28/01/2007

ALVITO - CONCELHO




ALVITO

A trinta e seis quilómetros de Beja, a sede do distrito, o concelho de Alvito é constituído por duas freguesias apenas: Alvito, a sua sede, e Vila Nova da Baronia, que até cerca de dois séculos se chamou Vila Nova de Alvito. Aqui vivem actualmente cerca de 2.650 pessoas, que se distribuem por uma área de duzentos e sessenta e um quilómetros quadrados. Banha parte do concelho a Ribeira de Odivelas.
O povoamento desta região é muito antigo, facto que pode ser atestado através do aparecimento de diversos vestígios arqueológicos. O próprio topónimo, que lhe dá nome, é de origem germânica.
Do património da vila, e porque em cada freguesia damos conta pormenorizada do principal, referimos apenas, neste espaço, o edifício que actualmente serve de câmara municipal. Foi construído em 1720, na parte sul da vila, e tem uma torre de relógio ameada com uma cúpula oitavada.
O concelho foi formado em 1280, através de foral concedido pela Ordem da Santíssima Trindade. D. Manuel I confirmou-o em 1516. Tudo começou, no entanto, antes, quando os concelhos de Évora e Beja doaram, em 1245, a Herdade da Villa de Alvito ao Chanceler Estevão Anes, que tratou de a povoar.
A principal actividade económica da população de Alvito é a agricultura. O sector primário, hoje como sempre, a fazer depender da sua rentabilidade os sucessos de toda uma prole de filhos de uma bonita terra.






FREGUESIA DE VILA NOVA DA BARONIA


Vila Nova da Baronia, inicialmente denominada Vila Nova de Alvito, sofreu ao longo dos tempos alterações no nome, tais como Vila Nova a par de Alvito, Vila Nova junto a Alvito ou Vila Nova junto a Viana. Estas designações mantiveram-se até ao séc. XVIII, altura em que tomou a designação final de Vila Nova da Baronia, por fazer parte do grande senhorio dos Barões de Alvito.
A referência mais antiga a esta vila data do séc. XIII. Foi fundada em terras doadas pelo concelho de Évora ao Chanceler-Mor de D. Afonso II, Estevão Anes, em 1257, o qual as integrou no seu couto de Alvito.
Em 1279 é testada pelo Chanceler à Ordem da Santíssima Trindade de Santarém. Foi este mosteiro que lhe concedeu o primeiro foral em 1280, documento que regula as relações entre senhores e indivíduos, estabelecendo obrigações e privilégios dos habitantes da localidade.
Em 1283, devido á polémica que surge entre os trinitários e D. Dinis, os frades abandonam o senhorio. Desta forma, em 1284, juntamente com Alvito. Vila Nova volta aos domínios da Coroa, sendo o foral confirmado pelo Rei em 1289.
Durante o reinado de D. João I, no ano de 1387, Vila Nova da Baronia foi doada, conjuntamente com Alvito, a Diogo Lopes Lobo, mantendo-se nesta família até à extinção das donatarias.
Vila Nova da Baronia constitui sede de concelho com autonomia administrativa e judicial até 1836, sendo testemunho disso o pelourinho que hoje se localiza na Praça da República. Nesse ano o concelho de Vila Nova da Baronia foi integrado no de Alvito, fazendo parte da diocese e comarca de Évora, integrava a provedoria de Beja, enquanto a nível jurídico se encontrava dependente de Alvito.
Admite-se a possibilidade de Vila Nova ter possuído castelo, embora hoje não restem vestígios de obras de defesa.
A vila foi igualmente de Judiaria, situada na actual Rua Prof. Egaz Moniz, bem como Mouraria.
Vila Nova da Baronia possui no seu centro histórico um património edificado significativo, que se traduz não só num conjunto de igrejas erguidas nos sécs. XVI e XVII, onde se destaca a imponência da Igreja Matriz, os azulejos seiscentistas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e os restos do magnífico revestimento fresquista da Igreja da Misericórdia, mas também em alguns apontamentos arquitectónicos que se podem descobrir ao percorrer as ruas da vila.
São também de muito valor o conjunto de ermida que circundam a vila: Sant’Águeda, S. Pedro e Santo António. À excepção de Sant’Águeda, as outras duas encontram-se numa completa ruína.
São também de destacar os belíssimos portais manuelinos, semelhantes na traça, divergindo apenas na decoração aplicada.
Seguindo a tradição religiosa, encontramos em Vila Nova da Boronia, três Passos, onde se apresentam as Estações da Via Sacra durante a procissão dos Passos do Senhor.
Tendo sido sede de concelho, Vila Nova da Baronia possui no Largo General Teófilo da Trindade, o edifício dos antigos Paços do Concelho.
Tudo isto inserido num casario que mostra ainda alguns exemplares de cariz popular, de fachadas simples ornamentadas com chaminés de ressalto.
Vale a pena visitar.

(Fonte: ANAFRE)

1 comentário:

maria antonia disse...

Gostava muito, de saber a história de Vila Nova, anterior a 1257.
Por familiares muito próximos, já falecidos, sei que um deles fez pesquisa sobre esta Vila, mas o resultado dessa pesquisa, ter-se-á eventualmente perdido. Penso que tamb+em foram consultados doc, na Torre do Tombo.
Parte do que me foi transmitido oralmente, refere, que o nome da povoação, Vila Nova- a exemplo do que terá sucedido com a maior parte,senão todas as povoações que apresentam esta denominação - se deve ao facto de ter sido construída de novo, por motivo de ter sido arrasada por um sismo que terá ocorrido no sec.XII ou XIII.
A povoação "velha" estaria situada, mais perto da ponte romana. E que teria existido um castelo - e que possivelmente estaria este castelo situado, no sítio, que dentro da vila é apelidado de CASTELO! O referido sítio, fica na realidade, no ponto mais alto da Vila Nova.
A povoação que existiria no tempo da ocupação romana - anterior à ocupação dos mouros - teria tido bastante importância.
É pena não demonstrarmos interesse na nossa história nem em investigarmos o nosso passado! Nem queremos saber da arqueologia, encarada como despesista....
Tenho pena de ter lido tão pouco da história de Vila Nova da Baronia, que parece ser muito mais interessante e mais vasta, do que a que apresentam...

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