, coléricos, os socialistas, à chefe do PSD. Esta, com o sorriso evasivo que se lhe conhece e aquele olhar que assusta o mais destemido dos mortais, prolongava a agonia da expectativa. Até que lá fez a vontade aos importunos pedinchões, e leu um quadradinho de papel, no qual se dizia o que se planeava. Nada de novo: privatizações a eito, limitação de direitos, benesses a quem dá emprego aos outros. A dr.ª Manuela e seus asseclas parecem desejar que o Estado seja minguado até ao esqueleto, e que Portugal comece a ser governado por "gestores". A sua tese da interrupção da democracia por seis meses não é boutade, deslize momentâneo, graça pesada. É a expressão de um pensamento, afinal consubstanciado na proposta "minimalista" que fez ao País.
Enquanto a dr.ª Manuela manifesta um estremecido desprezo pela arraia-miúda, o eng.º Sócrates continua a declinação gélida das "reformas", insistindo nessa rábula do "socialismo moderno", monstruosa aldrabice que desacreditou uma ideia generosa e redentora, e a colocou no centro de todas as injúrias e de todos os chistes.
Estamos, pois, numa encruzilhada. Até que o preconceito, a ignorância e a informação omitida e dirigida permitirem uma unívoca concentração de poder, as alternativas são-nos apresentadas como as únicas construções institucionais. "Mudar tudo!", exclama, inclemente, a dr.ª Manuela. "Não mudar de rumo!", conclama o eng.º Sócrates. Um susto! Não há regeneração possível. Nenhum deles interessa; os outros constituem, presentemente pelo menos, uma impossibilidade.
BAPTISTA BASTOS - OPINIÃO - DIÁRIO DE NOTÍCIAS
04/09/2009
ALVITO - JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO

No âmbito das Jornadas Europeias do Património e do Dia Mundial do Turismo, o Município de Alvito em parceria com a SPIRA-Revitalização Patrimonial, Lda., promove várias iniciativas que apelam à participação do público, através da sensibilização para a importância da salvaguarda e valorização do património.
Tal como nos anos anteriores, o programa do Município de Alvito adoptará o tema proposto pelo Igespar: "VI(r)VER o PATRIMÓNIO", sugerindo as seguintes actividades:
Às 15h30, "O Património é Fixe" . Venha "curtir" o Património pelo olhar e voz das crianças do Concelho.
Seis jovens cicerones serão os guias de uma visita pelo património concelhio, que incluirá espaços muitas vezes não acessíveis aos visitantes, tanto em Alvito como em Vila Nova da Baronia. Porque "é de pequenino que se torce o pepino", é fundamental estimular desde cedo a aproximação física e emocional com o património.
À noite, a partir das 20h00, a luz da lua convidará a conhecer a Rota do Fresco. O património será mostrado ao luar, já pela voz e olhar de um Historiador de Arte.
Para concluir em beleza este périplo e também "VI(r)Ver o PATRIMÓNIO" da música tradicional e da gastronomia local, haverá Cante Alentejano por um grupo de Alvito, "acompanhado" por ceia regional, num espaço que junta petiscos, vinho novo e vozes quentes.
No dia 26 de Setembro, venha a Alvito.
Há sempre bons motivos para visitar o concelho e se deixar ficar.
Inscrições no Posto de Turismo, até dia 24 de Setembro
Rua dos Lobos, 13
Tel.: 284 480808
turismo@cm-alvito.pt
Alvito um Concelho à sua espera ....
03/09/2009
RECORDANDO RAUL DE CARVALHO

Alvito, Baixo Alentejo
1920/09/04 - 1984/09/03
Poeta português, natural de Alvito.
Foi colaborador das revistas Távola Redonda e Árvore e Cadernos de Poesia, que, na década de 50, conglomeravam de forma irregular, mas activa, poetas de várias sensibilidades.
A obra deste poeta, onde se encontram evocações da sua infância alentejana, revela a sua ligação ao neo-realismo. A fidelidade ao humano e o estilo enumerativo e anafórico são marcas da sua poesia.
Os seus títulos englobam As Sombras e as Vozes (1949), Poesia, (1955), Mesa de Solidão (1955), Parágrafos (1956), Versos - Poesia II (1958), A Aliança (1958), Talvez Infância (1968), Realidade Branca (1968), Tautologias (1968), Poemas Inactuais (1971), Duplo Olhar (1978), Um e o Mesmo Livro (1984) e Obras de Raul de Carvalho — I — Obra Publicada em Livro (editada postumamente em 1993).
Recebeu, em 1956, o Prémio Simón Bolívar, do concurso internacional de poesia realizado em Siena, Itália.
( http://www.astormentas.com/multimedia.aspx?t=autor&id=Raul+de+Carvalho)

ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO-Lendo este seu trabalho, em Alvito, em 22 de Abril de 2006, no Centro Cultural, durante o I Encontro de Blogs, aí realizado e onde homenageámos os Poetas Alvitenses.
