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29/06/2009

LUAR DE PRATA






Luar de prata

No poente calmo e doirado
Da planície longa que se avista,
O pastor dolente guarda o gado
Esperando a noite, sua visita.

Coaxam rãs pelas ribeiras,
Ouvem-se grilos em serenata,
Da choça o pastor se abeira
Por companhia um luar de prata.

Dormem os fiéis cães cansados,
De um cansativo dia de labor,
O rebanho descansa alimentado,
E pastor sonha desejos de amor.

Quando o luar desaparecer
O sol iluminar de novo a Terra,
O pastor acorda para viver
A vida que o dia a dia encerra.


Olinda Bonito - 04/09

19/10/2008

ALENTEJO ANTIGO

(Moita61-Flickr)



Secam as folhas nas videiras
Andorinhas partem aos bandos,
Acaba-se a faina das eiras
O Outono vem chegando.

Sentem-se os campos ausentes
No rasto que o arado esteira,
Lança-se à terra a semente
Nasc`a esperança na sementeira

Logo que a semente germina
O lavrador pensa e se anima,
Pensando ser próspero o ano,

Mas vem a seca e a geada,
Não há seguro, fica nada…
Resta no fim «Desengano».


10/08


OLINDA BONITO



(Moita61-Flickr)

27/03/2008

Estio

Simão César DÓRDIO GOMES - 1890/1976



A planície geme sob o arado
Que revolta sua solidão e paz,
Do lavrador, o suor abençoado
Rega a terra que o arado desfaz.

Na planície calada e ardente
Escaldante p`lo sol do Estio,
O pastor cansado, mas presente,
Guarda o gado com amor e brio.

Ouvem-se cigarras, cigarreando,
Com sua voz perturbando
O silêncio e a paz sentida,

E neste Alentejo dourado
Por searas, pasto e gado,
A terra enobrece e dá vida.


Olinda Bonito



03/08

20/11/2007

Os Sinos

foto de Jedons



OS SINOS

Soavam sinos alegremente
Repicando afinados,
E as pessoas da vila
Murmuravam:-é baptizado.

Tocavam sinos com doçura
Embalados no momento,
E as pessoas da vila
Murmuravam:-é casamento.

De semana ou ao domingo
Ouviam-se sem permissa,
E as pessoas da vila
Murmuravam:- hora de missa.

Nos dias santificados
Soavam entre a multidão,
E as pessoas da vila
Murmuravam:-há procissão.

Repicavam ligeiros
P`ra alertar o povo,
E as pessoas da vila
Murmuravam:-há algo novo.

Tocavam dolentes os sinos
Com um som sem igual,
E as pessoas da vila
Murmuravam:-é funeral.

Os sinos da minha vila
Tocavam de várias maneiras,
Soavam alegres ou tristes
Como palavras verdadeiras.



Olinda Bonito (11/07)

28/09/2007

Pastor

Pintura de Dórdio Gomes





Neste Alentejo dolente
Que no cantar se exprime,
Há sempre paixão ardente
No povo que se redime.

Pelos campos abrasados
As sombras são fugidias,
Para abrigar os pastores
Que vivem lá dia a dia.

No Inverno seus safões
Protegem do frio da geada,
P`ra que ao gado dos patrões
Não lhe possa faltar nada.


Ouvindo só os chocalhos,
Dias e horas sem falar,
Conhecem todas as aves
E aprendem o seu trinar.

O cão seu companheiro
Que o gado sabe guardar,
É o amigo verdadeiro
Que o ajuda a labutar.

Nas noites quentes de Verão
É maior o seu labor,
Assim que no céu aparece
« A Estrela do Pastor».

Sózinho pelos campos
Não sente dor,nem tristeza,
P`ra ele não há desencanto
Porque vive na Natureza.



Olinda Bonito (04/07)

03/08/2006

Caixa do Correio





CAIXA DO CORREIO


Olho pr`a ti
Que saudade!...

A nossa bela estação
Era a tua morada,
Recebendo as missivas
Da «moça enamorada».

Mas nem só o amor
Tu deixavas chegar,
A saudade e a tristeza
Também lá iam entrar.

Lágrimas de muita mãe
Escritas em letras puras,
Segredavam-te ao ouvido
Quanto a vida era dura.

Passaste por muita mão
Para atingir o teu fito,
Mas foste mais acarinhada
P`las mãos do sr. Quinito.

Por ti passaram anos
Quantos não sei contar,
Mas a nova tecnologia
Ocupou o teu lugar.

O correio em ti entrou,
O dos outros e o meu,
P`la tua linda idade
Hoje és peça de Museu.

Deves sentir-te orgulhosa
Por seres recompensada,
«MUSEU DAS TELECOMUNICAÇÕES»
A tua nova morada.




Olinda Bonito – 07/06

26/05/2006

A vila era longe... Era longe Alvito...





“A vila era longe… Era longe Alvito…”

Talvez o poeta, quem sabe, tivesse usado este início do seu poema para lembrar que o moderno meio de transporte tinha a sua paragem distante desta vila.
Quase meia légua, separava a estação do caminho de ferro da povoação.
A maioria dos passageiros vinha visitar a família. Com eles traziam e levavam malas e caixotes, às vezes bem carregados, que não era fácil transportar num percurso que embora não muito longo, subia… subia… até à vila.

Na estação, esperando os conhecidos passageiros ou algum “caixeiro-viajante”, lá estavam o Quinito (foto acima) e o Afogadinho (como era conhecido). Transportavam com alegria e zelo todos os que chegavam.
Havia sempre lugar para mais um embora se desse mais um apertão.
A viagem era calma, alegre e por vezes perfumada dum “perfume muar” que hoje já poucos lembram.
Os anos passaram. Os tempos mudaram. Embora o comboio ainda passe já não pára.
Os “CHURRIÕES” do “Quinito” e do “Afogadinho” foram arrumados.
Também foram arquivadas nas nossas memórias as recordações das novidades que nos contavam nessas “célebres viagens”.
Restam-nos saudosas lembranças de quem deu muito da suas vidas para facilitar as nossas viagens.

Bem hajam!


Urge fazer a história dos costumes de Alvito…


Olinda

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