03/09/2009

RECORDANDO RAUL DE CARVALHO




Alvito, Baixo Alentejo
1920/09/04 - 1984/09/03

Poeta português, natural de Alvito.

Foi colaborador das revistas Távola Redonda e Árvore e Cadernos de Poesia, que, na década de 50, conglomeravam de forma irregular, mas activa, poetas de várias sensibilidades.
A obra deste poeta, onde se encontram evocações da sua infância alentejana, revela a sua ligação ao neo-realismo. A fidelidade ao humano e o estilo enumerativo e anafórico são marcas da sua poesia.
Os seus títulos englobam As Sombras e as Vozes (1949), Poesia, (1955), Mesa de Solidão (1955), Parágrafos (1956), Versos - Poesia II (1958), A Aliança (1958), Talvez Infância (1968), Realidade Branca (1968), Tautologias (1968), Poemas Inactuais (1971), Duplo Olhar (1978), Um e o Mesmo Livro (1984) e Obras de Raul de Carvalho — I — Obra Publicada em Livro (editada postumamente em 1993).
Recebeu, em 1956, o Prémio Simón Bolívar, do concurso internacional de poesia realizado em Siena, Itália.

( http://www.astormentas.com/multimedia.aspx?t=autor&id=Raul+de+Carvalho)




ANTÓNIO REBORDÃO NAVARRO-Lendo este seu trabalho, em Alvito, em 22 de Abril de 2006, no Centro Cultural, durante o I Encontro de Blogs, aí realizado e onde homenageámos os Poetas Alvitenses.









RAUL DE CARVALHO : alguma obra


Por António Rebordão Navarro



Três vectores essenciais se evidenciam na poesia de Raul de Carvalho: a solidão, o amor, a terra.
Já no seu primeiro livro, As Sombras e as Vozes, de 1949, num poema intitulado “Terra Mãe”, mais tarde reeditado numa antologia (1), se nos deparam estes versos:


Rua das Manhãs
Rua da Alegria
Quem te pôs o nome,
rua, não sabia
quanta solidão
nessa rua havia…



Ora, esta breve sextilha, com um leve sabor a Manuel Bandeira, tornar-se-á singularmente programática de uma das mais preponderantes linhas de força da importante e, apesar de tudo, discreta obra que nos legou, quase sempre editada a expensas suas e em reduzidas tiragens. Obra em que, durante trinta e cinco anos, Raul de Carvalho edificou um universo poético, um canto cheio de luz e sombra, de frescura e ardência, onde as paisagens reais e imaginárias se confundem e interpenetram, os lugares não se habitam, são criados e vivos, os espaços se compõem de carne e sonho e, em cada verso, em cada ritmo, em cada poema, a solidão persiste.
Mas, se As Sombras e as Vozes poderia ser, ao tempo da sua publicação, uma estreia feliz, ou, pelo menos, auspiciosa, no jargão crítico da época, será posteriormente à sua passagem pela revista Árvore, de que foi um dos directores e que constituiu um relevante marco na moderna poesia portuguesa, que a lírica de Raul de Carvalho mais como voz sem sombra se define, num livro simplesmente intitulado Poesia (1955).
Segundo Fernando Guimarães, que dedica parte substancial de um capítulo do seu livro Simbolismo, Modernismo e Vanguardas precisamente à ‘Revista Árvore e a definição de uma nova concepção de Poesia’, aquela publicação surgia numa altura em que


Era a uma superfície verbal cada vez mais valorizada e, ao mesmo tempo, à relação aí implicitamente assumida quanto ao homem e à cultura que, na criação literária, se começava a prestar especial atenção; havia a considerar na linguagem não só o papel que ela desempenhava como suporte de reflexão, mas também a possível função constituidora que teria relativamente aos seres e aos valores.
/

E, mais adiante:

O que, implicitamente ou, até dum modo inconsciente, se tinha em vista atingir de acordo com certas ideias que andavam no ar, tendo por base um pressuposto existencialista sobretudo defendido po Heidegger, era a possibilidade de pela própria palavra se desvendar o ser (2)

Com efeito, parece-nos que a estas premissas e à descoberta do ser pela palavra se manteve sempre fiel, a partir do seu segundo livro, a poesia de Raul de Carvalho.
Porque se, de facto, os poemas de As Sombras e as Vozes (refiro-me aos seleccionados no volume da Colecção Poesia e Ensaio) indiciavam certas características muito pessoais: anáforas, epanáforas, epanapleses, enumerações, é em Poesia, torrencial volume de 259 páginas editado pela saudosa Portugália Editora em 1955, época em que muitos romances não atingiam semelhante dimensão, que essas determinantes mais se destacam, se transformam em estilo, ou, se quiser, dão cunho à forma.
É nas três partes desta grande, muito bela e, quiçá, por então inesperada obra ( valendo-nos hoje a perspectiva de um canto global), a primeira das quais será composta por seis livros, respectivamente intitulados `Ágil e Só´, `Passatempo´, `Acordéon Selvagem´, `Sistema Solar´, `Amor e Prazer das Coisas´e `Cântico´- não se subintitulando a segunda parte e a terceira, que termina com este excepcional poema imbuído da estética que caracteriza a revista Árvore:


Lanceolada de espumas e sagrada
por vastos e remotos vendavais,
aqui me tens, indestrutível força,
e absoluta solidão do homem--,


que outros sinais específicos surgem pela primeira vez: as grafias em
itálico – são em itálico, aliás, o primeiro e o último poema de Poesia – as datas apostas em várias composições.

(Sobre o grafismo, abramos um parênteses. Ao procurar na estante os livros do poeta, saltou de um deles, A Aliança, composto e impresso na Tipografia Ideal, em Lisboa, em Outubro de 1958 (tiragem de 250 exemplares), um cartão seu que, sob a data 29-X-58, trazia, na sua caprichosa letra, estas palavras:


Meu Caro António Rebordão Navarro,
--Lembro-me de lhe dizer…
As «indicações» q. me permiti dar para a tipografia (no res-
peitante ao poema que lhe enviei) foram-me ditadas tão-só,
esclareça-se, pela ideia q. faço de que: assim composto (não
sei se em corpo 14 (como indiquei) ou 12 it.) é tal composição
a q. melhor se ajusta ao estilo, chamemos-lhe, do poema.


Creio que se referia são texto «Salve-Rainha da Vida, publicado no
nº 67, correspondente a Dezembro daquele ano, da revista Bandarra, dirigida por meu pai, mas o que mais importa é salientar o excepcional cuidado que o poeta dedicava aos seus trabalhos, cedendo-os de bom grado, mas sob a condição de rever provas, de lhes vigiar atentamente a estrutura impressa.)

Fechemos o parênteses, regressando a Poesia, onde os sistemas desbordam, as imagens exorbitam dos leitos confortáveis das palavras, onde, caudalosas, vertiginosamente, as metáforas decorrem, onde as enumerações, muitas vezes caóticas, abordam as margens do delírio.
Poesia rica, de luxuriosa linguagem, muitas vezes ultrapassando a barreira ténue, se é que a mesma existe, com a prosa (Raul de Carvalho e, posteriormente, Jorge de Sena demonstrariam o contrário, o que havia de confundir muitos espíritos), Poesia constitui-se como espaço pleno, poderoso, em que todas as orquestrações são possíveis, como uma exuberante polifonia ou um fundo alicerce, um arsenal bem apetrechado onde se originariam todas as obras subsequentes, como cintilações várias dos diversos filões de portentosa mina.
Abriria Mesa da Solidão (1955) com um poema glosando a epígrafe de Lucien Becker, «La solitude est partout», naquela forma tão cara ao poeta das enumerações consecutivas, oriunda, por certo, daqueles inventários do Surrealismo, surrealismo esse do qual a sua poética nunca se alhearia, dentro daquela mesma concepção analisada pelo autor de Simbolismo, Modernismo e Vanguardas em que «para o advento do homem social» (expressão de Ramos Rosa) «seria necessário não só evitar, como é óbvio, a escrita imediata e pura dos surrealistas, mas também a `má escrita´- como justamente dizia Cesariny-do Neo-Realismo, sem que, no entanto, se deixasse de aproveitar a experiência que revertia dessas duas atitudes» (ob. cit. P. 103).
Mesa da Solidão (que valeria ao Autor uma medalha do Prémio Simon Bolívar, atribuído pela revista italiana Ausonia e instituído e financiado pelo poeta Edoardo Crema) termina com o poema `Irei no Signo da Paz e dos Olhos´, texto dividido em diversos poemas, alguns autónomos, como o subordinado à epígrafe «Voici le temps de la raison ardente», de Apollinaire, outra forma muito peculiar a Raul de Carvalho e que será retomada no livro seguinte, Parágrafos (1956), considerando-se este, como creio deve ser considerado, um longo e unitário poema, ainda em Uma Estética da Banalidade (1972) e em outras várias obras. Mesa da Solidão é um livro em que as impetuosas torrentes de Poesia foram dominadas, depuradas, em que os poemas atingiram um grau de nitidez absoluta de primeiros planos e os próprios versos constituem claríssimos sinais, cristais de solidão.
Poesia, Mesa da Solidão e Parágrafos deveriam ser, de acordo com uma nota «não explicativa», inserta pelo poeta neste último livro, «considerados como fazendo parte de aquilo a que chamo `a minha fase polémica´. Isto ajudaria a explicar, embora desnecessariamente, as respectivas datas de publicação. E afastaria talvez (é como queiram…) a benemérita ideia das precipitações».
Uma incontida força criadora levaria, no entanto, Raul de Carvalho a publicar, em 1958, em cuidadas edições de autor mais dois livros: Versos (Poesia II) e A Aliança.
Valeria a pena salientar no primeiro os textos introdutórios retirados da Esthétique de Max Jacob: «Avoir une âme» e «La minute contient sa douleur ou sa joie et c´est de douleur ou de joie qu´est faite la poésie» e esta estrofe do poema inicial: «Num verso…Essa espécie de infinito / Que é lágrima e é luz, que é sombra e grito!», estabelecendo o tom, não somente rítmico, mas temático da obra em que, como perfeitos salmos, se inseriam momentos líricos como estes:


Amores que não amei, que passaram, que morrem.
E contudo em meu peito eternamente existem.


----------

Não pensas. Não sabes. Não queres. Não morreste. Dormes.
----------


Até para morrer se faz
Imensamente tarde


----------

Improvisadamente, o ar me toca…
Improvisadamente, o distribuo…
Se a hora é boa ou má, pouco me importa…
Ao nada me habituo.
----------


Factos. Factos. Dêem-me factos. Pois bem,
O facto, hoje, é este simplesmente:
Que eu acredito no impossível possivelmente.

----------


O que faz com que a gente
finalmente se habitue
a tanta mágoa em campo santo,

É ter de há muito tempo
Secado em nós o pranto.

----------


Concêntrico é o ser
quando tranquilo.


Dois versos de San Juan de la Cruz, « Para venir a serio todo, / no quieras ser algo en nada» antecederiam A Aliança, poema que adquire a profunda sonoridade de hino ecoando sob sólidas abóbadas e onde a condicionante se, abrindo grande parte das estrofes, não contem a carga sobre-humana de Kipling, nem a irónica acutilância de O´Neill, antes suporta, posto que em tempo a vir, lúcida, a razão:


Se o Canto não perturba nem engana
É porque está inscrito
À entrada do pórtico

Que há-de passar por aqui
Um novo Génesis

----------

O mundo vai abrir-se (…)


findando em som de trombeta, iluminado prenúncio:


Até que Deus suprima
A confusão dos gestos.


Poderíamos dizer que com A Aliança se encerrava um ciclo poético de Raul de Carvalho, a quem, na primeira edição da 3ª série de Líricas Portuguesas (3), Jorge de Sena dedicava esta nota:

É, pelo fôlego torrencial e pela intensidade vibrante da expressão
que tudo carreia, desde os entusiasmos fugazes às emoções mais profundas, desde as atitudes formais à dolorosa consciência da dignidade humana, um dos maiores líricos deste período. Revelada tardiamente, esta poesia, no entanto capaz da mais discreta e comovida contenção, surge, nas suas virtudes admiráveis e nos seus defeitos de excessiva enumeração apostrófica e paralalística, como uma dramática encruzilhada de cinismo e de sentimentalismo, de amoralismo e de delicado pudor, na qual perpassa um desespero anárquico constantemente dividido entre um terno sentimento e uma solidão angustiosa. Mas, da caótica desordem das emoções e do orgulhoso descuido, tão hábil, dos poemas, ficarão uma atmosfera muito peculiar de excitação poética-literária e poesias vigorosas, de uma segurança e de uma força exemplares ou de uma simplicidade perfeita.


