24/09/2007

A Cantiga do Campo

foto de Aguinaldo Vera-Cruz



Porque andas tu mal comigo

ó minha doce trigueira

quem me dera ser o trigo

que andando pisas na eira

quando entre as mais raparigas

vais cantando entre as searas

eu choro ao ouvir-te as cantigas

que cantas nas noites claras


Por isso nada me medra

ando curvado e sombrio

quem me dera ser a pedra

em que tu lavas no rio


E falam com tristes vozes

do teu amor singular

aquela casa onde coses

com varanda para o mar


(e) por isso nada me medra

ando curvado e sombrio

quem me dera ser a pedra

em que tu lavas no rio



Gomes Leal

1884/1921

5 comentários:

Barão da Tróia II disse...

Um grande poeta esquecido, como tantos outros infelizmente, boa semana.

Sophiamar disse...

Um lindíssimo poema que nos faz lembrar o campo e esse alentejo dos meus encantos.
beijinhos

Paulo Sempre disse...

"(...) Já não vou ao rio lavar
Mas continuo a chorar
já não sonho o que sonhava
Se já não lavo no rio
porque me gela este frio
Mais do que então me galava (...)"

(Amália Rodrigues - lavava no rio lavava-) do livro "Versos"- Amália Rodrigues, Ed. cotovia 1997.

Quantas "Amálias" teriam ficado esquecidas nas planícies alentejanas?
Quantas...
Abraço
Paulo

O Chaparro disse...

passei p desejar bom resto de semanM COMPADRE.ABRAÇO

JOSÉ NEVES disse...

Palavras de grande beleza acompanhadas por uma imagem lindíssima.

Parabéns.

Abraço.

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