RAUL DE CARVALHO : alguma obra
Por António Rebordão Navarro
Três vectores essenciais se evidenciam na poesia de Raul de Carvalho: a solidão, o amor, a terra.
Já no seu primeiro livro, As Sombras e as Vozes, de 1949, num poema intitulado “Terra Mãe”, mais tarde reeditado numa antologia (1), se nos deparam estes versos:
Rua das Manhãs
Rua da Alegria
Quem te pôs o nome,
rua, não sabia
quanta solidão
nessa rua havia…
Ora, esta breve sextilha, com um leve sabor a Manuel Bandeira, tornar-se-á singularmente programática de uma das mais preponderantes linhas de força da importante e, apesar de tudo, discreta obra que nos legou, quase sempre editada a expensas suas e em reduzidas tiragens. Obra em que, durante trinta e cinco anos, Raul de Carvalho edificou um universo poético, um canto cheio de luz e sombra, de frescura e ardência, onde as paisagens reais e imaginárias se confundem e interpenetram, os lugares não se habitam, são criados e vivos, os espaços se compõem de carne e sonho e, em cada verso, em cada ritmo, em cada poema, a solidão persiste.
Mas, se As Sombras e as Vozes poderia ser, ao tempo da sua publicação, uma estreia feliz, ou, pelo menos, auspiciosa, no jargão crítico da época, será posteriormente à sua passagem pela revista Árvore, de que foi um dos directores e que constituiu um relevante marco na moderna poesia portuguesa, que a lírica de Raul de Carvalho mais como voz sem sombra se define, num livro simplesmente intitulado Poesia (1955).
Segundo Fernando Guimarães, que dedica parte substancial de um capítulo do seu livro Simbolismo, Modernismo e Vanguardas precisamente à ‘Revista Árvore e a definição de uma nova concepção de Poesia’, aquela publicação surgia numa altura em que
Era a uma superfície verbal cada vez mais valorizada e, ao mesmo tempo, à relação aí implicitamente assumida quanto ao homem e à cultura que, na criação literária, se começava a prestar especial atenção; havia a considerar na linguagem não só o papel que ela desempenhava como suporte de reflexão, mas também a possível função constituidora que teria relativamente aos seres e aos valores.
/
E, mais adiante:
O que, implicitamente ou, até dum modo inconsciente, se tinha em vista atingir de acordo com certas ideias que andavam no ar, tendo por base um pressuposto existencialista sobretudo defendido po Heidegger, era a possibilidade de pela própria palavra se desvendar o ser (2)
Com efeito, parece-nos que a estas premissas e à descoberta do ser pela palavra se manteve sempre fiel, a partir do seu segundo livro, a poesia de Raul de Carvalho.
Porque se, de facto, os poemas de As Sombras e as Vozes (refiro-me aos seleccionados no volume da Colecção Poesia e Ensaio) indiciavam certas características muito pessoais: anáforas, epanáforas, epanapleses, enumerações, é em Poesia, torrencial volume de 259 páginas editado pela saudosa Portugália Editora em 1955, época em que muitos romances não atingiam semelhante dimensão, que essas determinantes mais se destacam, se transformam em estilo, ou, se quiser, dão cunho à forma.
É nas três partes desta grande, muito bela e, quiçá, por então inesperada obra ( valendo-nos hoje a perspectiva de um canto global), a primeira das quais será composta por seis livros, respectivamente intitulados `Ágil e Só´, `Passatempo´, `Acordéon Selvagem´, `Sistema Solar´, `Amor e Prazer das Coisas´e `Cântico´- não se subintitulando a segunda parte e a terceira, que termina com este excepcional poema imbuído da estética que caracteriza a revista Árvore:
Lanceolada de espumas e sagrada
por vastos e remotos vendavais,
aqui me tens, indestrutível força,
e absoluta solidão do homem--,
que outros sinais específicos surgem pela primeira vez: as grafias em
itálico – são em itálico, aliás, o primeiro e o último poema de Poesia – as datas apostas em várias composições.
(Sobre o grafismo, abramos um parênteses. Ao procurar na estante os livros do poeta, saltou de um deles, A Aliança, composto e impresso na Tipografia Ideal, em Lisboa, em Outubro de 1958 (tiragem de 250 exemplares), um cartão seu que, sob a data 29-X-58, trazia, na sua caprichosa letra, estas palavras:
Meu Caro António Rebordão Navarro,
--Lembro-me de lhe dizer…
As «indicações» q. me permiti dar para a tipografia (no res-
peitante ao poema que lhe enviei) foram-me ditadas tão-só,
esclareça-se, pela ideia q. faço de que: assim composto (não
sei se em corpo 14 (como indiquei) ou 12 it.) é tal composição
a q. melhor se ajusta ao estilo, chamemos-lhe, do poema.