No ano de 1959, publicaria Raul de Carvalho, em separata da revista Vértice, o poema Carta ao Pintor Desesperado Manuel Ribeiro de Pavia, mais tarde (1971), incluído em Poemas Inactuais, sucedendo-se a esta fase amplamente produtiva um concentrado silêncio de nove anos.
Singularmente, não seria de poemas, mas um longo poema em fragmentos, ditado pela pura e ressuscitante memória que os poetas possuem e manobram, o livro intitulado Talvez Infância (1968), a romper um mutismo todavia fértil, como seria demonstrado pelas datas inscritas nos poemas de Realidade Branca e de Tautologias que viriam a público no mesmo ano, em que também saiu o volume incluindo a reedição de Mesa da Solidão, de Versos (Poesia II), de A Aliança e uma selecção, por Afonso Cautela, Liberto Cruz e pelo próprio Autor, do primeiro livro, de Poesia (I) e de Parágrafos: a já referida Poesia, 1949-1958.
Cremos que Talvez Infância fosse, com o peso justo da adversativa, o título mais adequado à obra sobre um tempo passado, reconstituído milagrosamente pela escrita. Mas também Talvez Infância se pudesse chamar Talvez Solidão, Talvez Serenidade, pois de uma e de outra se compunha, entre a reelaboração, a revivicação de seres e objectos («Um dia Jano recordou-se tanto… que via as coisas por dentro e por fora… como se fossem vivas… Almas do outro mundo, vivas…», o preenchimento de desérticos lugares («Não há ninguém agora, a solidão é vasta e cúmplice; para falar só se fosse de amor»), a abolição de pavores («uma solidão que não mete medo, que não se arrepende nem pergunta, que não quer saber de nós, que ali estamos»), a reconstrução do mistério por elementos simples: «Lavar as mãos com sabão…Comer pão com azeitonas… Ter a cama junto duma parede branca, onde eu possa encostar as mãos e sentir fresco…// Vem depois o vento e leva-nos… E só deixa ficar a recordação».
`O Dia Difícil´, datado de 1955, havia muito anunciado e constituindo a primeira parte de Realidade Branca, poderia dizer-se um canto de amor sublimado em que Deus e o ser amado se perseguem muitas vezes e outras chegam mesmo a fundir-se. Os símbolos religiosos e litúrgicos são aqui evidentes e não estaria deste livro distante uma atenta leitura das obras dos místicos espanhóis. Seriam incontáveis os exemplos.
Proporemos alguns:


Deus ajuda-me a ver-te e a louvá-Lo.

----------

Deus serve-se de ti:

----------

Pergunto a Deus o que é que nos separa.

----------

É tempo de louvar-Te. O dia nasce.

----------

Ao quente coração que se abandona
Dá Deus o lençol e a cama.


----------

Beijar-te fora o mesmo
Que esboçar uma Cruz
Na tua boca.

----------

Não abandona, Deus, a pedra dos altares;

----------

O copo, a água, a mesa…

----------

Deus conversa com ele
Num tom que não se ouve

----------

Umas pequenas salas
Com poucas visitas
São as nossas almas
--Pequenas e aflitas
.

----------

Que nunca tenhas existido,
É coisa em que nunca acreditei.
Foi Deus que te criou e Deus
Não consentiria nisso.


Ainda de 1955, Religião do Mar é também um poema celebrando o amor, dimensionando-o já não como supra, teológica ou metafísica categoria, mas relacionando-o com o mar, como limpidez e extensão.
Realidade Branca, o conjunto de poemas que dá nome ao volume, é uma síntese entre símbolos místicos e profanos, resolvendo-se na celebração do corpo:


O universo não passa de dois dedos
que pertencem às tuas mãos
que o máximo que abrangem
é uma cintura.

----------

Agora, as minhas mãos
Voltam a ser de novo
O que eu não sou.

----------

Já sei que sou feliz unicamente
Quando regresso aos lábios silenciosos



Não seria despiciendo, parece-me, chamar a atenção para a epígrafe (e em Raul de Carvalho as epígrafes são muito importantes) a que o poeta subordina o texto não datado deste livro. É de René Guy Cadou e diz precisamente: «Ah! Et que je ne suis pas métaphisique…»
Como Realidade Branca, Tautologias, última obra de que nos ocuparemos, abrangeria vários livros: « Um Conto de Crianças», datado de 1957, «Tautologias», de 1958, «Taberna», de 1955, «Aleluia dos Camponeses» e «Horóscopo», de 1967.
Se o primeiro deles constituía uma maravilhosa fábula, Tautologias, encontrando a sua epígrafe-- «o tempo imovivel…»---em Irene Lisboa, a quem era dedicado, caracterizar-se-ia por um tom lapidar, despojado, incisivo («Hoje igual a ontem. / E é tudo»--«Limpar a alma / com uma vassoura. / Fora! Fora tudo o que está a mais») que talvez fizesse Jorge de Sena acrescentar, na sua nota da 3ª edição das Líricas Portuguesas que anteriormente terminava «de uma simplicidade perfeita», esta outra frase: «parecendo ser esta tendência a que ultimamente predomina».
Patentar-se-ia em «Taberna» uma angústia existencial, sartreana, mas seria em «Horóscopo», com poemas como `Família´, `Se há coisa que eu sinta´ e, principalmente, em `Aleluia dos Camponeses´, que o poeta regressaria aos lugares de origem, compondo mesmo neste último livro, onde as primeiras pessoas do singular e do plural por vezes se confundem, um coral sinfónico, espraiado, pungente, tendo por tema a terra alentejana:


Tem raízes na terra o nosso canto. Daqui não saímos. Morremos para melhor saber o gosto à terra. Cantamos. Estamos sós e unidos.
Vamos matá-lo! Ao Sol!
Não há água, não há sombra, não há luz. A isso que queima, não é luz, não se chama luz. É venenoso e cruel como os nossos patrões, o Sol.



-----------

Para nós, senhores, não chegará a hora.
Temos da morte conhecimento em vida.
Somos camponeses.


----------

Foi a Beleza que me procriou.


NOTAS

1) Raul de Carvalho, Poesia 1949-1958, Colecção Poesia e Ensaio, Lisboa, Editora Ulisseia, 1965, p. 10.

2) Simbolismo, Modernismo e Vanguardas, Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, 1982, pgs. 103, 104.

3) Líricas Portuguesas, 3ª Série, Selecção, Prefácio e Notas de Jorge de Sena. Lisboa, Portugália Editora, 1958; 3ª ed. I vol. Lisboa, Edições 70, 1984, p. 332


NAVARRO, António Rebordão (1986) COLÓQUIO Letras, número 94 Novembro de 1986 (33:41)


António Augusto Rebordão e Cunha Navarro nasceu no Porto em 1 de Agosto de 1933. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi funcionário de uma Caixa de Previdência, Delegado do Ministério Público, Director da Biblioteca Pública Municipal do Porto e Director Editorial, tendo exercido a advocacia. Secretariou e dirigiu a Revista Literária Bandarra, fundada por seu pai, o escritor Augusto Navarro. Foi co-director de Notícias do Bloqueio e director-adjunto da revista literária Sol XXI. Colaborou em diversas publicações e encontra-se representado em várias antologias. Fez parte da direcção e foi Presidente da Assembleia Geral da Associação de Jornalistas e Homens das Letras do Porto e é Vogal do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Autores.

Romances publicados: Romagem a Creta (1964), Um Infinito Silêncio (Prémio Alves Redol, 1970), O Discurso da Desordem (1995), O Parque dos Lagartos (1981), Mesopotâmia (Prémio Internacional Miguel Torga 1984), A Praça de Liège (Prémio Círculo de Leitores, 1988), As Portas do Cerco (1992) e Parábola do Passeio Alegre (1995). Contos: Dante Exilado em Ravena (1989). Crónicas: Estados Gerais (1991). Teatro: O Ser Sepulto (1972) e Sonho, Paixão, Mistério do Infante D. Henrique. Ensaios: Domingos Pinho e o Sistema das Representações Simultâneas e Juro que sou Suspeito – O Processo de Adultério em Camilo em 15 Alíneas. Poesia: As Três Meninas e Outros Poemas (Porto,1952, Edições Augusto Navarro); Outro Caminho do Mar (Porto, 1953, Colecção Bandarra, nº 2); O Mundo Completo (Porto, 1955, Colecção Bandarra, nº 6), Os Animais Humildes (Porto, 1956, Edição do Autor); Poema para Anne Frank (Coimbra, 1958, Separata da Revista Vértice); O Dia Dentro da Noite (Porto, 1960), Notícias do Bloqueio, Aqui e Agora (Lisboa, 1962 – Ed. Sagitário); O Inverno (Porto, 1978 – Ed. O Oiro do Dia); 27 Poemas (Porto, 1988, Editora Justiça e Paz); A Condição Reflexa (Poemas, 1952-1982) (Lisboa, 1990, Imprensa Nacional-Casa da Moeda).

(In Projecto Vercial)



15/08/2009

FADO SAUDADE

Foto de Francisco Fadista - Olhares


O Sol da minha ventura,
Era dado p’la ternura
Com que viveste a meu lado.
E os beijos que tu me deste
Tinham o gosto silvestre
A mel, a rosas e a fado.


Mas decorreram os anos,
Vieram mil desenganos,
E perdidos no caminho,
Vivemos a pena imensa
Desta imerecida indiferença
De cada um estar sozinho.


Solidão nos meus sentidos,
Mágoa dum tempo perdido,
Quantas vezes já morri?
Sonhos não realizados,
Remorsos dos meus pecados…

Tenho saudades de ti!


Orlando Fernandes (Fronteiras do Sonho)


24/07/2009

ALVITO - EXPOSIÇÂO DE PINTURA - O EXPANDIR DA COR DE FLORIVAL CANDEIAS "VALITO"





Exposição de Pintura

O Expandir da Cor , de Florival Candeias

O Centro Cultural de Alvito recebe a partir do dia 31 de Julho e até 30 de Agosto a exposição de pintura -O Expandir da Cor, de Florival Candeias.

A obra de Florival Candeias que reflecte, especialmente, a sua vivência pessoal, tem um grande pendor abstracto: solicita os aspectos estruturais/formais simplificados, com os seus valores cromáticos e força expressiva, sem ter, no entanto, quaisquer tipos de ambição no tocante à reprodução de modelos e de formas naturais. Portanto, a representação do seu mundo não lhe exige nenhum compromisso com a aparência real das coisas, ele é totalmente livre quando expressa a sua individualidade criativa: “como um Picasso”

Florival Candeias, natural de Alvito, mais conhecido por “Valito”, ingressou na CerciBeja aos 10 anos onde muito cedo manifestou o seu interesse pela Pintura. Tem participado em muitos concursos Nacionais e Internacionais que lhe deram visibilidade, dos quais se destacam, como exemplo os prémios: 9º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1991); 4º Prémio Nacional da Arte para Deficientes Mentais (1994); Concurso Competitivo de Arte “Riscos e Rabiscos” (1996); 7º Concurso Nacional de Arte para Deficientes Mentais (1997) ; 8º Concurso Competitivo de Arte para Deficientes Mentais (Porto, 1998) e no Concurso Europeu para Pessoas com deficiência EUWARD, Munique (Alemanha 2004), onde alcançou o 3º prémio.
Uma exposição a visitar durante todo o mês de Agosto, no Centro Cultural de Alvito
Horário
3ª a 6ª feira- 9.30h-12.30h/ 15.00h-19.00h
Sábados e Domingos- 10.00h-12.30h/ 15.00h-19.00h


23/07/2009

SEMANA GASTRONÓMICA DO GASPACHO E DA TOMATADA





A Turismo do Alentejo, ERT promove mais uma edição da Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada, entre 25 e 31 de Julho.

Com a chegada do Verão e o calor a apertar os pratos frescos são uma constante nas mesas de todos os alentejanos. Gaspacho, tomatada, saladas de tomate, peixe frito com arroz de tomate e pimentos, vinagrada, são algumas das iguarias que também os restaurantes servem nesta época estival.
Se é apreciador deste tipo de alimentação mediterrânica visite os restaurantes aderentes à Semana Gastronómica do Gaspacho e da Tomatada , em todo o Alentejo, entre os dias 25 e 31 de Julho.

