02/05/2008

ALENTEJO...QUASE ESPANHOL



Alentejo...quase espanhol











«Com o trigo a atingir um valor recorde no mercado americano, todos os produtos alimentares que têm o cereal na sua composição vão também aumentar. Em Portugal, o pão já subiu e deve continuar a subir.»





As imensas planícies alentejanas levaram, durante anos, a que se apelidasse a região de “celeiro de Portugal”, pelas condições propícias à cultura do trigo, da cevada, da aveia. Antes eram searas ondulantes ao vento hoje são extensos olivais espanhóis.
As extensas planícies que conheci na minha infância cobertas de verde na primavera e doirado no verão, que permitiam ao nosso País não ser auto-suficiente, mas ter matéria-prima suficiente para suportar estas constantes subidas nos cereais nas principais bolsas do mundo, desapareceram e Portugal tornou-se, no inicio deste século, no maior importador de cereais do mundo livre. A PAC, o sonho num barco á deriva: planta-se vinha, retira-se girassol, planta-se oliveira, retira-se trigo, planta-se pinheiro retira-se vinha... planta-se golfe…dão-se subsídios …colham oliveiras…
A construção da barragem do Alqueva pouco trouxe de desenvolvimento a uma região que, cada vez mais, sofre com a desertificação. Em vez disso, sabemos hoje que estão planeados 15 hotéis de 5 estrelas, mais inúmeros campos de golfe e algumas infra-estruturas para possibilitar a alguns felizardos. O Canadá e os EUA reduziram a sua produção e lá andamos nós a pagar pelos erros de uma politica agrícola errada desde há muito. Mas a culpa não é só da política, os grandes latifundiários, senhores do Alentejo, exploradores do povo alentejano, conseguiram a barragem do Alqueva e em vez de investirem na agricultura começaram a vender os terrenos a espanhóis, holandeses e até árabes. Entre hotéis e olivais, o Alentejo vai sendo descaracterizado e nós, qualquer dia teremos que seguir o exemplo dos chilenos, que foram buscar a receita aos seus ancestrais incas e já começaram a produzir farinha de batata para fazer face à carência de cereais que importamos cada vez em maior escala….ou então fazemos como D. João I, vamos até Marrocos procurar os cereais para suprimir a nossa carência.

Tomei a liberdade de copiar este texto do blog Além...Tejo a pensar Mas vou dar conhecimento ao Autor.







11:25 PM

2 comentários:

Vieira Calado disse...

Pobres de nós que só vamos tendo jumentos a mandar nisto!
Obrigado pela sua lembrança do aniversário.
Um forte abraço.

De Amor e de Terra disse...

De todo o tempo que temos
ainda para viver
nosso País se faz menos
no que é de seu pertencer!...


Beijo da

Maria Mamede

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