Creio que se referia são texto «Salve-Rainha da Vida, publicado no
nº 67, correspondente a Dezembro daquele ano, da revista Bandarra, dirigida por meu pai, mas o que mais importa é salientar o excepcional cuidado que o poeta dedicava aos seus trabalhos, cedendo-os de bom grado, mas sob a condição de rever provas, de lhes vigiar atentamente a estrutura impressa.)
Fechemos o parênteses, regressando a Poesia, onde os sistemas desbordam, as imagens exorbitam dos leitos confortáveis das palavras, onde, caudalosas, vertiginosamente, as metáforas decorrem, onde as enumerações, muitas vezes caóticas, abordam as margens do delírio.
Poesia rica, de luxuriosa linguagem, muitas vezes ultrapassando a barreira ténue, se é que a mesma existe, com a prosa (Raul de Carvalho e, posteriormente, Jorge de Sena demonstrariam o contrário, o que havia de confundir muitos espíritos), Poesia constitui-se como espaço pleno, poderoso, em que todas as orquestrações são possíveis, como uma exuberante polifonia ou um fundo alicerce, um arsenal bem apetrechado onde se originariam todas as obras subsequentes, como cintilações várias dos diversos filões de portentosa mina.
Abriria Mesa da Solidão (1955) com um poema glosando a epígrafe de Lucien Becker, «La solitude est partout», naquela forma tão cara ao poeta das enumerações consecutivas, oriunda, por certo, daqueles inventários do Surrealismo, surrealismo esse do qual a sua poética nunca se alhearia, dentro daquela mesma concepção analisada pelo autor de Simbolismo, Modernismo e Vanguardas em que «para o advento do homem social» (expressão de Ramos Rosa) «seria necessário não só evitar, como é óbvio, a escrita imediata e pura dos surrealistas, mas também a `má escrita´- como justamente dizia Cesariny-do Neo-Realismo, sem que, no entanto, se deixasse de aproveitar a experiência que revertia dessas duas atitudes» (ob. cit. P. 103).
Mesa da Solidão (que valeria ao Autor uma medalha do Prémio Simon Bolívar, atribuído pela revista italiana Ausonia e instituído e financiado pelo poeta Edoardo Crema) termina com o poema `Irei no Signo da Paz e dos Olhos´, texto dividido em diversos poemas, alguns autónomos, como o subordinado à epígrafe «Voici le temps de la raison ardente», de Apollinaire, outra forma muito peculiar a Raul de Carvalho e que será retomada no livro seguinte, Parágrafos (1956), considerando-se este, como creio deve ser considerado, um longo e unitário poema, ainda em Uma Estética da Banalidade (1972) e em outras várias obras. Mesa da Solidão é um livro em que as impetuosas torrentes de Poesia foram dominadas, depuradas, em que os poemas atingiram um grau de nitidez absoluta de primeiros planos e os próprios versos constituem claríssimos sinais, cristais de solidão.
Poesia, Mesa da Solidão e Parágrafos deveriam ser, de acordo com uma nota «não explicativa», inserta pelo poeta neste último livro, «considerados como fazendo parte de aquilo a que chamo `a minha fase polémica´. Isto ajudaria a explicar, embora desnecessariamente, as respectivas datas de publicação. E afastaria talvez (é como queiram…) a benemérita ideia das precipitações».
Uma incontida força criadora levaria, no entanto, Raul de Carvalho a publicar, em 1958, em cuidadas edições de autor mais dois livros: Versos (Poesia II) e A Aliança.
Valeria a pena salientar no primeiro os textos introdutórios retirados da Esthétique de Max Jacob: «Avoir une âme» e «La minute contient sa douleur ou sa joie et c´est de douleur ou de joie qu´est faite la poésie» e esta estrofe do poema inicial: «Num verso…Essa espécie de infinito / Que é lágrima e é luz, que é sombra e grito!», estabelecendo o tom, não somente rítmico, mas temático da obra em que, como perfeitos salmos, se inseriam momentos líricos como estes:
Amores que não amei, que passaram, que morrem.
E contudo em meu peito eternamente existem.
----------
Não pensas. Não sabes. Não queres. Não morreste. Dormes.
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Até para morrer se faz
Imensamente tarde
----------
Improvisadamente, o ar me toca…
Improvisadamente, o distribuo…
Se a hora é boa ou má, pouco me importa…
Ao nada me habituo.----------
Factos. Factos. Dêem-me factos. Pois bem,
O facto, hoje, é este simplesmente:
Que eu acredito no impossível possivelmente.
----------
O que faz com que a gente
finalmente se habitue
a tanta mágoa em campo santo,
É ter de há muito tempo
Secado em nós o pranto.
----------
Concêntrico é o ser
quando tranquilo.
Dois versos de San Juan de la Cruz, « Para venir a serio todo, / no quieras ser algo en nada» antecederiam A Aliança, poema que adquire a profunda sonoridade de hino ecoando sob sólidas abóbadas e onde a condicionante se, abrindo grande parte das estrofes, não contem a carga sobre-humana de Kipling, nem a irónica acutilância de O´Neill, antes suporta, posto que em tempo a vir, lúcida, a razão:
Se o Canto não perturba nem engana
É porque está inscrito
À entrada do pórtico
Que há-de passar por aqui
Um novo Génesis
----------
O mundo vai abrir-se (…)
findando em som de trombeta, iluminado prenúncio:
Até que Deus suprima
A confusão dos gestos.