Quem participar nesta semana Gastronómica e deixar uma frase sobre ela fica habilitado a um fim-de-semana no Alentejo. As duas melhores frases sobre a Semana Gastronómica ganham um fim de semana para duas pessoas nos concelhos de Avis e de Almodôvar, com estadias oferecidas pelo herdade Cortesia Hotel (www.herdadecortesia.com), em Avis; e pela Casa de Campo Quinta do Cerro do Seixo (www.quintacerrodoseixo.com) em Almodôvar.

No concelho de Alvito os restaurantes aderentes são:

Pousada do Castelo de Alvito
Castelo de Alvito
Telef. 284 480 700

Pratos apresentados: Tomatada frita sobre crosta de pão e toucinho fumado; gaspacho à alentejana em cama de bacalhau fumado; Migas de tomate com cação frito

O Casão
Rua Joaquim Henrique da Silva, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 284 475 443
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com carapaus fritos

O Fernando
Rua dos Lobos, 7- Alvito
Telef. 284 485 236
Pratos apresentados: Gaspacho com carapaus fritos; Tomatada com ovos

Bica Nova
Rua Pinto de Melo, 4- Vila Nova da Baronia
Telef. 932 207 023
Pratos apresentados: Gaspacho com peixe frito; Tomatada com carapaus fritos

Para mais informações consulte
Turismo do Alentejo, ERT
www.noalentejohamais.com
E-mail- geral@turismodoalentejo-ert.pt


16/07/2009

Jardim quer proibir o comunismo




















O PSD/Madeira quer a extinção do representante da República e propõe a criação da figura do presidente da região como poder de veto

É uma autêntica revolução a proposta de lei de revisão constitucional do PSD/Madeira, documento autónomo que será defendido por Alberto João Jardim na sessão do Parlamento Regional do próximo dia 22, e que o líder regional espera que venha a ter a concordância e apoio de Manuela Ferreira Leite. A presidente do PSD estará presente na festa do Chão da Lagoa, marcada para 27.

O PSD/M exige que a referência a regiões autónomas no texto constitucional se faça em maiúsculas, que a expressão Estado Unitário seja substituída por Estrutura do Estado. Os sociais-democratas madeirenses pretendem que haja um esclarecimento de que, em matéria de regimes políticos, "a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional em vigor, como igualmente de esquerda, caso do comunismo", refere o documento a que o DN teve acesso.

Na exposição de motivos, o PSD advoga que "chegou a hora de se fazer uma reavaliação global" do funcionamento do sistema político-constitucional em relação às Regiões Autónomas e, em particular, à Madeira. Daí defender-se uma "radical mutação nas disposições constitucionais de concretização dos poderes regionais".

De acordo com o documento a que o DN teve acesso, o PSD/M propõe a extinção do "vigilante oficial", representante da República; a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas regionais; a existência de partidos regionais; a possibilidade de as assembleias legislativas regionais, deputados e grupos parlamentares, bem como grupos de cidadãos eleitores, e o próprio presidente da Região Autónoma - nova figura proposta pelo PSD - poderem convocar referendos regionais sobre matérias de interesse regional que devam ser decididas pelos órgãos do Estado ou das Regiões Autónomas. Tudo isto "sem interferência de órgãos estranhos, como são os órgãos de soberania".

Na constituição actualmente em vigor, só o Presidente da República pode convocar referendos nas ilhas.

O texto apresenta mais de 30 alterações, entre elas a reconfiguração dos órgãos de Governo Regional, surgindo, deste modo, o cargo de presidente da Região Autónoma, que cumula a posição de chefe do Governo Regional com poderes de promulgação e veto dos diplomas regionais, entre outras. O PSD pretende, ainda, o reforço da superioridade dos estatutos político-administrativos, "verdadeiras constituições regionais em relação aos demais actos legislativos ordinários, do Estado ou das Regiões Autónomas", refere.

Lília Bernardes - Diário de Notícias de 16/07/2009











Madeira

PCP desvaloriza extinção do comunismo na revisão constitucional

por Lusa

O coordenador regional do PCP na Madeira desvalorizou hoje a proposta de extinção do comunismo no projecto de revisão constitucional do PSD/M, considerando ser igual à apresentada em 2003/2004 e que terá o mesmo destino, o "caixote do lixo".


Em declarações à agência Lusa, Edgar Silva salientou que "só quem tem memória curta é que dá crédito" a esta iniciativa, salientando ser "igual no processo, linguagem e nas propostas" ao apresentado em 2003/2004.

O dirigente comunista comentava a proposta de revisão constitucional do PSD/M que será discutida segunda-feira, no parlamento madeirense, numa sessão que contará com a presença do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, numa das suas raras presenças no plenário.

Este projecto defende, entre os pontos considerados principais, o aprofundamento dos poderes legislativos, a criação de partidos regionais e a extinção do cargo de Representante da República.

Entre os pontos considerados "secundários", sugere "o esclarecimento de que a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de Direita - como é o caso do Fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional - como igualmente de Esquerda - como vem a ser o caso do Comunismo, não previsto no texto constitucional"

Edgar Silva realçou que "em 2004, a proposta de revisão constitucional de Alberto João Jardim já apontava para estes aspectos e nem mereceu crédito por parte do PSD na Assembleia da República, incluindo os deputados eleitos pela Madeira, e teve como destino o caixote do lixo".

"Se nem o grupo parlamentar do seu partido na Assembleia da República dá crédito às propostas vindas do PSD da Madeira e de Alberto João Jardim, este projecto terá o mesmo destino, a descredibilização, o caixote do lixo da História", disse.

Deu como exemplo a proposta de extinção do cargo de Ministro da República, considerada pelo PSD/M nessa altura como "inegociável para avaliar o sucesso da proposta de revisão e um quisto que era necessário remover: só que o Representante da República está aí".

O coordenador do PCP-M considerou que este tipo de situações e de "indicações bombásticas" acontecem sempre antes a festa anual do PSD/M, no Chão da Lagoa, que decorre a 26 de Julho e conta com a presença da líder nacional do partido, Manuela Ferreira Leite, para "levantar poeira".

Destacou que aquando da discussão da proposta de revisão constitucional do PSD/M em 2003, "o PCP foi o único partido que se recusou a participar no debate na Assembleia da Madeira", sendo que na próxima semana outras forças partidárias já anunciaram que vão adoptar a mesma atitude, designadamente PS, BE e PND.

11/07/2009

Manuela à Pimenta







Opinião de Paulo Ferreira





Há uns anos, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, estabeleceu uma máxima ainda hoje várias vezes recordada. Disse ele: "No futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira". Ninguém ficou verdadeiramente espantado com o conteúdo da frase, mas ela teve o mérito de resumir em poucas palavras o ambiente da modalidade. Em boa verdade, não é só no futebol que as verdades de hoje passam a dúvidas no dia seguinte e a mentiras volvidas mais 24 horas. Seria fastidioso citar exemplos demonstrativos de como também na política, ou mesmo no mundo dos mais delicados e chorudos negócios, isso acontece.

Esta volatilidade do uso da verdade tem uma consequência: a descredibilização. Manuela Ferreira Leite ficou a conhecer esta semana o sabor deste veneno. Recordemos os factos: no dia 25 de Junho, a líder do PSD jurou que, caso chegue ao Governo, rasgará e romperá (duras palavras!) "todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de políticas económicas e sociais" pelo actual Executivo. Pode ou não gostar-se do conteúdo, mas é uma vigorosa afirmação de princípio que nos mostra um pouquinho do trilho que o PSD pretende seguir caso vença as eleições legislativas.

Pois bem. Uma semana passada, Ferreira Leite veio dar razão à máxima de Pimenta Machado. Anteontem, a líder do PSD negou ter alguma vez dito "que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida (do actual Governo) a que o PSD se tenha oposto ou criticado sequer". A coisa já seria grave por si mesma, mas é especialmente grave por a dr.ª Ferreira Leite ter, num ápice e sem jeito, deitado por terra a "política de verdade" que nos anda a vender. De hoje em diante, quando a líder social-democrata disser uma coisa, convém esperarmos entre 24 a 48 horas para ver se não diz outra diferente. Regresso ao que penso e já aqui disse: Manuela Ferreira Leite é tenrinha na política.

Mais. De quem, como ela, considera que está (quase) tudo mal no Portugal comandado pelo Governo socialista, é estranho ouvir dizer que, em concreto, "rasgar, ninguém vai rasgar nada". O que o PSD pretende é "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações".

Tradução: a líder do PSD entende que é possível fazer as reformas estruturais de que o país necessita sem se incomodar com as classes profissionais que terão que arrostar com as mudanças. É como querer estar de bem, ao mesmo tempo, com Deus e com o diabo. Já vários tentaram. Saíram-se todos mal. Pode ser que Manuela tenha dotes que o país ainda não descortinou. Pode ser.


Olhem bem para os olhos dela

Opinião de Baptista Bastos



Esvoaça, embora discreto e módico, o perfume do poder e já o alvoroço se instalou nos militantes do PSD. Nos fóruns das rádios e das televisões, nos debates, nos artigos, nas preposições do Pacheco Pereira os sentimentos dominantes medeiam entre a glória do mando e o revanchismo. A euforia nunca foi boa conselheira. O próprio significado da palavra suscita precauções. Mas é preciso conhecer o significado da palavra.

O PSD, como se sabe, é constituído por uma série de ilhas, num oceano de atritos. O recente golpe de karaté aplicado pela dr.ª Manuela ao pobre Passos Coelho é paradigmático. O homem não foi, somente, afastado; foi vexado sem clemência. A senhora não abole distâncias: cria-as. Funcionando por exclusões, interdita, primeiro, qualquer veleidade de ascensão daqueles que a ela se opuseram; depois, cultiva o tribalismo, que desencoraja a mínima hipótese de dissenção. Naturalmente, esta prática despreza a ética.

O que se prepara, no caso (pouco provável) de José Sócrates perder as eleições é a aplicação de uma teia reticular de interesses particulares sobre o edifício do Estado. O PSD não dispõe de nenhuma estratégia de Governo. As soluções que vagamente expõe são as tradicionais da Direita. Qualquer preocupação de justiça é eliminada; as privatizações multiplicar-se-ão; a Saúde pertencerá às seguradoras com intervenção mínima do Estado, que será reduzido em todos os sectores da sociedade; aumento de impostos, mais repressão no mundo do trabalho. Nada de novo.

A dr.ª Manuela não alimenta o segredo das paixões. Nada promete que nos alivie do rude peso que, sabe-se lá como?!, tem sobrevivido a todas as penúrias impostas. Porque não haverá alterações de fundo, nem sequer remendos mal cerzidos, às avarias sociais de que temos sido vítimas. A responsabilidade do que nos acontece também terá de ser assacada ao PSD. Não há inocentes neste drama. O PS talvez tenha um comportamento menos brutal; porém, nunca concebeu ou estimulou uma consciência ética e estética que se prolongasse para além de si mesmo. Não é de estranhar que a dr.ª Manuela ameace rasgar um número ainda desconhecido, mas certamente vultoso, de decisões tomadas pelo Executivo Sócrates, caso seja "distinguida com o Governo" [sic].

Se há, manifestamente, uma tendência nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas sondagens para se inflectir no PSD, isso deve-se mais ao desencanto que o PS provocou do que a méritos da dr.ª Manuela. A senhora é, rigorosamente, o que aparenta. E nada de bom se adivinha nessa aparência: algo de anacrónico, de deformado, incapaz de esboçar os contornos de uma sociedade mais justa.

Olhem bem para os olhos dela. Está lá tudo o que assusta.


O MEU RELATÓRIO

Opinião de João Marcelino


1 Se, como diz Maria de Belém, presidente da comissão de inquérito ao Banco de Portugal, cada português tem a possibilidade de fazer o seu relatório (e, acrescento eu, até de poder votar em Setembro próximo de acordo com esse relatório), já agora faço o meu, resumido.