Poderíamos dizer que com A Aliança se encerrava um ciclo poético de Raul de Carvalho, a quem, na primeira edição da 3ª série de Líricas Portuguesas (3), Jorge de Sena dedicava esta nota:
É, pelo fôlego torrencial e pela intensidade vibrante da expressão
que tudo carreia, desde os entusiasmos fugazes às emoções mais profundas, desde as atitudes formais à dolorosa consciência da dignidade humana, um dos maiores líricos deste período. Revelada tardiamente, esta poesia, no entanto capaz da mais discreta e comovida contenção, surge, nas suas virtudes admiráveis e nos seus defeitos de excessiva enumeração apostrófica e paralalística, como uma dramática encruzilhada de cinismo e de sentimentalismo, de amoralismo e de delicado pudor, na qual perpassa um desespero anárquico constantemente dividido entre um terno sentimento e uma solidão angustiosa. Mas, da caótica desordem das emoções e do orgulhoso descuido, tão hábil, dos poemas, ficarão uma atmosfera muito peculiar de excitação poética-literária e poesias vigorosas, de uma segurança e de uma força exemplares ou de uma simplicidade perfeita.
No ano de 1959, publicaria Raul de Carvalho, em separata da revista Vértice, o poema Carta ao Pintor Desesperado Manuel Ribeiro de Pavia, mais tarde (1971), incluído em Poemas Inactuais, sucedendo-se a esta fase amplamente produtiva um concentrado silêncio de nove anos.
Singularmente, não seria de poemas, mas um longo poema em fragmentos, ditado pela pura e ressuscitante memória que os poetas possuem e manobram, o livro intitulado Talvez Infância (1968), a romper um mutismo todavia fértil, como seria demonstrado pelas datas inscritas nos poemas de Realidade Branca e de Tautologias que viriam a público no mesmo ano, em que também saiu o volume incluindo a reedição de Mesa da Solidão, de Versos (Poesia II), de A Aliança e uma selecção, por Afonso Cautela, Liberto Cruz e pelo próprio Autor, do primeiro livro, de Poesia (I) e de Parágrafos: a já referida Poesia, 1949-1958.
Cremos que Talvez Infância fosse, com o peso justo da adversativa, o título mais adequado à obra sobre um tempo passado, reconstituído milagrosamente pela escrita. Mas também Talvez Infância se pudesse chamar Talvez Solidão, Talvez Serenidade, pois de uma e de outra se compunha, entre a reelaboração, a revivicação de seres e objectos («Um dia Jano recordou-se tanto… que via as coisas por dentro e por fora… como se fossem vivas… Almas do outro mundo, vivas…», o preenchimento de desérticos lugares («Não há ninguém agora, a solidão é vasta e cúmplice; para falar só se fosse de amor»), a abolição de pavores («uma solidão que não mete medo, que não se arrepende nem pergunta, que não quer saber de nós, que ali estamos»), a reconstrução do mistério por elementos simples: «Lavar as mãos com sabão…Comer pão com azeitonas… Ter a cama junto duma parede branca, onde eu possa encostar as mãos e sentir fresco…// Vem depois o vento e leva-nos… E só deixa ficar a recordação».
`O Dia Difícil´, datado de 1955, havia muito anunciado e constituindo a primeira parte de Realidade Branca, poderia dizer-se um canto de amor sublimado em que Deus e o ser amado se perseguem muitas vezes e outras chegam mesmo a fundir-se. Os símbolos religiosos e litúrgicos são aqui evidentes e não estaria deste livro distante uma atenta leitura das obras dos místicos espanhóis. Seriam incontáveis os exemplos.
Proporemos alguns:
Deus ajuda-me a ver-te e a louvá-Lo.
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Deus serve-se de ti:
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Pergunto a Deus o que é que nos separa.
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É tempo de louvar-Te. O dia nasce.
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Ao quente coração que se abandona
Dá Deus o lençol e a cama.
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Beijar-te fora o mesmo
Que esboçar uma Cruz
Na tua boca.
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Não abandona, Deus, a pedra dos altares;
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O copo, a água, a mesa…
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Deus conversa com ele
Num tom que não se ouve
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Umas pequenas salas
Com poucas visitas
São as nossas almas
--Pequenas e aflitas.
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Que nunca tenhas existido,
É coisa em que nunca acreditei.
Foi Deus que te criou e Deus
Não consentiria nisso.
Ainda de 1955, Religião do Mar é também um poema celebrando o amor, dimensionando-o já não como supra, teológica ou metafísica categoria, mas relacionando-o com o mar, como limpidez e extensão.