Começo: Vítor Constâncio é um homem sério, foi transparente nas suas respostas, mas também por elas se percebeu que a supervisão bancária falhou rotundamente, como se viu no BCP, com Jardim Gonçalves e seus compinchas, e sobretudo nos escandalosos processos do BPN e BPP. Mesmo dentro do actual quadro de supervisão, que precisa de ser mudado, o governador podia ter sido forte, frontal, interventivo e decisor onde foi fraco, compreensivo, confiante e tolerante. É óbvio que ninguém é infalível, mas Constâncio falhou pessoalmente. Bastava que o relator tivesse sido outro qualquer elemento da comissão para as conclusões terem sido diferentes. Todos percebemos isso, como também percebemos que a oposição não queria conclusões, queria mesmo, e só, a cabeça do governador. Lamento as duas posições, embora admita que o lugar do simpático regulador pudesse efectivamente ter sido posto em causa por uma menos simpática relatora. Houve matéria para tal. Espero, por isso, que as comissões parlamentares repitam futuramente a intranquilidade desta mas que lhes juntem no final o rigor, a objectividade, o bom senso. Desta vez tal não aconteceu. Houve espectáculo apenas, no final funcionou a maioria, e percebemos todos que o jogo tinha um resultado definido à partida pelas regras enunciadas com sinceridade por Alberto Martins, líder parlamentar do PS, há cerca de três meses: "Nós temos a maioria absoluta e temos a responsabilidade de decidir tudo o que a Assembleia da República decide", disse ele. E, pelos vistos, relatava a verdade.

2 A sondagem na Universidade Católica confirmou o que julgávamos saber: a Esquerda tem uma folgada maioria sociológica em Lisboa, mas Santana Lopes tem muitas possibilidades de regressar à presidência da câmara. Se isso acontecer, a culpa não será de António Costa, que tem sido um presidente empenhado e competente, além de que tudo tentou para encontrar uma plataforma abrangente de apoio à sua candidatura. A culpa será, então, de Francisco Louçã, de Jerónimo de Sousa e, até, de Helena Roseta/Manuel Alegre. Se isso acontecer, repito, toda a esquerda será responsável e terá criado um quadro onde haverá menos legitimidade para a crítica ao eventual governo de Santana.

Pode suceder na capital o que também é previsível para o País: como a esquerda à esquerda do PS só serve para protestar, provavelmente caberá ao centro-direita governar.

O Bloco de Esquerda é um partido tolerante com as drogas, com os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, com o aborto. Hoje, numa evolução notável que as novas gerações ignoram, até são já pela democracia representativa e admitem mesmo que Portugal faça parte da União Europeia. Mas um sindicalista (perdão: o seu sindicalista) a jantar com o ex-ministro Manuel Pinho?! Aí, alto, que há desvio! Fracturar, sim, mas devagar. E, além do mais, nunca se esqueça o camarada António Chora que o BE só admite actos taurinos em Salvaterra, onde governa a sua única câmara no País.


04/07/2009

ONDE MORA A VERDADE ?




Opinião de Emídio Rangel

A única coisa que Manuela Ferreira Leite prometeu aos portugueses é que ia realizar sempre uma política de verdade, sobretudo ia sempre falar a verdade aos seus concidadãos. Não durou muito tempo a única promessa da líder do PSD após a vitória nas eleições europeias. Questionada sobre os negócios ruinosos que fez para o País quando ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, sem nenhum pudor, negou o seu papel activo na venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom, por 365 milhões de euros.


Mesmo depois de terem sido distribuídos aos jornalistas documentos escritos – actas do Conselho de Ministros de 2002 – assinados por Manuela Ferreira Leite com preâmbulos classificando a operação de venda "uma medida muito boa de gestão financeira do Estado", mesmo depois de tudo isso, a líder do PSD, embrulhada nesta teia para enganar os portugueses, continuou a afirmar que aquilo não era uma decisão sua. Hoje só Manuela F. Leite acredita nessa farsa. Objectivamente, o que fez Ferreira Leite? Mentiu, mentiu repetidamente, e não teve sequer a dignidade de vir pedir desculpa aos portugueses por actos que deitam por terra a máscara de "rigor" e de "verdade" que afivelou para as eleições de Setembro. Quem mente desta maneira quase ou nunca fala verdade.

Os portugueses que vão votar para escolher quem deve governar Portugal têm que ir vendo, ouvindo, avaliando quem oferece mais garantias para conduzir os destinos do País. Esqueçamos as mentiras de Ferreira Leite. Avaliemos a questão da governação por outro prisma. A líder do PSD, até hoje, não foi capaz de dizer uma só palavra sobre as soluções que tem para o País, de apresentar propostas alternativas às do Governo actual em nenhuma área. Limita-se a dizer que vai mudar tudo. Acaba com o TGV, acaba com o novo aeroporto, acaba com todas as decisões tomadas na área da Educação, acaba com as soluções da ministra da Saúde, acaba com os investimentos nas áreas tecnológicas, enfim... acaba com tudo. Mas o que é mais grave é que Manuela Ferreira Leite, nesta versão ‘caterpillar’, acaba com tudo mas não diz o que vai fazer depois de acabar com tudo.

Como é que o povo português pode entregar o seu voto a uma dirigente que ou não sabe o que vai fazer, ou esconde dos portugueses a política que vai adoptar? Não há memória de, em democracia, aparecer alguém a querer ser primeiro-ministro com um programa de trabalho contido num só ponto: destruir, destruir, destruir. E depois como vai ser?

Emídio Rangel, Jornalista


ACOSSADO






Sócrates já não é um "animal selvagem". É um animal acossado. No Parlamento, caem-lhe em cima Paulo Rangel, Diogo Feio, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares. Cá fora, atira sobre ele Manuela Ferreira Leite, com pontaria afinada. O presidente da República dá-lhe o golpe de misericórdia.

Por fim, os media fazem-no perder a face. Desmentem o que disse ao país. Sócrates soçobra. Dá o dito por não dito. Intervém onde antes afirmara não intervir. Mostra, já não a humildade recente, mas uma surpreendente fraqueza. Recua e ao recuar dá razão aos que lhe moviam processos de intenções.

Sócrates já não é Sócrates. Sócrates, o hábil é, agora, Sócrates o desajeitado. O país informado afasta--se dele. Os arguidos do Freeport cercam-no, tiram-lhe o ar. Sócrates vê fugir-lhe a maioria absoluta, ao mesmo tempo que encara a possibilidade de uma minoria, forçada a negociar. Sócrates perdeu-se e perdeu o país. Veremos o que resta dele em Setembro próximo…

Manuel Ferreira Leite tem um quase terno e respeitável ar de avó. Olhamos para ela e lamentamos as intrigas palacianas, os adjectivos menos simpáticos, as maratonas pelo país, a interpelação dos media a que se sujeita, quando podia estar tranquila a fruir os netos. Já teve mais do que 15 minutos de fama, já foi poder, tem uma reforma doirada. Para quê este regresso como anjo salvador do PSD? Porquê este risco de vir a ser primeiro-ministro?

Mas Manuela Ferreira Leite parece feliz. Decidiu sozinha e ganhou. Davam-lhe a liderança a prazo e tiveram de prorrogar o dito. Agora, no PSD manda ela. A cadeira de S. Bento acena-lhe. Sócrates ouve o que ela diz. De adversário irrelevante passou a inimigo terrível. Manuela Ferreira Leite sorri e adia, com prazer, o momento de contar histórias para adormecer os netos. Porém, Manuela Ferreira Leite não é inocente. Ainda não venceu as legislativas mas já avisa que, se ganhar, mudará tudo o que fez o Governo. Se ao volante, virará à direita. Pegará no machado de guerra para aniquilar, de vez, o Estado social. Afinal, Manuela Ferreira Leite não é doce, apesar do ar de avozinha. Mais, é perigosa. Com ela, as desigualdades vão acentuar-se. Inevitavelmente. Sócrates anima-se. Percebeu que precisa de uma líder do PSD forte. Só o discurso claro e afirmativo de Manuela Ferreira Leite pode fazer dele um homem de esquerda. Há meses, ninguém veria as coisas deste modo. Mas hoje, tudo mudou. A afirmação de Manuela Ferreira Leite à direita, é a sua última esperança. Em verdade, o único factor que pode salvá-lo da morte. Por isso, se for inteligente, o animal acossado estimulará o caçador.



O ESTADO DA NAÇÃO



Opinião de João Marcelino


1-O verdadeiro estado da Nação, e peço desculpa ao elevado debate que por aí decorre entre o PS e o PSD, para mim é este: quatro anos depois, uma maioria absoluta está desfeita e o País tanto pode continuar entregue a José Sócrates como voltar às mãos das pessoas que estiveram esta semana, alinhadas e juntas, na apresentação da candidatura de Santana Lopes a Lisboa: Manuela F. Leite, Paulo Portas, Aguiar Branco (ministro da Justiça com Santana), etc., etc.

Ou seja: bastou pouco mais de ano e meio (porque Sócrates beneficiou de dois anos de "estado de graça" como nenhum outro primeiro-ministro em Portugal) para o País, deprimido, voltar a estar perante uma escolha muito semelhante. Tão semelhante que só teólogos iluminados, como José Lello ou Pacheco Pereira, entre outros, conseguem ver diferenças significativas onde a maioria dos cidadãos, com desilusão, apenas vê mais do mesmo e duas experiências falhadas.

Ainda assim, a responsabilidade de Sócrates na delapidação do património herdado é maior. Ele chegou ao poder porque foi visto como uma esperança para muita coisa, a começar pela restauração do sentido de Estado perante o fracasso da aventura Santana, que se seguiu à deserção de Barroso.

Sócrates melhorou mesmo essa imagem positiva com a opção por reformas corajosas. No auge do afrontamento a muitos dos poderes socioprofissionais ele ainda tinha níveis de popularidade absolutamente surpreendentes.

O pior veio com o autoritarismo que lhe está na personalidade, nas polémicas pessoais em que também se consumiu uma parte da superioridade moral que apresentava à partida e nesta profunda crise financeira e económica que varreu com um sopro toda a autoconfiança em que assentavam os complexos de superioridade da actividade governativa.

Hoje, olhando as sondagens, vemos que PS e PSD estão empatados. Ambos os partidos podem ganhar o governo no final de Setembro. Os portugueses, quatro anos depois, estão perante as mesmas opções, quase as mesmas pessoas. E deve, entretanto, ter acontecido "qualquer coisa" ao Governo do PS para que os nomes da elite do PSD e do centro-direita, tão criticados no passado, sejam hoje de facto uma possibilidade para o futuro.

Este é o verdadeiro estado da Nação. Mas também é um debate que ninguém quer.


2-Outra sondagem, esta realizada pela Universidade Católica sobre a intenção de voto nas eleições para a Câmara Municipal do Porto, não deixa dúvidas: Rui Rio, se não houver qualquer calamidade, irá ganhar a confiança dos eleitores da sua cidade pela terceira vez consecutiva. À boa maneira do futebol, vai fazer o "tri". E começo precisamente por esse ponto: Rui Rio é o homem a quem se deve a demonstração de que o futebol é um tigre de papel. Não mete medo aos eleitores.

Hoje sabe-se bem que as pessoas, no Porto como em qualquer ponto do País, distinguem entre os interesses do seu clube e da sua cidade. São capazes de estimar um presidente que constrói um projecto desportivo de sucesso e ao mesmo tempo de escolher para a sua cidade um homem independente e orientado por valores superiores.

E nem sempre foi assim.

Na cidade do Porto, num passado recente, com Fernando Gomes e Nuno Cardoso, a promiscuidade era evidente. E até havia quem acreditasse que Pinto da Costa tinha a capacidade de eleger e depor presidentes de câmara como quem convida um árbitro a ir tomar um copo a casa. Não é assim - e essa demonstração é um mérito que se deve a Rui Rio.

A segunda reflexão que cabe fazer é esta: o PS deu cabo de uma boa candidata, Elisa Ferreira, com a dupla candidatura ao Parlamento Europeu e à câmara municipal. Em Sintra, também Ana Gomes não deve escapar a um processo semelhante. Subestimar a inteligência dos eleitores para detectarem o oportunismo não é de todo uma boa estratégia. Ainda bem.

Manuel Pinho perdeu por um segundo a compostura, cometeu um erro inacreditável e pagou por ele. Melhor: vai pagar por ele durante muitos anos da sua vida. É por isso que não me junto ao coro de hipocrisia daqueles que tanto gostam de assinalar homens de plástico como atiram pedras aos homens que são autênticos até nas suas fraquezas.


02/07/2009

AFINAL, QUE QUER O PS ?