Realidade Branca, o conjunto de poemas que dá nome ao volume, é uma síntese entre símbolos místicos e profanos, resolvendo-se na celebração do corpo:
O universo não passa de dois dedos
que pertencem às tuas mãos
que o máximo que abrangem
é uma cintura.
----------
Agora, as minhas mãos
Voltam a ser de novo
O que eu não sou.
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Já sei que sou feliz unicamente
Quando regresso aos lábios silenciosos
Não seria despiciendo, parece-me, chamar a atenção para a epígrafe (e em Raul de Carvalho as epígrafes são muito importantes) a que o poeta subordina o texto não datado deste livro. É de René Guy Cadou e diz precisamente: «Ah! Et que je ne suis pas métaphisique…»
Como Realidade Branca, Tautologias, última obra de que nos ocuparemos, abrangeria vários livros: « Um Conto de Crianças», datado de 1957, «Tautologias», de 1958, «Taberna», de 1955, «Aleluia dos Camponeses» e «Horóscopo», de 1967.
Se o primeiro deles constituía uma maravilhosa fábula, Tautologias, encontrando a sua epígrafe-- «o tempo imovivel…»---em Irene Lisboa, a quem era dedicado, caracterizar-se-ia por um tom lapidar, despojado, incisivo («Hoje igual a ontem. / E é tudo»--«Limpar a alma / com uma vassoura. / Fora! Fora tudo o que está a mais») que talvez fizesse Jorge de Sena acrescentar, na sua nota da 3ª edição das Líricas Portuguesas que anteriormente terminava «de uma simplicidade perfeita», esta outra frase: «parecendo ser esta tendência a que ultimamente predomina».
Patentar-se-ia em «Taberna» uma angústia existencial, sartreana, mas seria em «Horóscopo», com poemas como `Família´, `Se há coisa que eu sinta´ e, principalmente, em `Aleluia dos Camponeses´, que o poeta regressaria aos lugares de origem, compondo mesmo neste último livro, onde as primeiras pessoas do singular e do plural por vezes se confundem, um coral sinfónico, espraiado, pungente, tendo por tema a terra alentejana:
Tem raízes na terra o nosso canto. Daqui não saímos. Morremos para melhor saber o gosto à terra. Cantamos. Estamos sós e unidos.
Vamos matá-lo! Ao Sol!
Não há água, não há sombra, não há luz. A isso que queima, não é luz, não se chama luz. É venenoso e cruel como os nossos patrões, o Sol.
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Para nós, senhores, não chegará a hora.
Temos da morte conhecimento em vida.
Somos camponeses.
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Foi a Beleza que me procriou.
NOTAS
1) Raul de Carvalho, Poesia 1949-1958, Colecção Poesia e Ensaio, Lisboa, Editora Ulisseia, 1965, p. 10.
2) Simbolismo, Modernismo e Vanguardas, Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 1982, pgs. 103, 104.
3) Líricas Portuguesas, 3ª Série, Selecção, Prefácio e Notas de Jorge de Sena. Lisboa, Portugália Editora, 1958; 3ª ed. I vol. Lisboa, Edições 70, 1984, p. 332
NAVARRO, António Rebordão (1986) COLÓQUIO Letras, número 94 Novembro de 1986 (33:41)
António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi funcionário de uma Caixa de Previdência, Delegado do Ministério Público, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia. Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro. Foi co-director de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI. Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias. Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia Geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e é Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.
Romances publicados: Romagem a Creta (1964), Um Infinito Silêncio (Prémio Alves Redol, 1970), O Discurso da Desordem (1995), O Parque dos Lagartos (1981), Mesopotâmia (Prémio Internacional Miguel Torga 1984), A Praça de Liège (Prémio Círculo de Leitores, 1988), As Portas do Cerco (1992) e Parábola do Passeio Alegre (1995). Contos: Dante Exilado em Ravena (1989). Crónicas: Estados Gerais (1991). Teatro: O Ser Sepulto (1972) e Sonho, Paixão, Mistério do Infante D. Henrique. Ensaios: Domingos Pinho e o Sistema das Representações Simultâneas e Juro que sou Suspeito – O Processo de Adultério em Camilo em 15 Alíneas. Poesia: As Três Meninas e Outros Poemas (Porto,1952, Edições Augusto Navarro); Outro Caminho do Mar (Porto, 1953, Colecção Bandarra, nº 2); O Mundo Completo (Porto, 1955, Colecção Bandarra, nº 6), Os Animais Humildes (Porto, 1956, Edição do Autor); Poema para Anne Frank (Coimbra, 1958, Separata da Revista Vértice); O Dia Dentro da Noite (Porto, 1960), Notícias do Bloqueio, Aqui e Agora (Lisboa, 1962 – Ed. Sagitário); O Inverno (Porto, 1978 – Ed. O Oiro do Dia); 27 Poemas (Porto, 1988, Editora Justiça e Paz); A Condição Reflexa (Poemas, 1952-1982) (Lisboa, 1990, Imprensa Nacional-Casa da Moeda).
(In Projecto Vercial)
29/08/2009
15/08/2009
FADO SAUDADE
Foto de Francisco Fadista - Olhares
O Sol da minha ventura,
Era dado p’la ternura
Com que viveste a meu lado.
E os beijos que tu me deste
Tinham o gosto silvestre
A mel, a rosas e a fado.
Mas decorreram os anos,
Vieram mil desenganos,
E perdidos no caminho,
Vivemos a pena imensa
Desta imerecida indiferença
De cada um estar sozinho.
Solidão nos meus sentidos,
Mágoa dum tempo perdido,
Quantas vezes já morri?
Sonhos não realizados,
Remorsos dos meus pecados…
Tenho saudades de ti!
Orlando Fernandes (Fronteiras do Sonho)
24/07/2009
ALVITO - EXPOSIÇÂO DE PINTURA - O EXPANDIR DA COR DE FLORIVAL CANDEIAS "VALITO"
Exposição de Pintura
O Expandir da Cor , de Florival Candeias
O Centro Cultural de Alvito recebe a partir do dia 31 de Julho e até 30 de Agosto a exposição de pintura -O Expandir da Cor, de Florival Candeias.
A obra de Florival Candeias que reflecte, especialmente, a sua vivência pessoal, tem um grande pendor abstracto: solicita os aspectos estruturais/formais simplificados, com os seus valores cromáticos e força expressiva, sem ter, no entanto, quaisquer tipos de ambição no tocante à reprodução de modelos e de formas naturais. Portanto, a representação do seu mundo não lhe exige nenhum compromisso com a aparência real das coisas, ele é totalmente livre quando expressa a sua individualidade criativa: “como um Picasso”
Florival Candeias, natural de Alvito, mais conhecido por “Valito”, ingressou na CerciBeja aos 10 anos onde muito cedo manifestou o seu interesse pela Pintura. Tem participado em muitos concursos Nacionais e Internacionais que lhe deram visibilidade, dos quais se destacam, como exemplo os prémios: 9º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1991); 4º Prémio Nacional da Arte para Deficientes Mentais (1994); Concurso Competitivo de Arte “Riscos e Rabiscos” (1996); 7º Concurso Nacional de Arte para Deficientes Mentais (1997) ; 8º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1998) e no Concurso Europeu para Pessoas com deficiência EUWARD, Munique (Alemanha 2004), onde alcançou o 3º prémio.
Uma exposição a visitar durante todo o mês de Agosto, no Centro Cultural de Alvito
Horário
3ª a 6ª feira- 9.30h-12.30h/ 15.00h-19.00h
Sábados e Domingos- 10.00h-12.30h/ 15.00h-19.00h
23/07/2009
SEMANA GASTRONÓMICA DO GASPACHO E DA TOMATADA

A Turismo do Alentejo, ERT promove mais uma edição da Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada, entre 25 e 31 de Julho.
Com a chegada do Verão e o calor a apertar os pratos frescos são uma constante nas mesas de todos os alentejanos. Gaspacho, tomatada, saladas de tomate, peixe frito com arroz de tomate e pimentos, vinagrada, são algumas das iguarias que também os restaurantes servem nesta época estival.
Se é apreciador deste tipo de alimentação mediterrânica visite os restaurantes aderentes à Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada , em todo o Alentejo, entre os dias 25 e 31 de Julho.
Quem participar nesta semana Gastronómica e deixar uma frase sobre ela fica habilitado a um fim-de-semana no Alentejo. As duas melhores frases sobre a Semana Gastronómica ganham um fim de semana para duas pessoas nos concelhos de Avis e de Almodôvar, com estadias oferecidas pelo herdade Cortesia Hotel (www.herdadecortesia.com), em Avis; e pela Casa de Campo Quinta do Cerro do Seixo (www.quintacerrodoseixo.com) em Almodôvar.
No concelho de Alvito os restaurantes aderentes são:
Pousada do Castelo de Alvito
Castelo de Alvito
Telef. 284 480 700
Pratos apresentados: Tomatada frita sobre crosta de pão e toucinho fumado; gaspacho à alentejana em cama de bacalhau fumado; Migas de tomate com cação frito
O Casão
Rua Joaquim Henrique da Silva, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 284 475 443
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com carapaus fritos
O Fernando
Rua dos Lobos, 7- Alvito
Telef. 284 485 236
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com ovos
Bica Nova
Rua Pinto de Melo, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 932 207 023
Pratos apresentados: Gaspacho com peixe frito; Tomatada com carapaus fritos
Para mais informações consulte
Turismo do Alentejo, ERT
www.noalentejohamais.com
E-mail- geral@turismodoalentejo-ert.pt
16/07/2009
Jardim quer proibir o comunismo

O PSD/Madeira quer a extinção do representante da República e propõe a criação da figura do presidente da região como poder de veto
É uma autêntica revolução a proposta de lei de revisão constitucional do PSD/Madeira, documento autónomo que será defendido por Alberto João Jardim na sessão do Parlamento Regional do próximo dia 22, e que o líder regional espera que venha a ter a concordância e apoio de Manuela Ferreira Leite. A presidente do PSD estará presente na festa do Chão da Lagoa, marcada para 27.