Opinião de Baptista Bastos

Não é de estranhar que uma sondagem recente atribua "empate técnico" ao PS e ao PSD, nas legislativas. A prática governamental, nestes últimos anos, é um empreendimento de confronto com sectores sociais decisivos, e uma construção de poder (direi pessoal) que repousa em imprevisíveis decisões individuais. O modelo não se rege por princípios; obedece a reflexos. Chamado de "reformas", foi elogiado pelas faixas mais retrógradas da nossa sociedade. E a sociedade está em fanicos.

Notoriamente, o orgulho de Sócrates foi amolgado com a derrota nas "europeias". Até hoje engole em seco, mas continua a combinar os mesmos elementos modulares que têm feito a sua perdição. Parece que não consegue definir o corpo social português e delimitar as fronteiras entre as classes. Sabe-se que nada tem a ver com "socialismo" como instância histórica, ideológica e ética. Também se sabe que conseguiu domesticar aqueles dos seus camaradas que, tenuemente embora, ainda agitavam as bandeiras de uma específica identidade política. A derrocada de 7 de Junho alarga-se em vergonhosas cumplicidades. Nenhum "socialista" se rebelou. Talvez porque já não haja socialistas. Talvez porque o socialismo nunca existiu. Talvez. Uma única certeza: José Sócrates nunca foi socialista.

Ele próprio dá vivo testemunho dessa evidência. Há dias resolveu convidar um grupo de pessoas para o ajudar a reflectir sobre o País, e procurar as soluções adequadas. Os vigorosos pensadores não eram gente de Esquerda, ou afins. Nada disso. T'arrenego, Satanás! Alguns pertenciam àquele agrupamento de estilistas conhecido pelo Compromisso Portugal. A notícia correu fértil. Logo a seguir, o dr. Carrapatoso, corrigindo o que semelhava ser a natureza dos signos, veio afobadamente dizer que nada tinha a ver com os desígnios da amena reunião. Uma selecta jantarada, de duvidosa eficácia.

Cada vez mais desarvorado com os sucessivos dislates, José Sócrates decidiu, agora, consultar os "magos" que ajudaram Barack Obama a conquistar o poder. Uma mistura de marquetingue e de Alvin Tofler. E, embora um técnico português de publicidade, altamente qualificado, tenha dito que não há nenhum génio que consiga, hoje, vender fruta bichada, Sócrates não abdicou de escutar os americanos. Atingimos a era do desequilíbrio e da alucinação. O Estado é entendido como uma empresa, não como a configuração de um corpo político, social e administrativo.

Afinal, que deseja de nós o secretário-geral do PS? Ambiciona os votos de quem? Enquanto esta espessa mediocridade sem alma e sem valores campeia infrene, que nos espera? Manuela Ferreira Leite? Dá que pensar.




29/06/2009

LUAR DE PRATA






Luar de prata

No poente calmo e doirado
Da planície longa que se avista,
O pastor dolente guarda o gado
Esperando a noite, sua visita.

Coaxam rãs pelas ribeiras,
Ouvem-se grilos em serenata,
Da choça o pastor se abeira
Por companhia um luar de prata.

Dormem os fiéis cães cansados,
De um cansativo dia de labor,
O rebanho descansa alimentado,
E pastor sonha desejos de amor.

Quando o luar desaparecer
O sol iluminar de novo a Terra,
O pastor acorda para viver
A vida que o dia a dia encerra.


Olinda Bonito - 04/09

27/06/2009

O CASO DA TVI

Por João Marcelino


1
No Parlamento, a oposição desconfiou. José Sócrates deixou que as suas palavras fossem contaminadas pela aversão que lhe merece o jornal de sexta-feira da TVI. Manuela Ferreira Leite aproveitou para fazer política e lançar a suspeita. Cavaco Silva por uma vez não foi prudente. E o primeiro-ministro, no fim, para que não restassem dúvidas quanto à sua posição e a do Governo, acabou com o negócio PT-Prisa que alguém quis sabotar com uma milimétrica fuga de informação.

Mais uma vez, a política partidária desceu aos negócios das empresas que o Estado tutela. Especulou. Mentiu. Manipulou. E, no fim, ditou as suas leis sobre um negócio que merecia ser avaliado por si mesmo - e já não vai ser.

2
Comecemos pelo principio: não acredito que José Sócrates não soubesse da eventualidade do negócio. Este governo, como qualquer governo, tem espalhados demasiados "homens de confiança". Eles andam por aí, pelas empresas do Estado, e quando não cumprem a sua obrigação acontece-lhes o mesmo que a Pina Moura: são "executados". No mínimo acabam transferidos.

Mas, ao mesmo tempo, acredito no que disse Zeinal Bava a Judite de Sousa: nunca levou o assunto formalmente à comissão executiva; logo nunca levou o assunto ao seu conselho de administração (onde estão os accionistas); logo não podia o Governo ser informado oficialmente dos contactos que estavam a decorrer entre a PT e a Prisa com vista à aquisição de 30% do capital da TVI. Sabia(m) mas não sabia(m), porque a formalidade nestes casos conta.
A suspeita principal, no entanto, também não é esta.

3
A suspeita principal, e que reflecte o Portugal que temos, é ainda mais elaborada e inquietante: o Governo quereria, através desta intervenção da PT (minoritária, de 30%), afastar da TVI o director-geral, José Eduardo Moniz. Foi nisto que Manuela Ferreira Leite investiu, de forma politicamente hábil, com a cumplicidade de Cavaco Silva.

Não sei se alguém no Governo sonhou com este cenário. Infelizmente, também considero isso possível. Estúpido, infantil, mas possível.

O que não considero possível é que uma empresa como a PT pudesse aceitar gastar 150 milhões de euros com o fim de despedir um trabalhador qualificado que pelas suas qualidades seria sempre uma peça importante para o retorno do investimento. A vida já me azedou bastante mas não ao ponto de acreditar neste cenário que inflamou Manuela Ferreira Leite e até Cavaco Silva. E se acreditasse quereria já mudar de país.

4
Dito isto acrescento que compreendo se a administração da Prisa não estiver agora tão solidária com o seu director-geral quanto estava há uma semana. É preciso não esquecer que José Eduardo Moniz explicou solenemente ao País que se as eleições do Benfica não tivessem sido antecipadas por Luís Filipe Vieira ele deixaria a TVI para disputar as eleições do clube do seu coração.

Em condições normais, numa empresa normal, num país normal, toda a gente entenderia que a administração da TVI tivesse resolvido dizer a Moniz que deixara de ter condições para trabalhar na empresa. O contrário é que, sinceramente, me parece esquisito. E, no entanto, foi isso que aconteceu. Moniz continua no seu posto. E se a Prisa o mantém seria a PT, minoritária, que daqui a seis/sete meses o iria despedir? Peço desculpa, mas o meu desencanto com a vida pública nacional ainda não chega para tanto.

Quando vejo o PS e o PSD a defenderem a independência da linha editorial de um qualquer órgão de informação, obviamente desconfio. Se há partidos que têm as mãos sujas na comunicação social portuguesa são precisamente esses dois. Os exemplos da falta de vergonha de ambos não caberiam no espaço desta crónica...



23/06/2009

1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour




A parceria i9tur convida-o(a) a participar no 1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour, que se realiza nos dias 25 a 28 de Junho, no Alentejo, mais concretamente tendo Ferreira do Alentejo como base mas estendendo o seu programa de actividades aos municípios de Alvito, Cuba, Vidigueira e Alcácer do Sal, naquele que será também um Tour pela inovação social em Portugal.



Esta acção da parceria do projecto i9tur, suportada integralmente na metodologia de eventos 4All*, tem como objectivo principal a amplificação de sinergias inter-organizacionais que visem a promoção de um espírito mais empreendedor, de uma atitude mais responsável e de territórios mais coesos e inclusivos por via do desenvolvimento da actividade turística.



O 1º 4all SummerCamp | Inovação social em Tour dirige-se particularmente a pessoal técnico e decisores, de entidades públicas ou privadas, da governação local, da educação ou do empreendedorismo que assumam o turismo como elemento estratégico da sua acção, aqui desafiados a participar activamente num evento, com carácter de multi-actividade (indoor e outdoor), onde se debaterá os caminhos de turismo sustentável, partilhará boas práticas, contactará com soluções inovadoras em matéria de empreendedorismo, perspectivará certamente novas parcerias e projectos…



Destacam-se, por exemplo, no dia 26 de manhã, o primeiro (de três) Tour-debate sobre a dimensão ambiental do turismo, e que decorrerá a bordo de uma embarcação e a caminho do estuário do Sado, as Oficinas Interactivas, nos dias 26 e 27, “Soluções para uma Cultura mais Empreendedora” (da educação ao estimulo e suporte à criação de empresas) ou, no dia 27, a Sessão “Estratégias para o turismo sustentável”. E, claro, o excelente acolhimento regional e um programa de actividades lúdico-pedagógicas muito interessante...



Saiba mais em http://i9tur.adtr.pt/i9tur_summercamp.html ou peça informações através de 4all.summercamp@adtr.pt.



* Para saber mais sobre o projecto i9tur e a metodologia de eventos 4all vá a http://i9tur.adtr.pt/ .




ALVITO - VERÃO EM MOVIMENTO




Alvito

Verão em Movimento 2009

À semelhança do ano passado, a Câmara Municipal de Alvito vai desenvolver um conjunto de actividades com o objectivo de ocupar e animar os mais jovens durante as férias de Verão. Paralelamente, são desenvolvidas algumas actividades - Step e Hidroginástica, para a população em geral, mas que também têm como cenário as Piscinas Municipais.

As actividades integradas no Verão em Movimento, tiveram início no dia 21 de Junho, com umas Mini-Férias na Praia, em que os jovens acompanhados por monitores, irão estar até dia 25 de Junho no Almograve.
Durante os meses de Julho e de Agosto, de 3ª a 6ª feira haverá Aulas de Natação, para vários escalões etários, entre as 10h e as 12h30m.
Também durante os meses de Julho e de Agosto, mas às 2ªs feiras , as manhãs serão dedicadas à Canoagem, na Barragem de Odivelas.

Haverá ainda umas Mini-Férias na Barragem de Odivelas ( Campismo ) : de 31 de Agosto a 3 de Setembro.

As aulas de Hidroginástica e Step irão decorrer, nos meses de Julho e de Agosto, de 3ª a 6ª feira, nas Piscinas Municipais, das 19h às 20h.



Crise trava «resorts de pulseira» no Alentejo?








Como, porquê e com que intenções, deixaram morrer (mataram?) as “Festas do Povo (Festas dos Artistas) de Campo Maior. Mas será que elas estão mesmo mortas? Ou, depois deste longo hiato, um ano destes… os pandeiros e as “saias” vão puxar para a dança os dedos que sabem “torcer papel”, fazer nascer uma flor ou “enramar” uma rua?



Não há pachorra para este Alentejo morno (morto?) que nos querem vender, repleto de cenários de “resorts” que (excepto os seus promotores, obviamente) ninguém quer, na beira de uma água litoral ou interior, seja na Costa Alentejana ou nas margens de um Guadiana e Degebe que estenderam braços e fôlegos até se fazerem Bacia de Alqueva.







A crise está aí. Há hotéis no Algarve que não renovam contratos a prazo ou esquecem os prazos dos salários. E o Senhor Ministro da Economia e o Senhor Secretário de Estado do Turismo fazem de conta que não dão por nada, inebriados por auto intitulados “Projectos de Interesse Nacional”(???) que mais não são que modo de vender lotes de terreno, vivendas e outros produtos afins do sector da “imobiliária turística”, ramo subsidiário da construção civil, que nada tem a ver com a Indústria do Turismo.



É legítimo o anseio de qualquer um à sua segunda, terceira, quarta, etc. habitaçãozinha. Mas, por favor, não chamem a isso Turismo - a expressão “turismo residencial”, de tão inapropriada, desajustada e desadequada ao que se pretende encobrir com ela, chega a ser obscena!



Nós não merecemos isto. O futuro do país, as suas novas gerações, não merece(m) isto!


Excerto de um editorial da Revista Café Portugal
que pode ler na íntegra aqui



(Rui Dias José)

Sentido das Letras





Blogs fazem pessoas escreverem pior, diz Saramago

O Nobel português, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu no seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet "está a escrever-se mais, embora pior".

"A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena preocupar-se com a qualidade do que se escreve", disse Saramago num entrevista ontem publicada pelo jornal argentino "Clarín".

"Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance", completou o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro num encontro com bloggers aberto a internautas de todo o mundo no próximo dia 25 em Lisboa.