O PSD/M exige que a referência a regiões autónomas no texto constitucional se faça em maiúsculas, que a expressão Estado Unitário seja substituída por Estrutura do Estado. Os sociais-democratas madeirenses pretendem que haja um esclarecimento de que, em matéria de regimes políticos, "a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional em vigor, como igualmente de esquerda, caso do comunismo", refere o documento a que o DN teve acesso.
Na exposição de motivos, o PSD advoga que "chegou a hora de se fazer uma reavaliação global" do funcionamento do sistema político-constitucional em relação às Regiões Autónomas e, em particular, à Madeira. Daí defender-se uma "radical mutação nas disposições constitucionais de concretização dos poderes regionais".
De acordo com o documento a que o DN teve acesso, o PSD/M propõe a extinção do "vigilante oficial", representante da República; a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas regionais; a existência de partidos regionais; a possibilidade de as assembleias legislativas regionais, deputados e grupos parlamentares, bem como grupos de cidadãos eleitores, e o próprio presidente da Região Autónoma - nova figura proposta pelo PSD - poderem convocar referendos regionais sobre matérias de interesse regional que devam ser decididas pelos órgãos do Estado ou das Regiões Autónomas. Tudo isto "sem interferência de órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania".
Na constituição actualmente em vigor, só o Presidente da República pode convocar referendos nas ilhas.
O texto apresenta mais de 30 alterações, entre elas a reconfiguração dos órgãos de Governo Regional, surgindo, deste modo, o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional com poderes de promulgação e veto dos diplomas regionais, entre outras. O PSD pretende, ainda, o reforço da superioridade dos estatutos político-administrativos, "verdadeiras constituições regionais em relação aos demais actos legislativos ordinários, do Estado ou das Regiões Autónomas", refere.
Lília Bernardes - Diário de Notícias de 16/07/2009

Madeira
PCP desvaloriza extinção do comunismo na revisão constitucional
por Lusa
O coordenador regional do PCP na Madeira desvalorizou hoje a proposta de extinção do comunismo no projecto de revisão constitucional do PSD/M, considerando ser igual à apresentada em 2003/2004 e que terá o mesmo destino, o "caixote do lixo".
Em declarações à agência Lusa, Edgar Silva salientou que "só quem tem memória curta é que dá crédito" a esta iniciativa, salientando ser "igual no processo, linguagem e nas propostas" ao apresentado em 2003/2004.
O dirigente comunista comentava a proposta de revisão constitucional do PSD/M que será discutida segunda-feira, no parlamento madeirense, numa sessão que contará com a presença do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, numa das suas raras presenças no plenário.
Este projecto defende, entre os pontos considerados principais, o aprofundamento dos poderes legislativos, a criação de partidos regionais e a extinção do cargo de Representante da República.
Entre os pontos considerados "secundários", sugere "o esclarecimento de que a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de Direita - como é o caso do Fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional - como igualmente de Esquerda - como vem a ser o caso do Comunismo, não previsto no texto constitucional"
Edgar Silva realçou que "em 2004, a proposta de revisão constitucional de Alberto João Jardim já apontava para estes aspectos e nem mereceu crédito por parte do PSD na Assembleia da República, incluindo os deputados eleitos pela Madeira, e teve como destino o caixote do lixo".
"Se nem o grupo parlamentar do seu partido na Assembleia da República dá crédito às propostas vindas do PSD da Madeira e de Alberto João Jardim, este projecto terá o mesmo destino, a descredibilização, o caixote do lixo da História", disse.
Deu como exemplo a proposta de extinção do cargo de Ministro da República, considerada pelo PSD/M nessa altura como "inegociável para avaliar o sucesso da proposta de revisão e um quisto que era necessário remover: só que o Representante da República está aí".
O coordenador do PCP-M considerou que este tipo de situações e de "indicações bombásticas" acontecem sempre antes a festa anual do PSD/M, no Chão da Lagoa, que decorre a 26 de Julho e conta com a presença da líder nacional do partido, Manuela Ferreira Leite, para "levantar poeira".
Destacou que aquando da discussão da proposta de revisão constitucional do PSD/M em 2003, "o PCP foi o único partido que se recusou a participar no debate na Assembleia da Madeira", sendo que na próxima semana outras forças partidárias já anunciaram que vão adoptar a mesma atitude, designadamente PS, BE e PND.
11/07/2009
Manuela à Pimenta

Opinião de Paulo Ferreira
Há uns anos, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, estabeleceu uma máxima ainda hoje várias vezes recordada. Disse ele: "No futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira". Ninguém ficou verdadeiramente espantado com o conteúdo da frase, mas ela teve o mérito de resumir em poucas palavras o ambiente da modalidade. Em boa verdade, não é só no futebol que as verdades de hoje passam a dúvidas no dia seguinte e a mentiras volvidas mais 24 horas. Seria fastidioso citar exemplos demonstrativos de como também na política, ou mesmo no mundo dos mais delicados e chorudos negócios, isso acontece.