Quanto ao seu blog, o escritor disse que não destina ao espaço "nenhuma ideia em particular", para depois expressar que "os sismógrafos não escolhem os terramotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".

"Aqueles que me lêem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado", reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.

O autor de "O Evangelho segundo Jesus Cristo" também sustentou que não teve de lidar com a situação de criar textos que tivesse medo de publicar, e avaliou que "se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve".

(MSN-NOTÍCIAS)

21/06/2009

DECISÕES ESPECIAIS







Um grupo de economistas acaba de vir a público propor "uma reavaliação profunda dos megaprojectos públicos no sector dos transportes, das suas prioridades e calendários". O conjunto de renomados economistas não é contra - ou sendo-o não o diz abertamente - aqueles projectos. Mas duvida da oportunidade, quer uma reavaliação.

Numa época de eleições, não pode evitar-se notar que a maioria destes economistas pertence maioritariamente a um mesmo partido ou com ele colabora. Será injusto notar que grande parte é do PSD, alguns ex-ministros, ao mesmo tempo que também há entre aqueles economistas gente que já lidou com o PS ou independentes que se reconhecem na área social-democrata, esteja ela representada pelo PS ou pelo PSD? Também não pode deixar de se notar que entre os signatários há alguns responsáveis pelo marasmo da nossa economia, pela forma como nunca fomos capazes de igualar o crescimento europeu, gente que tendo tido o poder não logrou conduzir o país a resultados melhores do que os conhecemos há largos anos. Nem por isso, porém, o alerta destes economistas deve ser posto de lado. Gente de elevada craveira académica propõe que se estude mais, se analise melhor, se perceba bem se este é o momento para avançar.

Para o eleitorado que vai ser chamado a escolher um novo Governo dentro de meses, este apelo é difícil. Ele contraria o que o Governo tem como certo, ainda que, por exemplo no caso do TGV, o Governo tenha feito com que os prazos de uma decisão caibam ao próximo Governo, precisamente ao que vier a ser escolhido em próximo acto eleitoral. Contrariando o Governo, este apelo cola melhor com o que tem dito alguma oposição, nomeadamente a oposição protagonizada por Manuela Ferreira Leite que, honra lhe seja feita, foi a primeira a dizer que "não há dinheiro para nada".

É por isso que este apelo deverá ter um destinatário certo: o presidente da República, cuja isenção não se contesta. Um estudo patrocinado pela Presidência da República poderia e deveria mostrar aos portugueses a nossa real situação. O presidente deveria promover um grande debate nacional com gente do Governo e de todas as oposições, ser ele mesmo o árbitro desse confronto de ideias, cujo principal objectivo seria o dar a conhecer aos portugueses, antes da eleição do próximo Parlamento, a verdadeira situação do país e a oportunidade de algumas opções. Se vivemos uma crise única, deveríamos ter comportamentos especiais. E um debate desses, difícil de pôr de pé, é certo, seria um momento exemplar em que o país se poria a pensar. Depois, votaria. Acresce que o próprio Cavaco Silva corre o risco, até pelo seu estilo de intervenção, de ser injustamente integrado no rol dos que fazem política partidária. O tom enigmático dos seus discursos, que necessita das interpretações que sobre eles fazem o prof. Marcelo, nas suas missas dominicais, e outros políticos que são parte interessada na própria interpretação das palavras do presidente, esse tom não é adequado ao momento presente. É preciso gente que fale claro e fale verdade. Duas pessoas podem ter, ambas de boa fé, duas opiniões. Distintas. Mas a crise não permite erros e o cidadão eleitor precisa de ser esclarecido. Ninguém melhor do que o presidente da República para mediar essa grande sessão de esclarecimento que este grupo de economistas aconselha e o país certamente necessita.



ENTRE A CERTEZA E A CONTINGÊNCIA

Entre a certeza e a contingência
por Baptista-Bastos




Há anos, num semanário que por aí se publica, José Sócrates declarou, crudelíssimo e terrível: "Sou um animal feroz." A frase não permitia a mais exígua nesga de bondade. O homem queria apresentar-se à puridade com o estofo de um lutador indomável e o estilo de quem não hesita no uso do ditirambo. Foi gozado. Os gozadores esqueciam-se, ou ignoravam, que o exercício da política obedece a círculos concêntricos. Cedo, enfiaram a viola no saco. Com idêntica plenitude incensaram-no de rosa e levaram-no em ombros.

A Imprensa precisa sempre de vítimas e de carrascos, de santos com defeito e de heróis evasivos. Uns e outros fazem as primeiras páginas e alvoroçam os leitores. A vida dos jornalistas é uma triste configuração do Sísifo mitológico. A vida dos leitores é uma melancolia privada. Ambos rejubilam com um escândalo, por modesto que seja, ou com uma frase que passeie, desgarrada, por aqui ou por ali. Durante vinte e quatro horas, o bulício anima-os.

Sócrates beneficiou da reservada simpatia de profissionais da Comunicação que viam nele um Jacob a amarinhar pelas escadas, a caminho de um novo céu socialista. Falava desenvolto; enfrentava, empertigado, opositores, adversários e recalcitrantes; vestia caro, bom e bem; parecia não ter medo da força que apregoava. Varreu do léxico palavras e expressões presumivelmente associadas à ideia de compromisso. E também varreu a voz da rua, a angústia da rua, o drama da rua. Foi muito elogiado pelos grandes patrões, homens calculados, infalíveis e devotos.

O Governo dele tem sido este filme barato e negro, desprovido da tirania das emoções, frio, inclemente e rude. Sacudido pela derrota nas "europeias", fechou a cara e, sem impaciência nem tolerância, logo garantiu não "mudar de rumo." Eis o "animal feroz", cuja indiferença pelos outros é mais do que pejorativa. E aqueles que o julgam caído por terra, comentadores de prosa com mau hálito, abjurantes de nascença, já preparados para a viragem - que se acautelem. Para sobreviver às legislativas ele irá cerzir, aqui e ali, os rasgões provocados nesse tecido absurdo e espúrio, a que chamou "socialismo moderno" e, ligeiro e feliz, dirá "alguma coisa de Esquerda", também ela feliz e ligeira.

Deixem correr o tempo. O tempo é mais importante do que aquilo que com ele fazemos. Temos de reconhecer este facto para admitirmos que um homem cercado, como ele foi e tem sido, não cede com facilidade. Demais, Sócrates está inebriado de poder, e os que desse poder beneficiam não estão dispostos a dispensá-lo. Les jeux sont faits. Sócrates é, para eles, uma certeza; os eventuais outros, uma dúvida e uma contingência.



UM "INSULTO" QUE É UMA LIÇÃO PARA A VIDA

Um 'insulto' que é uma lição para a vida
por Ferreira Fernandes


A África do Sul está a organizar a Taça das Confederações com equipas de todos os continentes. Pelo que já se viu, as oito selecções não darão grandes lições de futebol. Mas os jornalistas presentes, vindos de todo o mundo, tiveram direito a um curso intensivo sobre jornalismo. Ou, melhor, receberam esta lição básica para qualquer homem que queira entender o que o rodeia: não saber, é mau; mas não saber e julgar saber é muito pior.

Tudo começou no jogo de abertura, África do Sul-Iraque. As atenções centravam-se na equipa da casa, que vai ser hospedeira do próximo Campeonato Mundial, já para o ano. Não foi bonito de se ver, a África do Sul não é no futebol o que é na produção de ouro ou no râguebi - uma potência mundial. Sem estrelas e sem fio de jogo, foi uma desilusão.

Como não havia táctica de losango digna de estudo nem médio ala que encantasse, começou a perfurar pelos jornalistas fora aquilo que dorme no interior de todos eles: o sociólogo. O que os jornalistas viram e ouviram, no relvado e nas bancadas, levou-os a uma conclusão dolorosa.

Entre os bafana bafana, os futebolistas da selecção sul-africana, entre aquela maré negra, destacava-se o defesa central Matthew Booth. Além do seu 1,98m (o mais alto da equipa) e da sua cabeça brilhante de rapada, era o único branco da equipa. Os olhos dos jornalistas notaram também que, nas bancadas, a supremacia dos negros sobre os brancos ultrapassava a relação de oito para um, que existe no país. Na África do Sul, o râguebi é a paixão dos brancos e o futebol, a dos negros.

Ora a esses dados visuais juntava-se um som: buuuuuuuuuuuu! De cada vez que os jornalistas viam o defesa central branco tocar na bola, viam também os espectadores alarmarem-se e deles vinha aquele som intenso que em todos os estádios é considerado insulto, vitupério, xingadela. O claro desaforo de que o pobre atleta branco era alvo por parte da multidão negra era sublinhado pelo uso barulhento dos vuvuzela, as trompetas feitas de corno dos veados kudus.

Booth estava a ser sujeito à mesma receita racista, com troca das cores, que certos estádios espanhóis reservam a Eto'o, o avançado camaronês. No dia seguinte ao jogo, os jornalistas europeus assinalaram o intolerável gesto. Anteontem, a questão foi posta ao próprio: deve custar-lhe muito ouvir aquele "buuuuuuu!" da multidão... Mas, para espanto de todos, Matthew Boot deu um gargalhada: "Mas que insulto?!" E explicou: buuuuuu! é o grito que prolonga o seu nome, Booth. Não é insulto, é incentivo. Ele, que foi capitão da selecção de esperanças e dos sub-21, é o mais popular e querido jogador dos bafana bafana.

E a esta confusão negra e branca os jornalistas acrescentaram um sorriso amarelo.


19/06/2009

A LIBERDADE DELES ...





----A liberdade deles....

2009-06-05

A democracia portuguesa está mal. O sistema partidário, como um todo, fenece. Quando os partidos representados na Assembleia da República não são capazes do consenso necessário para eleger o Provedor de Justiça e obrigam Nascimento Rodrigues a manter-se no cargo, contra a sua vontade e o seu estado de saúde, quase um ano transcrito após a cessação do seu mandato, uma coisa fica clara - estes partidos não servem a Nação. Estes partidos não defendem o interesse nacional. Estes partidos não se preocupam com o povo. Pelo contrário, ocupam-se, isso sim, nos seus jogos de poder, em mesquinhas disputas, características da baixa política. Basta ver a forma como o prof. dr. Vital Moreira, a quem se exige seriedade académica, honestidade intelectual, rigor científico, dispara a torto e a direito e ataca, chinela no pé, o PSD, afirmando que "todos aqueles senhores" que, no BPN, utilizaram "a economia para efeitos puramente criminosos" são, "certamente por acaso e só por acaso, figuras gradas do PSD"; e, por isso, intima o dito a pronunciar-se "sobre a roubalheira do BPN". O rigor do constitucionalista perdeu-se, descidas as escadarias da Universidade de Coimbra, na pressa de apanhar o avião para Bruxelas. E nem se lembra, o candidato Vital, que quem tem Freeports de vidro devia ser mais comedido nas bojardas. Triste do povo a quem propõem tais tribunos.

Mais triste, ainda, o povo a quem, um outro senador, também do PS, quer obrigar a votar porque a democracia (deles) "precisa de mais (…) participação eleitoral para ser uma democracia útil, genuína e sólida". Eis uma reveladora falácia. Temente da falta de representatividade dos que não sabem ou não querem servir o povo, César propõe-se penalizar "em termos fiscais ou em termos de benefícios ou acesso a serviços públicos" os cidadãos que não votem, e não apresentem "uma justificação adequada". Chocante. Persecutório. Assustador. Claro que tudo isto faz sentido num país em que o primeiro-ministro perde tempo a processar jornalistas, enquanto na Entidade Reguladora para a Comunicação Social há quem defenda uma "reprovação clara e substantiva" da forma como Manuela Moura Guedes apresenta o jornal nacional da TVI dada a sua "linguagem gestual e facial (…) que inclui trejeitos, risos irónicos, e outras formas de expressão não verbais" e assim "atenta contra o rigor da informação".

Talvez todos estes atentados à saúde da democracia nos fossem mais leves se a canção dos Xutos, "Sem eira nem beira", passasse na Rádio. Mas não passa. Claro que o facto da cantiga se ter transformado numa espécie de bandeira anti-Sócrates não é para aqui chamado. Ainda bem que vivemos em liberdade.



17/06/2009

STRAVINSKY







s t r a v i n s k y


(1882-1971)


Igor Fiodorvitch Stravinsky nasceu em Oraniembaum (Rússia), perto de São Petersburgo, a 17 (5 pelo antigo calendário) de junho de 1882. Filho de um conhecido cantor da ópera imperial de São Petersburgo, educou-se em excelente meio artístico e cultural.

Apesar da precoce vocação para a música, foi encaminhado para o curso de direito. Conheceu então o filho de Rimski-Korsakov, passando a estudar com esse último. Em 1905 abandonou a universidade. Ouvinte entusiasmado de suas primeiras obras, Diaghliev convidou-o a colaborar nos balés russos, para os quais compôs O pássaro de fogo, cuja apresentação em Paris (1910) lhe abriu o caminho da celebridade.

Alcançando outro sucesso com Petrouchka (1911), causou escândalo em maio de 1913 com A sagração da primavera. A I Guerra Mundial levou-o a mudar-se para a Suíça, voltando à França em 1919. Nessa época, apresentou-se freqüentemente como pianista e regente, enquanto como compositor se voltava para a pesquisa da tradição clássica européia.

Em 1939 perdia a mãe e a primeira mulher, ao mesmo tempo que o início da II Guerra Mundial o fazia trocar a França pelos Estados Unidos. Nesse país casou-se (1940) com Vera de Bosset e trabalhou durante mais de trinta anos. No começo da década de 1950, encontrou um amigo dedicado na pessoa do jovem regente Robert Craft, que lhe despertou o interesse pela música serial.

Em 1963, após quase meio século de afastamento, Stravinsky visitou a então União Soviética, recebendo carinhosa acolhida do povo russo. Stravinsky morreu em Nova Iorque, a 6 de abril de 1971.

Afirmando-se, ao lado de Bartók e Schönberg, como um dos compositores de maior significação na primeira metade do séc. XX, Stravinsky distingui-se entre seus contemporâneos pelo caráter multiforme, tanto de sua produção, quanto de suas diretrizes estéticas, que refletem as mudanças de meio e vivência sócio-cultural do seu cosmopolitismo.

À medida que se 'desenraíza', que se diversifica em variadas fontes de matéria-prima, cada vez mais seu interesse se concentra no valor da forma, da arquitetura musical, a que traz contribuições vigorosamente renovadoras.

Passando, no mínimo, por três fases bem demarcáveis - a da música de fundo russo, ligada à cooperação teatral com Diaghilev; a do chamado estilo neo-clássico, norteada pela revalorização criativa de princípios e autores da música européia do séc. XVIII; e da adesão do serialismo weberniano - Stravinsky sustenta e desenvolve em todas elas, como em seus muitos trabalhos de transição, a mesma preocupação de reordenar a arte musical e enriquecê-la com novas técnicas e perspectivas.

Sua imaginação é tão forte quanto sua racionalidade. Propõe-se, antes de tudo, dominar, num processo de depuração e de síntese, os elementos contrastantes de sua experiência, ao mesmo tempo eslava e ocidental.

Stravinsky consegue concretizar esse projeto. De um lado, na atitude anti-romântica, mas rebelde, em que promove a fusão do bárbaro e do moderno, do exótico e do universal; de outro lado, principalmente do Édipo rei (1927) e da Sinfonia dos salmos (1930) em diante, pela solene dualidade greco-romana de seu caminho para a religião, o catolicismo.

Entre uma e outra orientação, tornam-se mais inteligíveis as razões do período em que se volta para a polifonia pré-clássica e, em particular para Pergolesi. Recuará ainda mais, até a música do séc. XIV, para estruturar a sua surpreendente missa de 1948.

Defendendo a completa funcionalidade da técnica que requer um novo tratamento para cada obra, Stravinsky alcança admirável domínio artesanal, implanta novas combinações instrumentais, conduz um fluxo melódico que incorpora tudo, desde o folclore russo à liturgia da Igreja romana, alarga o espectro de possibilidades da harmonia tonal e confere ao ritmo um relevo extraordinariamente fértil para o desenvolvimento da música contemporânea.

Com sua pluralidade, sua força de tantos entrechoques e contradições, Stravinsky encarna em sua música uma súmula viva das crises e transformações que sacodem o mundo até hoje.

Nenhuma obra de Stravinsky é mais conhecida do que A sagração da primavera. Compreende-se a perplexidade dos primeiros ouvintes desses 'quadros da Rússia pagã': a aparente violação de toda a sintaxe musical, a aspereza politonal e do intenso cromatismo das dissonâncias, a poliritmia, o selvagem acento percussivo, a energia vulcânica do colorido orquestral, pareciam desmantelar tudo o que se consagrara de teoria e harmonia musical. Mas o fascínio da obra, que permanece, acentua-se na identificação aparentemente paradoxal do que sugere o tumulto da vida moderna, com suas máquinas e explosões; nesse sentido, é a recriação sonora do encontro de dois extremos, o primitivo e o contemporâneo.

Na ópera alegórica O rouxinol (1914), Stravinsky satiriza a mecanização da vida moderna. Inscrevem-se na mesma fase a ópera cômica Maura (1921) e o bailado As núpcias (1923), que explora o folclore dos camponeses russos. Diferente, e de difícil classificação, é A história do soldado (1918), inspirada no teatro ambulante e popular da Rússia. Concebida como uma espécie de pantomima fantástica, com narrador e orquestra no palco, reitera a crítica do compositor à era das máquinas.

A fase neo-clássica já se manifesta em Pulcinella (1919), bailado baseado em melodias de Pergolesi. Mais característico ainda é o Octeto para instrumentos de sopro (1923). Mas é a partir do modelo de Händel que Stravinsky realiza seu Édipo rei, oratório de grandiosa beleza trágica, com texto em latim, de Cocteau. Em Apollon Musagete (1928), a expressão neo-barroca, de frieza clássica, parte das formas puras da dança.

Trabalho culminante dessa segunda trilha stravinskyana, A carreira do devasso (1951) reúne motivos de Händel, de Mozart, e do canto italiano. A ópera inspira-se em quadros de Hogarth e dá a medida da relação entre as incursões históricas do autor e sua virtuosidade de estilo.

Até a religiosidade sincera da Sinfonia dos salmos, Stravinsky compôs diversas obras importantes, como o Rag Time (1918) para 11 instrumentos, sob a influência do jazz; a Sinfonia para instrumentos de sopro (1920); a ópera O beijo da fada (1928). Vem depois o sereno melodrama Perséfone (1934), com texto de André Gide; o Concerto para orquestra de câmara em mi bemol maior (1938), em que Stravinsky integra o estilo de J.S.Bach, prestando-lhe homenagem; a Sinfonia em dó maior (1940) e a Sinfonia em três movimentos (1945); o bailado Orfeo (1947).

A religião vai confluir, pouco a pouco, para o dodecafonismo, através do Canto sacro em honra do nome de São Marcos (1956), Threni (1959), Um sermão, uma narrativa e uma prece (1961), etc. De influência decisiva nas diversas correntes da música atual, Stravinsky escreveu uma auto-biografia (até 1934), Crônica de minha vida (1935), Poesia musical (1946) e vários livros em colaboração com Robert Craft.



16/06/2009

MENTES BRILHANTES






--Mentes brilhantes

Ou muito me engano ou já faltará pouco para ouvirmos falar do risco da estabilidade do regime se as esquerdas continuarem a contrariar nas urnas este conceito de democracia a dois. Uma maçada, isto das insignificâncias se tornarem significantes

8:48 Segunda-feira, 8 de Jun de 2009

Não sei se já repararam, mas Portugal tem, desde o último domingo, um problema de "ingovernabilidade".Ao contrário do que seria de supor, o problema de "governabilidade" não é decorrente da hecatombe eleitoral do PS nas "europeias". Ao que parece, nem sequer resulta das trapalhadas em que os socialistas se meteram ao longo deste tempo. Nem - já agora - da identidade que perderam, se é que alguma vez a tiveram.O problema da "ingovernabilidade" muito menos decorre da vitória do PSD nas eleições europeias. Nem da memória do seu registo recente de passagens pelo Governo.
Habituados a considerar "governabilidade" o dois-em-um em que os partidos "do arco do poder" vão gerindo a estafada vidinha pública em Portugal desde os primórdios da democracia, o habitual desfile de comentadores vê o risco de "ingovernabilidade", isso sim, na subida "preocupante" de uma denominada "esquerda radical".

Pela voz de alguns opinadores de serviço - a este respeito, as noites eleitorais são uma visita guiada à variedade da fauna - ficamos, pois, a saber que o facto do Bloco de Esquerda e a CDU terem ultrapassado os 20 por cento de votos é que é potencialmente perigoso para a democracia. A democracia, essa, é que continua a não fazer caso de sondagens e opinadores e lá vai aparentando, pelo menos nos votos expressos, uma aparente tendência para chatear.

Confesso que não sei como pode ser ingovernável algo que ainda não se conhece. Neste capítulo, muitos dos nossos comentadores não se distinguem de um conservador empedernido: preferem um mal que conhecem a um bem desconhecido. Na verdade, passam o tempo a desancar os governos que temos, os partidos que temos, os políticos que temos, os escândalos que temos e a democracia que não temos. Mas na hora em que paira no ar a possibilidade de um novo panorama político condicionar seriamente a paz podre do regime, multiplicam-se os alertas sobre os perigos da "ingovernabilidade".

Quer isto dizer que a "ingovernabilidade" só é capaz de ser uma coisa boa se tiver a aparência de governabilidade. E incluir os habituais protagonistas da chamada "alternância de poder". Governável ou não governável, o País dos nossos opinadores aguenta bem o bloco central de facto ou qualquer conveniência de regime. Pelos vistos, o que não suporta mesmo é ter de lidar com algo que possa estragar o arranjinho mais duradouro da nossa democracia.

Ou muito me engano ou já faltará pouco para ouvirmos falar do risco da estabilidade do regime se as esquerdas continuarem a contrariar nas urnas este conceito de democracia a dois. Uma maçada, isto das insignificâncias se tornarem significantes.

AVISO E SINAL







Aviso e sinal


O resultado das europeias representa um aviso e um sinal de mudança que poderá ou não confirmar-se nas legislativas
10:55 Terça-feira, 9 de Jun de 2009

O PS perdeu as europeias, superando as piores expectativas, e o PSD ganhou-as, superando as melhores. O PS perdeu - e para todos. Mas se todos, de alguma forma, ganharam, há dois partidos cujos resultados são particularmente relevantes e terão maiores consequências:

Primeiro, o PSD, por: a) ter sido, em absoluto, o vencedor, por uma margem acima quase do imaginável, mesmo à luz das sondagens e projecções, conquistando, pela primeira vez, nos últimos quatro anos, o "estatuto" de partido com hipótese de ser o mais votado, e por isso alternativa de Governo, nas legislativas de Setembro; b) tornar indiscutível e consolidar uma liderança periclitante e internamente contestada, sem prejuízo das naturais tréguas neste período eleitoral - sendo assim Manuela Ferreira Leite a principal vencedora deste sufrágio, até na escolha do cabeça de lista, Paulo Rangel, que foi uma aposta inteiramente ganha;

Segundo, o BE, por: a) ter sido o partido que mais cresceu, alcançando o melhor resultado de sempre - o único nestas condições -, mais do que duplicando a sua percentagem de votos em relação às anteriores europeias e passando a ter, pelo menos, dois eurodeputados em vez de um só (no momento em que escrevo ainda falta apurar um deputado); b) ser já a terceira maior força política, embora ombro a ombro com o PCP, capitalizando o óbvio descontentamento dos portugueses com os políticos e os partidos, de que procura ou aparenta ser, em certos aspectos, diferente, o que lhe continuará a dar dividendos.

Quanto ao PCP, que tem resistido a todas as agonias ou mortes anunciadas, ganhou por ter aumentado o número de votos e a percentagem em relação a 2004, mantendo dois deputados, apesar da diminuição global da representação portuguesa no Parlamento Europeu.

Já o CDS só ganhou na comparação entre o resultado que conseguiu e os valores mínimos que as sondagens lhe davam (não é possível comparar os resultados de agora com os de 2004, pois o ex-PP concorreu então coligado com o PSD), assim continuando a assegurar um certo lugar no tradicional xadrez da política à portuguesa; mas, ao mesmo tempo, passou a ser o quinto e último entre os partidos com representação parlamentar, sendo um pouco ridículo que Paulo Portas, uma vez mais, logo se tenha posto em bicos de pés e anunciado a apresentação de uma moção de censura ao Governo!