Esta volatilidade do uso da verdade tem uma consequência: a descredibilização. Manuela Ferreira Leite ficou a conhecer esta semana o sabor deste veneno. Recordemos os factos: no dia 25 de Junho, a líder do PSD jurou que, caso chegue ao Governo, rasgará e romperá (duras palavras!) "todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de políticas económicas e sociais" pelo actual Executivo. Pode ou não gostar-se do conteúdo, mas é uma vigorosa afirmação de princípio que nos mostra um pouquinho do trilho que o PSD pretende seguir caso vença as eleições legislativas.
Pois bem. Uma semana passada, Ferreira Leite veio dar razão à máxima de Pimenta Machado. Anteontem, a líder do PSD negou ter alguma vez dito "que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida (do actual Governo) a que o PSD se tenha oposto ou criticado sequer". A coisa já seria grave por si mesma, mas é especialmente grave por a dr.ª Ferreira Leite ter, num ápice e sem jeito, deitado por terra a "política de verdade" que nos anda a vender. De hoje em diante, quando a líder social-democrata disser uma coisa, convém esperarmos entre 24 a 48 horas para ver se não diz outra diferente. Regresso ao que penso e já aqui disse: Manuela Ferreira Leite é tenrinha na política.
Mais. De quem, como ela, considera que está (quase) tudo mal no Portugal comandado pelo Governo socialista, é estranho ouvir dizer que, em concreto, "rasgar, ninguém vai rasgar nada". O que o PSD pretende é "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações".
Tradução: a líder do PSD entende que é possível fazer as reformas estruturais de que o país necessita sem se incomodar com as classes profissionais que terão que arrostar com as mudanças. É como querer estar de bem, ao mesmo tempo, com Deus e com o diabo. Já vários tentaram. Saíram-se todos mal. Pode ser que Manuela tenha dotes que o país ainda não descortinou. Pode ser.
Olhem bem para os olhos dela
Opinião de Baptista Bastos
Esvoaça, embora discreto e módico, o perfume do poder e já o alvoroço se instalou nos militantes do PSD. Nos fóruns das rádios e das televisões, nos debates, nos artigos, nas preposições do Pacheco Pereira os sentimentos dominantes medeiam entre a glória do mando e o revanchismo. A euforia nunca foi boa conselheira. O próprio significado da palavra suscita precauções. Mas é preciso conhecer o significado da palavra.
O PSD, como se sabe, é constituído por uma série de ilhas, num oceano de atritos. O recente golpe de karaté aplicado pela dr.ª Manuela ao pobre Passos Coelho é paradigmático. O homem não foi, somente, afastado; foi vexado sem clemência. A senhora não abole distâncias: cria-as. Funcionando por exclusões, interdita, primeiro, qualquer veleidade de ascensão daqueles que a ela se opuseram; depois, cultiva o tribalismo, que desencoraja a mínima hipótese de dissenção. Naturalmente, esta prática despreza a ética.
O que se prepara, no caso (pouco provável) de José Sócrates perder as eleições é a aplicação de uma teia reticular de interesses particulares sobre o edifício do Estado. O PSD não dispõe de nenhuma estratégia de Governo. As soluções que vagamente expõe são as tradicionais da Direita. Qualquer preocupação de justiça é eliminada; as privatizações multiplicar-se-ão; a Saúde pertencerá às seguradoras com intervenção mínima do Estado, que será reduzido em todos os sectores da sociedade; aumento de impostos, mais repressão no mundo do trabalho. Nada de novo.
A dr.ª Manuela não alimenta o segredo das paixões. Nada promete que nos alivie do rude peso que, sabe-se lá como?!, tem sobrevivido a todas as penúrias impostas. Porque não haverá alterações de fundo, nem sequer remendos mal cerzidos, às avarias sociais de que temos sido vítimas. A responsabilidade do que nos acontece também terá de ser assacada ao PSD. Não há inocentes neste drama. O PS talvez tenha um comportamento menos brutal; porém, nunca concebeu ou estimulou uma consciência ética e estética que se prolongasse para além de si mesmo. Não é de estranhar que a dr.ª Manuela ameace rasgar um número ainda desconhecido, mas certamente vultoso, de decisões tomadas pelo Executivo Sócrates, caso seja "distinguida com o Governo" [sic].
Se há, manifestamente, uma tendência nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas sondagens para se inflectir no PSD, isso deve-se mais ao desencanto que o PS provocou do que a méritos da dr.ª Manuela. A senhora é, rigorosamente, o que aparenta. E nada de bom se adivinha nessa aparência: algo de anacrónico, de deformado, incapaz de esboçar os contornos de uma sociedade mais justa.
Olhem bem para os olhos dela. Está lá tudo o que assusta.
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