LEIA TUDO AQUI



14/06/2009

A L V I T O - 6ª FESTA DO BARÃO - 27 DE JUNHO






PROGRAMA

Falcoaria, malabarismo, actores, música, demonstração de combates, declaração poética às damas, rábulas e jogos de destreza com o público.

17h00 – Chegada do Barão, da Esposa, Filho e restante séquito (músicos, actores, recreadores e figurantes locais) – pequeno desfile;

- Na Praça da República fará um pequeno discurso de abertura
(tem início o acampamento, jogos infantis, pequeno mercado, música, malabarismo);

17h30 – Demonstração de Falcoaria;

18h00 – Passo de Armas – demonstração de combates;

18h30 – Visita às Tendas Vivas;

19h00 – Retiro do Barão e do seu Séquito;

20h30 – Recepção dos convivas do Banquete em Honra da Baronia de Alvito;

20h45 – O Barão dá início ao Banquete

(até por volta das 24h00); Animação Permanente

Inscrições para o banquete no Posto de Turismo até dia 20 de Junho

Telefone: 284 480 808

EMENTA

1ª Tenta

Beringelas recheadas com Ovos e Cheiros verdes

2ª Tenta

Lentilhas guisantes com Fumeiro de Carnes

3ª Tenta

Galináceos afogados em Mostarda e Mel, guarnecidos com Cerejas e Pêras embriagadas

4ª Tenta

Salada da Horta em base de Melão com Queijo fresco, seus Adubos e Mel

5ª Tenta

Lombo de Suíno com Gengibre acompanhado de Couves do Lameiro com Cominhos e de Castanhas com Erva-doce

6ª Tenta

Manjar de Maçã com Noz, Mel e Canela em Caixa de Massa

7ª Tenta

Melancia com ralado de Queijo de Cabra

(Tudo acompanhado de Vinhos da Baronia, Água (da Fonte dos Barões) e Groselha )


SAUDADES DO ALENTEJO




Sou filho da terra quente,
das searas, do montado …
Trago das canções dolentes,
o passo cadenciado.


Saudoso das leiras trigo,
vivendo em terra emprestada,
nas longas noites sem sono,
perdido neste abandono,
vou desfiando comigo,
contos perdidos na estrada …


Tenho na pele marcados
os traços de mil suões,
e os olhos tristes, magoados,
que eu herdei dos ganhões.


Guardo raízes profundas
dum campo velho, cansado,
onde mesmo em tempo agreste,
nascia uma flor silvestre,
naquelas terras fecundas,
de Alentejo ignorado.


Eu nasci p’ra lá do Tejo,
guardo da terra a lembrança …
Eu pertenço ao Alentejo,
que me conheceu criança!


Voltarei um destes dias,
com um bando de pardais …
hei-de voar pelos montes,
beber as águas das fontes,
cantar velhas melodias,
e embebedar-me em trigais.


Orlando Fernandes in Fronteiras do Sonho


13/06/2009

Paula Rego no top 200 dos artistas do século XX






Paula Rego é o único nome português constante de uma lista dos 200 artistas mais importantes do século XX até agora divulgada hoje na edição online do "The Times" e elaborada com base nos votos dos leitores do jornal.

A pintora, há muitos anos a viver na Inglaterra, figura em 142.º lugar na lista, que é liderada por Pablo Picasso, seguido de Paul Cézanne e de um artista muito diferente, Gustav Klimt.

Aos três artistas mais votados seguem-se o impressionista Claude Monet, o pai da arte conceptual, Marcel Duchamp, o grande rival de Picasso, Henri Matisse, o expressionista abstracto norte-americano Jackson Pollock, o pioneiro da "pop art", Andy Warhol, o também expressionista Willem de Koonig e o abstraccionista radical holandês Piet Mondrian, que ocupa o décimo lugar.

Georges Braque, o outro mestre do cubismo, ao lado de Picasso, aparece em décimo quarto lugar, atrás, por exemplo, de Francis Bacon (12) e Robert Rauschenberg (13), mas muito à frente de Juan Gris (64).

Por seu lado, a mexicana Frida Kahlo figura na décima nona posição, antes de Paul Klee (21), Alberto Giacometti (25), Salvador Dalí (26) e o escultor Auguste Rodin (27).

A lista contém inesperadas escolhas, tal como a de um artista alemão provocador, iconoclasta e pouco conhecido do grande público - Martin Kippenberger - que ocupa a vigésima posição, quando Joan Miró figura na septuagésima quarta.

Também à frente de Miró, tal como de Marc Chagall (71) e de Modigliani (58), estão os britânicos Tracey Emin (a artista da cama suja e desfeita) e Damien Hirst, o dos tubarões em formol, nos 52.º e 53.º lugares, respectivamente.

O jornal lançou o desafio aos leitores há 16 semanas e recebeu, para a elaboração da lista, um milhão e 400 mil votos.

(Revista País Positivo)

11/06/2009

PIRATARIA - FAZER UM DOWNLOAD É ROUBAR ?


Pirataria

Fazer um download é roubar?

João Pedro Pereira

Um filme todas as semanas e uma série de televisão por mês - Tiago, 27 anos, gestor comercial, diz ser esta a média de conteúdos pirateados que descarrega da Internet. Houve uma altura em que fazia mais downloads. "Uns cinco filmes por semana." Agora, já não tem tempo para tanto.

Tiago não tem problemas em ser considerado um "pequeno pirata". Só compra filmes e séries nos casos raros em que o preço é convidativo ou quando os extras do DVD compensam o gasto. Na maior parte das vezes, a escolha cai no manancial de conteúdo gratuito disponível online. A Tiago as questões legais e morais não pesam na consciência: "Sinceramente, estou-me a borrifar para as leis."

Não falta quem defenda que a Internet devia ser um espaço de mais liberdade: nestas eleições europeias, o Partido Pirata, da Suécia, conquistou sete por cento dos votos naquele país e conseguiu um lugar no Parlamento Europeu. A agenda política do partido consiste apenas em tentar alterar as leis relativas aos direitos de autor, promover uma menor vigilância da Internet e abolir o sistema de patentes (a Suécia é também o país de origem dos criadores do Pirate Bay, o mais conhecido site do mundo para partilha de ficheiros online).




LEIA TUDO AQUI


ANTÓNIO BARRETO



Os portugueses precisam de quem dê o exemplo

LEIA TUDO AQUI


EPITÁFIO PARA LUÍS DE CAMÕES

--
Epitáfio para Luís de Camões
por José Saramago



Que sabemos de ti, se versos só deixaste, Que lembrança ficou no mundo que tiveste?Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos,Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?

Estas quatro perguntas foram retiradas do livro "Os Poemas Possíveis", publicado em 1966. Até hoje, mais de quarenta anos passados, ainda não lhes encontrei resposta. Talvez nem a tenham. Escrevo isto em 10 de junho, aniversário da morte do autor de Os Lusiadas, livro fundamental da literatura portuguesa. Camões morreu pobre e esquecido, embora hoje os escritores em língua portuguesa vivam como uma honra única receber o Prémio que leva o seu nome.


10/06/2009

BE EXIGE SUSPENSÃO DO REGULAMENTO...


BE exige suspensão do regulamento de afixação de propaganda da autarquia do Porto
10.06.2009 - 17h20 Lusa
O Bloco de Esquerda exigiu hoje a "suspensão imediata" do regulamento da Câmara do Porto que proíbe a afixação de propaganda "em grande parte da cidade", depois de um parecer do provedor de Justiça ter considerado que "pelo menos uma norma [do regulamento é] inconstitucional".

"O parecer do provedor é de tal forma contundente e clarividente que não deixa margem para dúvidas de que a Câmara do Porto está em situação de ilegalidade", afirmou o dirigente nacional do Bloco de Esquerda (BE) e candidato à autarquia portuense, João Teixeira Lopes.


LEIA MAIS

HOMENAGEM A SALGUEIRO MAIA É "ENVERGONHADA"




10 de Junho
Homenagem de Cavaco a Salgueiro Maia é "envergonhada"
por Lusa Hoje

O investigador António Sousa Duarte criticou hoje o presidente da República por ter homenageado Salgueiro Maia, vinte anos depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão, considerando que a homenagem de hoje é "envergonhada, tímida e sem chama".

Para António Sousa Duarte - autor de uma biografia sobre aquele capitão de Abril, intitulada "Salgueiro Maia - Um homem da Liberdade" -, a homenagem de hoje de Cavaco Silva ao capitão de Abril é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro".



Em declarações à agência Lusa, António Sousa Duarte considera que, embora não se pedisse hoje ao Presidente da República que fizesse um "pedido de desculpa" em relação ao que fez há 20 anos - quando, enquanto primeiro-ministro, recusou a atribuição de uma pensão àquele capitão de Abril - ter-lhe-ia "bastado, com humildade, dizer que, em circunstâncias análogas, não faria o que fez há 20 anos".

Para o investigador, a homenagem de hoje do Presidente da República a Salgueiro Maia é a "assumpção" e o "reconhecimento" de "um erro".

O autor da biografia de Salgueiro Maia afirmou que "de homenagens póstumas está Salgueiro Maia farto".

Sousa Duarte disse também que a homenagem de hoje do Presidente da República foi "tenuamente anestesiada", o que "prova" que "continua tudo como dantes".

Em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão que tinha sido pedida pelo capitão de Abril pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país" devido à sua participação no 25 de Abril, para a qual nunca obteve resposta, segundo declarações da viúva de Salgueiro Maia.

Aliás, a opinião de António Sousa Duarte contrasta com a da viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia que, em declarações ao jornal Público relativizou a controvérsia da não atribuição de pensão ao marido.

Natércia Salgueiro afirmou ao jornal Público que não seria "altura para entrar em polémicas".

A recusa ou a falta de resposta ao pedido de Salgueiro Maia só vieram a público três anos depois quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política.

Só em 1995, já com António Guterres como primeiro-ministro, Salgueiro Maia viria a receber uma "pensão de sangue".

ALVITO E BERNARDO NUNES

---Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção-- Foto e texto de Bernardo Nunes - O interior é composto por três naves, a central mais larga e alta, de 5 tramos, divididas por arcos de volta perfeita sobre robustos pilares octogonais de cantaria de mármore, bases também octogonais, fustes apresentando a meia altura anéis de decoração de folhagens, troncos e fitas e capiéis idênticos. Os braços do transepto abrem para a nave por arcos quebrados e para as naves laterais por arcos redondos.
Capela-mor coberta por abóbada de berço redondo de caixotões pintados e alçados revestidos a azulejos enxaquetados, monocromáticos, azul e branco; retábulo-mor em talha dourada, de estilo nacional, de 3 eixos, com tribuna larga contendo trono; nos eixos laterais, divididos por colunas espiraladas, decoradas com acantos, que se prolongam no ático em arquivoltas, unidas no sentido do raio, pequenos nichos; a capela-mor comunica, do lado do Evangelho, com a antiga Casa do Despacho e, do lado da Epístola, com a sacristia.







Mais uma vez tenho o prazer de apresentar BERNARDO NUNES na sua nova galeria sobre Alvito se bem que o seu trabalho fotográfico se estenda por todo o País e Estrangeiro.

Na verdade este último álbum é enriquecido pelos textos que acompanham as fotos.

Diz BERNARDO NUNES na apresentação deste trabalho:

"Dedico este álbum às gentes do concelho de Alvito.
Os testemunhos mais antigos que se conhecem da presença humana no concelho remontam ao neolítico, existindo vários vestígios que nos asseguram a presença do Homem durante a idade do cobre, a idade do bronze e a idade do ferro. A ocupação intensa levada a cabo pelos romanos fez-se sentir logo no início do século I, subsistindo ainda vários testemunhos desta presença, de que são exemplos as villae de S. Romão, de S. Francisco e Malk Abraão. Também visigodos e muçulmanos ocuparam estas antigas villae, dando continuidade à ocupação romana. Conquistada em 1234, em 1251 a povoação é doada a D. Estêvão Anes, chanceler-mor do reino, por D. Afonso III e pelos Pestanas de Évora. A partir desta data procede-se ao seu repovoamento, passando Alvito a ser uma povoação com dimensões consideráveis para a época. (Informação da Câmara Municipal de Alvito)"




Dada a importância desta obra na divulgação da nossa terra convido os Alvitenses e todos os meus leitores a visitar a referida galeria e a deixar os seus comentários.


Foto de Bernardo Nunes


Seguidores

Arquivo do blogue